{"id":18200,"date":"2007-04-17T19:16:57","date_gmt":"2007-04-17T19:16:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18200"},"modified":"2007-04-17T19:16:57","modified_gmt":"2007-04-17T19:16:57","slug":"a-tv-digital-e-a-oportunidade-perdida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18200","title":{"rendered":"A TV digital e a oportunidade perdida"},"content":{"rendered":"<p><span>Hoje mais do que nunca a transforma&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria ao desenvolvimento e consolida&ccedil;&atilde;o da democracia brasileira passa por uma ampla reforma no setor das Comunica&ccedil;&otilde;es. Isso se d&aacute; pelo fato da produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e cultura envolverem direitos e liberdades fundamentais, como a liberdade de express&atilde;o, o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, a liberdade de imprensa, o direito &agrave; privacidade e, e englobando todos eles, o direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O reconhecimento desses direitos (e o Brasil o faz, pelo menos em seus princ&iacute;pios constitucionais e tratados internacionais do qual &eacute; signat&aacute;rio) deveria imputar ao Estado brasileiro e aos poderes da Rep&uacute;blica responsabilidades diversas materializadas na forma de normas infra-constitucionais e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas capazes de equilibrar, naquilo que chamamos de m&iacute;dia, a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es de maneira que este processo reflita tanto o conjunto da sociedade brasileira quanto suas especificidades de classe, etnias, ra&ccedil;as, regi&otilde;es, g&ecirc;neros, ideologias e valores morais e &eacute;ticos.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Harmonizar estas responsabilidades n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil, correndo-se sempre o risco de abusos por parte do Estado, que pode exercer um poder arbitr&aacute;rio, como ainda o fazem de forma sistem&aacute;tica alguns pa&iacute;ses totalit&aacute;rios. No Brasil, apesar de existirem ainda focos inaceit&aacute;veis de viola&ccedil;&otilde;es (especialmente onde impera o coronelismo), a liberdade de opini&atilde;o e imprensa, nos &uacute;ltimos anos, d&aacute; demonstra&ccedil;&atilde;o de solidez. E, a despeito da tentativa dos setores que det&ecirc;m a hegemonia na circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es de imputar ao governo Lula tenta&ccedil;&otilde;es autorit&aacute;rias, os fatos provam que os &uacute;ltimos quatro anos foram de amplia&ccedil;&atilde;o das liberdades civis. Hoje, o maior impeditivo ao exerc&iacute;cio destas liberdades &eacute; de outra ordem: a concentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o nas m&atilde;os de poucos grupos e sua finalidade majoritariamente comercial, ambas a maior forma de censura dos nossos tempos.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Viola&ccedil;&atilde;o permanente<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Este quadro se materializa em diversas formas e atinge em cheio o meio de comunica&ccedil;&atilde;o mais importante do Brasil, a televis&atilde;o. A fragilidade da legisla&ccedil;&atilde;o, datada da d&eacute;cada de 60, e a sua m&aacute; implementa&ccedil;&atilde;o geram diversas distor&ccedil;&otilde;es. Exemplo claro &eacute; a aprova&ccedil;&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es, feitas muitas vezes por parlamentares donos de emissoras de R&aacute;dio e TV em um processo autom&aacute;tico, sem crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o, sem a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade e ferindo a regra constitucional. Sem este controle, os atuais concession&aacute;rios seguem abusando da publicidade ou da pr&aacute;tica de estelionato (muitas vezes pouco sutil, diga-se), cometendo ilegalidades flagrantes como a subloca&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o nas grades de programa&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o bastasse, como uma cereja no bolo do quadro ca&oacute;tico, o cap&iacute;tulo de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 ainda n&atilde;o foi regulamentado (ap&oacute;s 19 anos), deixando sem efetiva&ccedil;&atilde;o princ&iacute;pios como a proibi&ccedil;&atilde;o ao monop&oacute;lio, a prioridade aos conte&uacute;dos informativos, educacionais e culturais, a promo&ccedil;&atilde;o da cultura regional e independente e a complementariedade entre os sistemas p&uacute;blico, privado e estatal.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Num quadro onde a viola&ccedil;&atilde;o ao direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; regra e n&atilde;o exce&ccedil;&atilde;o, a migra&ccedil;&atilde;o para a plataforma digital da transmiss&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o dos sinais de televis&atilde;o aberta, por suas diversas caracter&iacute;sticas, inaugurou uma janela de oportunidades para que o Estado brasileiro reorientasse as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, agora sob a perspectiva do interesse p&uacute;blico. Em primeiro lugar, porque a TV digital necessariamente demanda a reorganiza&ccedil;&atilde;o do espectro de freq&uuml;&ecirc;ncias (por onde trafegam os sinais de r&aacute;dio e televis&atilde;o), permitindo que mais programa&ccedil;&otilde;es sejam transmitidas (at&eacute; seis vezes mais do que as existentes hoje). Em segundo, porque possibilita o oferecimento de servi&ccedil;os interativos de relev&acirc;ncia social hoje s&oacute; dispon&iacute;veis pela Internet. Em terceiro, porque induzir&aacute; um processo econ&ocirc;mico de grande escala que pode ser usado como um indutor do desenvolvimento tecnol&oacute;gico e cient&iacute;fico do pa&iacute;s.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A televis&atilde;o digital, entretanto, apesar de suas potencialidades, n&atilde;o &eacute; uma d&aacute;diva que, necessariamente, trar&aacute; benef&iacute;cios &agrave; sociedade. Seus resultados dependem de decis&otilde;es pol&iacute;ticas. Algumas delas j&aacute; foram tomadas. Outras, t&atilde;o essenciais quanto, ainda n&atilde;o est&atilde;o consolidadas, especialmente em fun&ccedil;&atilde;o da incapacidade do marco regulat&oacute;rio vigente de absorver a migra&ccedil;&atilde;o para a televis&atilde;o digital.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>A hist&oacute;ria recente da TV digital no Brasil<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O Decreto Presidencial (4.901\/2003) que instituiu o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) possu&iacute;a m&eacute;ritos ineg&aacute;veis. Mencionava princ&iacute;pios como o desenvolvimento cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gico, a inclus&atilde;o social, educa&ccedil;&atilde;o &agrave; dist&acirc;ncia e a democratiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. A partir dele, foram criados cons&oacute;rcios de universidades e centros de pesquisa que receberam recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico para as Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Funttel) a fim de&nbsp; produzirem tecnologias nacionais que pudessem ser utilizadas na TV digital. Ao mesmo tempo, a sociedade civil foi chamada a participar do processo, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho Consultivo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O desenrolar das atividades previstas no Decreto 4.901, por&eacute;m, se mostrou bem aqu&eacute;m das expectativas dos movimentos sociais que lutam pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. Houve pouco dinheiro para as pesquisas e seus repasses sofreram v&aacute;rios atrasos. O Conselho Consultivo n&atilde;o contou com infra-estrutura para seu funcionamento, at&eacute; que finalmente deixou de ser convocado sem que a sociedade civil pudesse se pronunciar sobre os diversos assuntos envolvidos com a TV digital. Por fim, a posse do ministro H&eacute;lio Costa, em um momento onde o governo Lula sofria forte persegui&ccedil;&atilde;o da grande m&iacute;dia privada, significou a consolida&ccedil;&atilde;o dos interesses dos radiodifusores privados (em especial as Organiza&ccedil;&otilde;es Globo), que conseguiram emplacar toda as suas reivindica&ccedil;&otilde;es.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O &aacute;pice desta &ldquo;virada&rdquo; no processo foi o Decreto Presidencial 5.820\/2006, promulgado em 29 de junho de 2006 durante a realiza&ccedil;&atilde;o da Copa do Mundo da Alemanha, quando todas as aten&ccedil;&otilde;es estavam voltadas para o futebol. Ele sacramentou a ado&ccedil;&atilde;o da tecnologia japonesa na constitui&ccedil;&atilde;o da TV digital terrestre brasileira (aquela que ir&aacute; substituir o servi&ccedil;o de TV prestado atualmente em sinal aberto). <\/p>\n<p><\/span><span>Para a implanta&ccedil;&atilde;o do novo sistema, o Decreto estabeleceu as diretrizes do processo de transi&ccedil;&atilde;o. Nele, a norma concedeu a cada emissora que j&aacute; possu&iacute;a outorga para um canal anal&oacute;gico um novo canal digital, em car&aacute;ter de consigna&ccedil;&atilde;o. A figura da consigna&ccedil;&atilde;o &eacute; in&eacute;dita em se tratando de concess&otilde;es p&uacute;blicas e permitiu que o governo entregasse novos canais para os atuais radiodifusores sem levar o assunto para delibera&ccedil;&atilde;o do Congresso Nacional, como determina nossa Constitui&ccedil;&atilde;o. A previs&atilde;o &eacute; que o processo ocorra das maiores para as menores cidades mas nenhuma consigna&ccedil;&atilde;o foi feita ainda pelo fato da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) estar procedendo estudos sobre a melhor ocupa&ccedil;&atilde;o do espectro.<\/p>\n<p><\/span><span>Aqui come&ccedil;am os primeiros problemas. Na TV digital, um &uacute;nico canal de televis&atilde;o passa a comportar a transmiss&atilde;o de v&aacute;rias programa&ccedil;&otilde;es simult&acirc;neas, variando a quantidade de acordo com a defini&ccedil;&atilde;o da imagem. Se optarmos pela qualidade de um DVD, no espa&ccedil;o hoje ocupado por uma &uacute;nica programa&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel colocar pelo menos quatro. Frente a esta possibilidade, por que entregar este espa&ccedil;o todo para os atuais radiodifusores e n&atilde;o fragmentar as faixas, permitindo a entrada de novas emissoras (privadas, estatais e p&uacute;blicas)? A perdurar a escolha atual, esta segunda op&ccedil;&atilde;o estar&aacute; comprometida, pois haver&aacute; pouqu&iacute;ssimo espa&ccedil;o dispon&iacute;vel para novas emissoras no per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o, especialmente nos grandes centros urbanos. Ao inv&eacute;s de democratiza&ccedil;&atilde;o teremos uma concentra&ccedil;&atilde;o ainda maior do espectro reservado &agrave; TV aberta.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Contraditoriamente, o Decreto n&atilde;o otimiza o uso do espectro para incluir mais fontes de informa&ccedil;&atilde;o mas prev&ecirc; que as atuais emissoras transmitam v&aacute;rias programa&ccedil;&otilde;es simultaneamente, entrando em conflito com o Decreto-Lei 236, de 1967. Esta norma impede um mesmo concession&aacute;rio de possuir mais de um &uacute;nico canal por estado, numa clara restri&ccedil;&atilde;o &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m est&aacute; prevista na norma a possibilidade de haver interatividade, contrariando o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (CBT), que define a radiodifus&atilde;o como um servi&ccedil;o unidirecional. Por&eacute;m, mais preocupante &eacute; o fato do governo permitir que a interatividade seja usada exclusivamente de acordo com os planos comerciais das emissoras. Ou seja, a TV interativa estar&aacute; dispon&iacute;vel apenas para quem puder pagar por um &ldquo;canal de retorno&rdquo; (banda larga) e comprar um terminal de acesso com modem, mem&oacute;ria, HD, etc. Estaremos criando a categoria dos exclu&iacute;dos da TV interativa. Ao mesmo tempo em que deixaremos de usar os recursos interativos para prover diversos servi&ccedil;os de utilidade p&uacute;blica.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Outro conflito presente no Decreto &eacute; de car&aacute;ter pol&iacute;tico e &eacute;tico. O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es &eacute; o respons&aacute;vel por definir quais emissoras estar&atilde;o com a sua documenta&ccedil;&atilde;o atualizada, para que possam receber a consigna&ccedil;&atilde;o do novo canal. Ocorre que o titular da pasta, H&eacute;lio Costa, foi durante anos empregado das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo, &eacute; dono de uma emissora de r&aacute;dio em Barbacena e seu suplente (que financiou parte de sua campanha ao Senado) &eacute; dono das retransmissoras da Bandeirantes em Goi&acirc;nia e do SBT em regi&otilde;es do interior de Minas Gerais. <\/p>\n<p><\/span><span>Por fim, o Decreto cria problemas tamb&eacute;m na defini&ccedil;&atilde;o do prazo de 10 anos para que as a finaliza&ccedil;&atilde;o da transi&ccedil;&atilde;o do anal&oacute;gico para o digital, embora tudo indicar que o tempo necess&aacute;rio para que todos os usu&aacute;rios comprem os conversores ou troquem seus aparelhos televisores ser&aacute; maior. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>As pesquisas brasileiras<br \/><\/strong><\/span><span><br \/>Em paralelo &agrave; ado&ccedil;&atilde;o da tecnologia japonesa para a TV digital (nome fantasia: ISDB) foi firmado um acordo com o governo japon&ecirc;s que visa definir como ser&aacute; a parceria entre as empresas brasileiras e nip&ocirc;nicas. Tal acordo, que deveria ter passado pelo Congresso Nacional, como define nossa Constitui&ccedil;&atilde;o, &eacute; vago, n&atilde;o imputando qualquer responsabilidade aos japoneses, n&atilde;o ficando claro em momento algum o n&iacute;vel da parceria ou se haver&aacute; ou n&atilde;o transfer&ecirc;ncia de tecnologias. Ao n&atilde;o definir tais crit&eacute;rios e a obrigatoriedade da forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra qualificada, a implanta&ccedil;&atilde;o da TV digital abre a possibilidade da instala&ccedil;&atilde;o de meras montadoras, mantendo nossa hist&oacute;rica depend&ecirc;ncia de tecnologias importadas. Tamb&eacute;m h&aacute; o risco do isolamento. At&eacute; agora, o Brasil &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s do mundo, al&eacute;m do pr&oacute;prio Jap&atilde;o, a adotar o ISDB. <\/p>\n<p><\/span><span>Mais recentemente, o governo criou um f&oacute;rum para confec&ccedil;&atilde;o das regras t&eacute;cnicas de implanta&ccedil;&atilde;o do ISDB no Brasil. Para participar deste f&oacute;rum &eacute; preciso pagar (sic) e dele fazem parte apenas as empresas de equipamentos e radiodifusores, al&eacute;m de duas vagas para universidades. O primeiro problema &eacute; que o pr&oacute;prio governo tem presen&ccedil;a consultiva em um &oacute;rg&atilde;o que definir&aacute; uma parte importante de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica. O segundo &eacute; o veto &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil. E, pela pouca informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel (quase tudo obtido em conversas informais), o que se sabe &eacute; que teremos a utiliza&ccedil;&atilde;o de apenas duas tecnologias nacionais: o middleware Ginga e a implanta&ccedil;&atilde;o, no ISDB, do codec H264.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Canais da Uni&atilde;o<br \/><\/strong><\/span><span><br \/>No Decreto 5.820\/2006 consta que &ldquo;poder&aacute; haver&rdquo; a cria&ccedil;&atilde;o de quatro canais da Uni&atilde;o, um para o Poder Executivo, outro para educa&ccedil;&atilde;o, um para cultura e um &uacute;ltimo para a cidadania. &Eacute; importante destacar que estes canais ser&atilde;o geridos pela Uni&atilde;o, sendo estatais e n&atilde;o p&uacute;blicos. Inversamente, n&atilde;o h&aacute; nenhuma men&ccedil;&atilde;o sobre levar para a TV aberta os canais de acesso p&uacute;blico j&aacute; existentes na TV a cabo (TV C&acirc;mara, TV Senado, TVs de assembl&eacute;ias legislativas e c&acirc;maras de vereadores, TV Justi&ccedil;a, canais comunit&aacute;rios e canais universit&aacute;rios).<\/p>\n<p><\/span><span>Para ir ao ar, os canais da Uni&atilde;o dever&atilde;o ocupar o espa&ccedil;o final do UHF (60-69). Mas, antes ser&aacute; preciso retirar de l&aacute; o servi&ccedil;o de link entre as geradoras anal&oacute;gicas e as suas esta&ccedil;&otilde;es repetidoras e retransmissoras (Servi&ccedil;o de Repeti&ccedil;&atilde;o de TV &ndash; RpTV), o que implicar&aacute; em custos para os radiodifusores. Isso sem contar que tais canais s&atilde;o os que geram mais custos para a sua ocupa&ccedil;&atilde;o, o que implica na necessidade de utilizar uma maior pot&ecirc;ncia (requerida pelos canais mais altos), aumentando os custos de transmiss&atilde;o. Assim, o Decreto preservou os canais mais baixos (e de transmiss&atilde;o mais barata) para as emissoras privadas, deixando os maiores desembolsos com a Uni&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><strong><span>Mudan&ccedil;a necess&aacute;ria <\/p>\n<p><\/span><\/strong><span>Se a amplia&ccedil;&atilde;o de fontes de informa&ccedil;&atilde;o e cultura n&atilde;o foi at&eacute; agora uma op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos governantes brasileiros, com a tecnologia digital h&aacute; poucos motivos cab&iacute;veis para n&atilde;o realiz&aacute;-la. A tecnologia permite que isso aconte&ccedil;a, mas, sendo esta apenas um instrumento, &eacute; preciso que as autoridades respons&aacute;veis, especialmente o presidente da Rep&uacute;blica, inovem frente aos seus antecessores. Se a hist&oacute;ria do Brasil &eacute; marcada pela atua&ccedil;&atilde;o do Estado em prol dos grupos privados de m&iacute;dia, um governo que se anuncia popular deve necessariamente adotar outro rumo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es &eacute; compromisso assumido pelo pr&oacute;prio presidente de forma expl&iacute;cita em seu programa de governo: &ldquo;O governo deve assumir o compromisso com um plano vigoroso e espec&iacute;fico de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o social no Brasil como uma de suas principais propostas para um segundo mandato e de fortalecimento da democracia&rdquo; (Programa setorial de Comunica&ccedil;&atilde;o e Democracia, dispon&iacute;vel no s&iacute;tio do PT).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O mesmo programa cita explicitamente a necessidade de encarar a chegada da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica como oportunidade para &ldquo;dar novas solu&ccedil;&otilde;es a velhos e novos problemas&rdquo; apontando que o novo modelo setorial &ldquo;dever&aacute; corrigir as atuais distor&ccedil;&otilde;es existentes na organiza&ccedil;&atilde;o e no funcionamento destes servi&ccedil;os e orientar as profundas transforma&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o sendo introduzidas pela tecnologia digital&rdquo;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A corre&ccedil;&atilde;o destas distor&ccedil;&otilde;es passa, como afirmamos anteriormente, por um conjunto de pol&iacute;ticas que coloque a comunica&ccedil;&atilde;o a servi&ccedil;o das maiorias e que respeite o espectro eletromagn&eacute;tico como bem p&uacute;blico. Nesse sentido, o pr&oacute;prio programa de governo para o segundo mandato aponta duas prioridades para levar a cabo este objetivo. A primeira &eacute; a reformula&ccedil;&atilde;o do marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es em coer&ecirc;ncia&nbsp; com o&nbsp; direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. A segunda &eacute; o fortalecimento dos sistemas democr&aacute;ticos de m&iacute;dia, especialmente de um sistema p&uacute;blico forte, com autonomia editorial, financiamento p&uacute;blico e est&aacute;vel, e gest&atilde;o participativa.<\/span><span>&nbsp;<br \/><\/span><\/p>\n<p><span>Mais do que uma obriga&ccedil;&atilde;o do governo frente aos compromissos assumidos durante a campanha, o projeto de democratizar a m&iacute;dia no pa&iacute;s &eacute; de responsabilidade de todos aqueles que defendem uma sociedade justa e democr&aacute;tica, especialmente dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais. Frente &agrave; dura disputa de projetos que j&aacute; est&aacute; em curso para os pr&oacute;ximos anos, estas for&ccedil;as pol&iacute;ticas n&atilde;o podem prescindir de buscar transforma&ccedil;&otilde;es radicais neste que &eacute; um dos campos mais importantes da luta ideol&oacute;gica da atualidade.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><em><span>Diogo Moyses, <\/span>G<span>ustavo Gindre e <\/span><span>Jonas Valente s&atilde;o <\/span>coordenadores do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje mais do que nunca a transforma&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria ao desenvolvimento e consolida&ccedil;&atilde;o da democracia brasileira passa por uma ampla reforma no setor das Comunica&ccedil;&otilde;es. 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