{"id":18201,"date":"2007-04-17T19:25:10","date_gmt":"2007-04-17T19:25:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18201"},"modified":"2007-04-17T19:25:10","modified_gmt":"2007-04-17T19:25:10","slug":"vai-chegando-a-hora-de-corrigir-um-grande-erro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18201","title":{"rendered":"Vai chegando a hora de corrigir um grande erro"},"content":{"rendered":"<p><span>Nas &uacute;ltimas semanas, cresceu o debate sobre a refus&atilde;o da Telemar com a Brasil Telecom. O acima-assinado est&aacute; a cavaleiro para tratar do assunto. Em livro publicado no j&aacute; long&iacute;nquo ano de 1996, em artigos acad&ecirc;micos ou textos menores, demonstrou-se que a divis&atilde;o da antiga Telebr&aacute;s em quatro operadoras fixas e uma dezena de operadoras celulares, resultaria numa colcha de retalho de empresas incapazes de competir num mercado mundializado. Era de se esperar, ao menos se desejar, que o governo Lula, desde o seu primeiro dia, se pusesse a trabalhar para corrigir aquele equ&iacute;voco. Parece que, agora, premido pelos fatos, acabar&aacute; empurrado a faz&ecirc;-lo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Repetindo o que podem parecer antigas ladainhas, nenhum pa&iacute;s s&eacute;rio, a exce&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos, ao realizar a privatiza&ccedil;&atilde;o de suas antigas operadoras monopolistas, fatiou-as em v&aacute;rios peda&ccedil;os, embora muitas delas fossem bem maiores do que o era a Telebr&aacute;s. Mas mesmo nos Estados Unidos, n&atilde;o demorou muito e j&aacute; os filhotes da ex-monopolista AT&amp;T come&ccedil;aram a se refundir, por for&ccedil;a das leis do pr&oacute;prio mercado, a respeito do qual tanto se fala mas pouco realmente se obedece. Um desses filhotes, a SBC, engoliu a Pactel, a Ameritech e, por fim, em 2005, a pr&oacute;pria AT&amp;T, cuja marca, hist&oacute;rica, voltou a utilizar. Outro, a Bell Atlantic, engoliu a Nynex, a GTE, a MCI (que se dizia destinada a ser uma das maiores concorrentes da AT&amp;T), dando origem &agrave; Verizon, hoje a quarta maior operadora de telefonia celular do mundo. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Fus&otilde;es e incorpora&ccedil;&otilde;es n&atilde;o faltam na hist&oacute;ria recente das telecomunica&ccedil;&otilde;es. Fora do Brasil, neste momento, a AT&amp;T (SBC) e a America M&oacute;vil tentam adquirir da Pirelli, o controle da Telecom Italia. O governo italiano n&atilde;o parece estar gostando da id&eacute;ia e tem, em seu hist&oacute;rico, um veto &agrave; venda da operadora, j&aacute; ent&atilde;o privatizada, para a Deutsche Telekom. Nenhum governo que zele por seu pa&iacute;s lava as m&atilde;os para a desnacionaliza&ccedil;&atilde;o de empresas social e economicamente estrat&eacute;gicas, mesmo se privadas. E quando necess&aacute;rio, diz isso claramente. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o que esteja em curso a reconstru&ccedil;&atilde;o de velhos monop&oacute;lios. As reformas pelas quais passaram as telecomunica&ccedil;&otilde;es ao longo dos anos 1980 e 1990, atendiam a press&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais e tecnol&oacute;gicas por uma ampla reestrutura&ccedil;&atilde;o empresarial e normativa do setor. Era necess&aacute;rio, sim, abrir espa&ccedil;o para a emerg&ecirc;ncia de novas id&eacute;ias e empreendimentos. Mas, ao mesmo tempo, a economia capitalista n&atilde;o pode se livrar de sua inexor&aacute;vel tend&ecirc;ncia &agrave; centraliza&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o de capitais. E nem pode funcionar, numa escala global, que n&atilde;o seja atrav&eacute;s de grandes e poderosos conglomerados empresariais. De fato, em todo o mundo se assistiu, nesses &uacute;ltimos anos, ao nascimento e, n&atilde;o raro, consolida&ccedil;&atilde;o de novas empresas de comunica&ccedil;&otilde;es. Ao mesmo tempo, as antigas tratavam de se readaptar a uma realidade mutante, algumas se desfazendo de neg&oacute;cios j&aacute; n&atilde;o muito interessantes (a pr&oacute;pria AT&amp;T abriu m&atilde;o, l&aacute; pelas tantas, de seu antigo bra&ccedil;o industrial), outras se fusionando e reconstruindo, sob novas roupagens, as antigas corpora&ccedil;&otilde;es de onde, um dia, emergiram.&nbsp;&nbsp; <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>A privatiza&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/span><span> <\/p>\n<table border=\"4\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"8\" width=\"384\" height=\"530\" bordercolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"284\" valign=\"top\">\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\" align=\"center\"><strong>Operadoras: Brasil e M&eacute;xico<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"center\"><font size=\"2\"><strong>Receitas l&iacute;quidas &#8211; 2006<\/strong><\/font><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"200\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"68\">\n<p style=\"margin-top: 0.18cm\" class=\"western\" align=\"justify\"><strong><font size=\"2\">USD 10<\/font><font size=\"1\" style=\"font-size: 6pt\"><sup>9<\/sup><\/font><\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"200\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Telemar<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"68\">\n<p class=\"western\" align=\"right\">7,8<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"200\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Telef&oacute;nica (Telesp)<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"68\">\n<p class=\"western\" align=\"right\">6,7<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"200\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">BrT<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"68\">\n<p class=\"western\" align=\"right\">4,7<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"200\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Embratel<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"68\">\n<p class=\"western\" align=\"right\">3,8<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"200\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Total<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"68\">\n<p class=\"western\" align=\"right\">23,0<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"200\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Am&eacute;rica M&oacute;vil<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"68\">\n<p class=\"western\" align=\"right\">22,2<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"200\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Telmex<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"68\">\n<p class=\"western\" align=\"right\">11,9<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"200\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Total<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"68\">\n<p class=\"western\" align=\"right\">34,1<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"284\" valign=\"top\">\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\" align=\"justify\">Fonte: Teleco (<a href=\"http:\/\/www.teleco.com.br\/\" target=\"_blank\">www.teleco.com.br<\/a>)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\" align=\"justify\"><font size=\"2\">Obs: receitas em pesos e reais convertidas pela paridade m&eacute;dia de 2006:<\/font><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\" align=\"justify\"><font size=\"2\">$1,00 = Mex$ 10,56<\/font><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><font size=\"2\">$1,00 = R$ 2,17 <\/font><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span><br \/>Quando foi privatizada, a Telebr&aacute;s era a 15&ordf; operadora de telecomunica&ccedil;&otilde;es do mundo. Em 1996, faturava USD 12,7 bilh&otilde;es, operava 14,8 milh&otilde;es de linhas telef&ocirc;nicas fixas e exibia um lucro de USD 2,7 bilh&otilde;es. Maiores do que ela, eram justamente os filhotes da AT&amp;T e as grandes operadoras ex-estatais e ex-monopolistas do Reino Unido, Alemanha, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia, Espanha e Jap&atilde;o. Se a abertura dos mercados &agrave; concorr&ecirc;ncia podia ser considerado, ent&atilde;o, como componente inevit&aacute;vel de um grande reajuste econ&ocirc;mico, social e tecnol&oacute;gico vivenciado pelo capitalismo mundializado, a privatiza&ccedil;&atilde;o aos peda&ccedil;os da Telebr&aacute;s, como feita no governo Fernando Henrique, esta n&atilde;o se encaixava no paradigma. Na verdade, exclu&iacute;da a gigantesca AT&amp;T, a abertura dos mercados &agrave; concorr&ecirc;ncia impunha &agrave;s operadoras que, mesmo privatizadas, permaneciam respons&aacute;veis pelo servi&ccedil;o universal e pelo atendimento a outras demandas do Estado ou da sociedade, ostentarem ainda m&uacute;sculos suficientes para buscarem, no novo ambiente competitivo, os recursos necess&aacute;rios &agrave; sustenta&ccedil;&atilde;o de suas obriga&ccedil;&otilde;es de interesse p&uacute;blico.<\/span><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Fortemente reguladas pelos seus respectivos governos e n&atilde;o deixando, ao mesmo tempo, de serem, vez por outra, instrumentos de pol&iacute;tica desses mesmos governos, essas operadoras (essas que, na Europa, ainda s&atilde;o denominadas pelo nome de seus respectivos pa&iacute;ses mais a express&atilde;o &ldquo;telecom&rdquo;), por um lado, precisavam se defender em mercados a elas estrat&eacute;gicos, enquanto cediam inevitavelmente posi&ccedil;&otilde;es em v&aacute;rios outros nichos emergentes, sobretudo nas comunica&ccedil;&otilde;es corporativas, na telefonia celular e na TV por assinatura (cabo ou sat&eacute;lite). Por outro lado, at&eacute; por isto mesmo, foram buscar receitas extras, para subsidiar as suas obriga&ccedil;&otilde;es sociais, em pa&iacute;ses h&aacute; 500 anos habituados a sustentar a riqueza dos outros &agrave;s custas da pr&oacute;pria pobreza. Entre estes, n&atilde;o precisa dizer, o Brasil.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Estrat&eacute;gia correta<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Nenhuma operadora logrou mais &ecirc;xito na realiza&ccedil;&atilde;o dessa estrat&eacute;gia do que a Telef&oacute;nica de Espa&ntilde;a. Com a ousadia de um Cortez ou um Pizarro, ela adquiriu, em golpes sucessivos e a baixo custo, operadoras de telefonia de diversos pa&iacute;ses latino-americanos, tomando, por fim, do Brasil, a Telesp. Em relat&oacute;rio &agrave; Security and Exchange Comission dos Estados Unidos, relativo a 2005, a Telef&oacute;nica nos informa que &ldquo;em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; repatria&ccedil;&atilde;o de fundos, recebeu da Am&eacute;rica Latina o montante l&iacute;quido de&nbsp; &euro;1.490 milh&otilde;es&rdquo;, sendo &euro;884 milh&otilde;es na forma de dividendos e o restante na forma de juros e principal de empr&eacute;stimos feitos &agrave;s suas pr&oacute;prias subsidi&aacute;rias latino-americanas. N&atilde;o entra em detalhes quanto &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da Telesp nesses valores. N&atilde;o ser&aacute; surpresa se for superior a 50%. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Leste Europeu, &Aacute;sia, &Aacute;frica assistiram a desembarques similares das operadoras europ&eacute;ias ou estadunidenses. A elas se juntou uma empresa oriunda de um pa&iacute;s que, at&eacute; ent&atilde;o, n&atilde;o se sabia dotado de igual voca&ccedil;&atilde;o: a ex-estatal monopolista Telmex do M&eacute;xico. Por volta de 1995, rec&eacute;m-privatizada, ela faturava USD 6,9 bilh&otilde;es, operava 8,8 milh&otilde;es de linhas telef&ocirc;nicas fixas e exibia um lucro de USD 1,5 bilh&atilde;o. Perto da Telebr&aacute;s, a Telmex era uma an&atilde;. Dez anos depois, a Telmex emerge como a segunda maior operadora do continente, disputando a lideran&ccedil;a com a Telef&oacute;nica. Em 2006, operava cerca de 18,3 milh&otilde;es de telefones fixos no M&eacute;xico, auferindo receitas l&iacute;quidas de USD 11,9 bilh&otilde;es (ver tabela). Na telefonia celular, atrav&eacute;s do seu bra&ccedil;o Am&eacute;rica Telecom, operava 87,2 milh&otilde;es de linha em quase toda a Am&eacute;rica Latina, sendo 35,9 milh&otilde;es somente no M&eacute;xico, da&iacute; tendo auferido receitas l&iacute;quidas de USD 22,2 bilh&otilde;es em 2006.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em termos individuais, nenhuma das operadoras do Brasil, nacionais ou estrangeiras, em telefonia fixa ou celular, sequer se aproxima do conglomerado mexicano que desde dezembro passado foi reestruturado sob a marca Am&eacute;rica M&oacute;vil. Mas reunidas, as quatro concession&aacute;rias de telefonia fixas brasileiras teriam faturado juntas, em 2006, USD 23 bilh&otilde;es, quantia que certamente poderia vir a ser ainda maior se consider&aacute;ssemos os ganhos sin&eacute;rgicos que deixaram de obter por for&ccedil;a do esquartejamento da Telebr&aacute;s (nesta conta, por exemplo, n&atilde;o est&atilde;o inclu&iacute;das as receitas poss&iacute;veis em telefonia celular). <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Heran&ccedil;a azteca?<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O M&eacute;xico teve a sabedoria (talvez heran&ccedil;a azteca) de n&atilde;o retalhar a Telmex, ao privatiz&aacute;-la. &Eacute; verdade que n&atilde;o adotou outras medidas, adotadas no Brasil, que permitiriam ao cidad&atilde;o mexicano melhor se beneficiar da nova posi&ccedil;&atilde;o internacional alcan&ccedil;ada por sua operadora de telecomunica&ccedil;&otilde;es. De qualquer modo, vendida ao empres&aacute;rio mexicano Carlos Slim e posta sob concorr&ecirc;ncia em seu pr&oacute;prio mercado interno, a Telmex viu-se na obriga&ccedil;&atilde;o de conquistar seu espa&ccedil;o no mundo global das comunica&ccedil;&otilde;es, caso n&atilde;o quisesse no futuro vir a ser mais um exemplo de revenda a terceiros, como tem sido comum nesse setor. Da&iacute; que adquiriu ou criou empresas nos Estados Unidos, em Honduras, El Salvador, Guatemala, Nicar&aacute;gua, Porto Rico, Venezuela, Peru, Paraguai, Uruguai, Argentina, Col&ocirc;mbia, Equador, Chile e, sobretudo, no Brasil. Aqui, a Am&eacute;rica M&oacute;vil\/Telmex controla a Claro e a Embratel. Perdeu alguma coisa em casa, mas compensou com sobras no mundo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Ali&aacute;s, a compra da Embratel pela Am&eacute;rica M&oacute;vil n&atilde;o deixa de ser intrigante. Na privatiza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s, a Embratel foi abocanhada pela empresa MCI\/WordCom que, em 2002, iria &agrave; bancarrota na esteira de um momentoso esc&acirc;ndalo cont&aacute;bil. Em 2003, a Embratel foi posta a venda. Era a grande oportunidade que se oferecia ao governo Lula para come&ccedil;ar a desfazer o equ&iacute;voco do desmonte da Telebr&aacute;s e iniciar a recupera&ccedil;&atilde;o, para o Brasil (n&atilde;o necessariamente para o Estado), do controle da empresa e de seus sat&eacute;lites. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; dif&iacute;cil entender &#8212; e ainda h&aacute; que se explicar &#8212; porque o mesmo governo que, atrav&eacute;s de ousada manobra do ent&atilde;o presidente do BNDES, Carlos Lessa, evitou a desnacionaliza&ccedil;&atilde;o da Vale do Rio Doce, n&atilde;o agiu, com ainda maior firmeza, no caso da Embratel. Um cons&oacute;rcio formado pela Telemar e Brasil Telecom queria compr&aacute;-la. Na Telemar, o governo det&eacute;m, direta e indiretamente, cerca de 75% do capital social, sendo 25% atrav&eacute;s do BNDES e quase 50% atrav&eacute;s dos fundos de pens&atilde;o do Banco do Brasil, Petrobr&aacute;s e de outras estatais. Na Brasil Telecom, o governo det&eacute;m, indiretamente, o pr&oacute;prio controle atrav&eacute;s da mesma Previ e outros fundos de pens&atilde;o. Se n&atilde;o faltassem raz&otilde;es pol&iacute;ticas, existiriam muitos motivos patrimoniais para realizar tal investimento. No entanto, o governo n&atilde;o apoiou a proposta. Em que pese a oferta do cons&oacute;rcio brasileiro ter sido melhor do que a da Am&eacute;rica M&oacute;vil\/Telmex, quem decidiu o futuro da Embratel foi um juiz de Nova York: mandou a MCI entreg&aacute;-la a Slim. Foi como que um definitivo ac&oacute;rd&atilde;o da total perda de controle do Brasil sobre os rumos das suas telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><strong>Refus&atilde;o necess&aacute;ria<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p><span>A refus&atilde;o da Telemar com a Brasil Telecom n&atilde;o se faz necess&aacute;ria apenas para recolocar o Brasil no tabuleiro mundial das comunica&ccedil;&otilde;es. At&eacute; por isto mesmo, ela se imp&otilde;e como condi&ccedil;&atilde;o de sustenta&ccedil;&atilde;o do nosso sistema nacional de comunica&ccedil;&otilde;es em todo o imenso Brasil pobre. Nos tempos da Telebr&aacute;s, na maior parte do pa&iacute;s, os custos de implanta&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o da infra-estrutura eram bancados pelos super&aacute;vits e lucros da Embratel, Telesp e algumas outras poucas &ldquo;teles&rdquo; estaduais. O esquartejamento da Telebr&aacute;s separou, de modo algum inocentemente, o fil&eacute; (S&atilde;o Paulo e longa dist&acirc;ncia, isto &eacute;, Telesp e Embratel) do imenso osso representado pelo Norte, Nordeste e demais interiores. N&atilde;o por acaso, a Telesp e a Embratel acabaram em m&atilde;os estrangeiras, ficando as sobras com investidores nacionais escorados pelo Estado. O mercado se concentra em cerca de 350 munic&iacute;pios &ndash; nestes, encontramos investidores e, da&iacute;, competidores. No restante do Brasil sobrevive, em cada grande &aacute;rea de outorga, um monop&oacute;lio de fato, sem muitas chances de vir a deixar de s&ecirc;-lo em futuro pr&oacute;ximo ou remoto. Mas s&atilde;o monop&oacute;lios que, cada vez mais, pressionados pela concorr&ecirc;ncia nos mercados ricos e competitivos, v&ecirc;em-se em dificuldades para seguir sustentando at&eacute; mesmo o b&aacute;sico, nas regi&otilde;es pobres. A fus&atilde;o lhes dar&aacute; novas for&ccedil;as e, quem sabe?, condi&ccedil;&otilde;es para tamb&eacute;m buscar l&aacute; fora lucros a serem &ldquo;repatriados&rdquo;&#8230;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Desde quando foram criadas, era previs&iacute;vel que a Telemar e a Brasil Telecom teriam dificuldades para sobreviver num modelo que ignorou as desigualdades s&oacute;cio-econ&ocirc;micas do pa&iacute;s. Assim como a Espanha, Alemanha, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia, sem falar dos Estados Unidos, t&ecirc;m uma ou mais de uma grande operadora de telecomunica&ccedil;&otilde;es de porte global, &eacute; leg&iacute;timo que o Brasil sedie a sua. Por outro lado, em nenhum desses pa&iacute;ses, operadoras desse porte recebem cheque em branco do governo. Uma &ldquo;Brasil Telecom&rdquo; teria apoio em sua disputa internacional num mercado aberto, mas teria que manter e refor&ccedil;ar seus compromissos com a universaliza&ccedil;&atilde;o e inclus&atilde;o, com a real presta&ccedil;&atilde;o de um excelente atendimento ao cidad&atilde;o e usu&aacute;rio, e com o desenvolvimento tecnol&oacute;gico do pa&iacute;s, dentre outros que, at&eacute; agora, se &eacute; que assumiram, ao menos ainda n&atilde;o lhes foi realmente cobrado. At&eacute; porque, para isto, seria necess&aacute;rio tamb&eacute;m que o governo n&atilde;o brincasse, nem com a educa&ccedil;&atilde;o, nem com a Anatel. Mas este &eacute; um outro assunto&#8230;<\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span><em>* Marcos Dantas &eacute; professor do Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da PUC-Rio e Coordenador do N&uacute;cleo de Pesquisa sobre TV Digital. Foi membro do Conselho Consultivo da Anatel, Secret&aacute;rio de Planejamento do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e Secret&aacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o a Dist&acirc;ncia do MEC. &Eacute; autor de A l&oacute;gica do capital-informa&ccedil;&atilde;o (Ed. Contraponto, 1996, 2&ordf; ed. 2002).<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas &uacute;ltimas semanas, cresceu o debate sobre a refus&atilde;o da Telemar com a Brasil Telecom. O acima-assinado est&aacute; a cavaleiro para tratar do assunto. 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