{"id":18185,"date":"2007-04-16T12:34:15","date_gmt":"2007-04-16T12:34:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18185"},"modified":"2007-04-16T12:34:15","modified_gmt":"2007-04-16T12:34:15","slug":"2007-meu-ano-roquette-pinto-da-comunicacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18185","title":{"rendered":"2007: Meu Ano Roquette-Pinto da Comunica\u00e7\u00e3o Social"},"content":{"rendered":"<p>No in&iacute;cio deste ano, decidi que 2007 ser&aacute; meu <em>Ano Roquette-Pinto da Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/em>. <\/p>\n<p>Gesto isolado, individual, meio pretensioso, mas que talvez me sirva de alento diante de um novo come&ccedil;o pol&iacute;tico-administrativo para o Brasil, que, espero, contemplar&aacute; na pauta desenvolvimentista do governo &ndash; de acelera&ccedil;&atilde;o, crescimento e inclus&atilde;o -, como a quer o&nbsp; presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, novas e diferentes pol&iacute;ticas para a comunica&ccedil;&atilde;o social.&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, por que Roquette-Pinto? <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">Est&aacute; &eacute; f&aacute;cil, responder&aacute; o graduando em Comunica&ccedil;&atilde;o, atento ao que lhe ensinamos em nossas faculdades: foi Roquette-Pinto quem <em>inventou<\/em> o r&aacute;dio no Brasil.<\/p>\n<p>Errado, responder&aacute; o professor mais atento, ainda que sejam poucos os realmente atentos aos detalhes biogr&aacute;ficos de Edgard Roquette-Pinto, at&eacute; porque esse extraordin&aacute;rio brasileiro est&aacute; entre aquelas grandes express&otilde;es da vida nacional que at&eacute; agora n&atilde;o receberam a aten&ccedil;&atilde;o de uma biografia. Errado n&atilde;o apenas porque, no arroubo ret&oacute;rico, o graduando, ou graduanda, atribuiu a Roquette-Pinto a fa&ccedil;anha de <em>inventar<\/em> o r&aacute;dio brasileiro. Talvez porque em uma aula de hist&oacute;ria da Comunica&ccedil;&atilde;o, ele ou ela tenha ouvido alguma coisa que ligava aqui o in&iacute;cio das transmiss&otilde;es radiof&ocirc;nicas com a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias. Errado, acima de tudo, porque Edgard Roquette-Pinto (1884-1954) foi muito, muito mais do que o fundador, em abril de 1923 da R&aacute;dio Sociedade do Rio de Janeiro, hoje R&aacute;dio MEC AM. Edgard Roquette-Pinto, nas duas d&eacute;cadas anteriores &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da R&aacute;dio Sociedade protagonizou uma das mais brilhantes carreiras de cientista e educador que este pa&iacute;s j&aacute; conheceu. <\/p>\n<p>Da&iacute; sua liga&ccedil;&atilde;o com a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias; da&iacute; ele ter convencido Henrique Morize, ent&atilde;o presidente da Academia, a acompanh&aacute;-lo no desafio de iniciar o r&aacute;dio no Brasil; da&iacute; a sua f&eacute;rrea convic&ccedil;&atilde;o de que aquela nova tecnologia tinha que ser um instrumento de promo&ccedil;&atilde;o, mais do que tudo, da educa&ccedil;&atilde;o, da ci&ecirc;ncia e da cultura.<\/p>\n<p>Roquette-Pinto formou-se m&eacute;dico em 1905, mas trocou logo a pr&aacute;tica m&eacute;dica por um interesse cient&iacute;fico abrangente. J&aacute; na formatura, o trabalho final, intitulado <em>O Exerc&iacute;cio da Medicina Entre os Ind&iacute;genas da Am&eacute;rica<\/em>, indicava suas amplas ambi&ccedil;&otilde;es intelectuais; no caso, a Antropologia. Um ano depois, j&aacute; estava no Rio Grande do Sul, estudando s&iacute;tios de sambaquis, as jazidas de ossos e outros remanescentes dos primitivos habitantes do nosso litoral. Pouco tempo depois, assumia por concurso a c&aacute;tedra de etnografia e antropologia do Museu Hist&oacute;rico Nacional, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>No Museu Nacional, conheceu, em 1911, o ent&atilde;o tenente-coronel C&acirc;ndido Rondon, a quem acompanhou, um ano depois, na expedi&ccedil;&atilde;o ao Mato Grosso, da qual resultou um cl&aacute;ssico da literatura cient&iacute;fica brasileira: Edgard Roquette-Pinto. <em>Rond&ocirc;nia<\/em>. S&atilde;o Paulo: Cia. Editora Nacional, 1975, 6&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, originalmente publicado em 1916: um minucioso tratado geogr&aacute;fico, etnogr&aacute;fico, antropol&oacute;gico, biol&oacute;gico e cultural que, para Gilberto Freyre, ombreava-se com <em>Os Sert&otilde;es<\/em>, de Euclides da Cunha, no desvendamento de aspectos cruciais da cultura, nacionalidade e geografia nacionais. <\/p>\n<p>Mas, insolitamente, como observei acima, esse extraordin&aacute;rio brasileiro permanece at&eacute; hoje sem uma biografia. Talvez porque, como escreveu Ruy Castro no breve, mas agudo perfil biogr&aacute;fico que fez de Roquette-Pinto, um s&oacute; volume n&atilde;o seria capaz de apreender toda a complexidade e multiplicidade de t&atilde;o desafiador personagem. Da&iacute; ter intitulado seu ensaio <em>Roquette-Pinto: O Homem Multid&atilde;o<\/em>; no subt&iacute;tulo, a met&aacute;fora que julgou apropriada para descrever o personagem&nbsp; (<a href=\"http:\/\/www.soarmec.com.br\/ouvinte\/roquette.html\">http:\/\/www.soarmec.com.br\/ouvinte\/roquette.html<\/a>).<\/p>\n<p>Foi durante a expedi&ccedil;&atilde;o com Rondon que Roquette-Pinto manifestou pela primeira vez seu fasc&iacute;nio com as coisas da comunica&ccedil;&atilde;o. Em pel&iacute;cula, ele registrou as primeiras imagens dos Nhambiquaras, document&aacute;rio pioneiro que doou, em 1912, &agrave; rec&eacute;m-inaugurada cinemateca do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Roquette-Pinto foi sempre um brasileiro comprometido com a educa&ccedil;&atilde;o, e ele vira naquela nova tecnologia de comunica&ccedil;&atilde;o, o cinema, um instrumento decisivo para levar informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento &agrave;s crian&ccedil;as e jovens de todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Por isso, em uma outra importante etapa de sua vida c&iacute;vica e profissional, participou, ao lado de brasileiros igualmente extraordin&aacute;rios, como Fernando de Azevedo e An&iacute;sio Teixeira, das primeiras tentativas de reformas estruturais da educa&ccedil;&atilde;o brasileira, processo durante o qual Roquette criou, em 1936, o INCE (Instituto Nacional do Cinema Educativo), institui&ccedil;&atilde;o por meio da qual disseminou projetores e fitas educativas por dezenas de escolas p&uacute;blicas do ent&atilde;o Distrito Federal, no que pretendia fosse uma campanha nacional. <\/p>\n<p>Em outras palavras, ningu&eacute;m mais do que Edgard Roquette-Pinto pensou, nos prim&oacute;rdios do s&eacute;culo XX, como fazer convergir educa&ccedil;&atilde;o e as novas tecnologias da comunica&ccedil;&atilde;o e da informa&ccedil;&atilde;o. Por isso, na d&eacute;cada de 20, foi capaz de abandonar quase todo seu m&uacute;ltiplo e extraordin&aacute;rio passado de etn&oacute;grafo, antrop&oacute;logo, ge&oacute;grafo, pela tecnologia do r&aacute;dio, dado o impacto que, muito mais do que o cinema, ela poderia ter sobre a educa&ccedil;&atilde;o. Abandonou-o a tal ponto de hoje ter se tornado quase apenas uma curiosidade hist&oacute;rica: ele teria sido o &lsquo;inventor&rsquo; do r&aacute;dio no Brasil. O que &eacute; muito pouco reconhecimento para o brasileiro que ele foi, embora o suficiente para nos ensinar a li&ccedil;&atilde;o preciosa: toda transi&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica na comunica&ccedil;&atilde;o traz com ela a esperan&ccedil;a de uma revolu&ccedil;&atilde;o civilizat&oacute;ria; na educa&ccedil;&atilde;o, na informa&ccedil;&atilde;o, na cultura. Mas toda ela, at&eacute; hoje, resultou no infort&uacute;nio da comunica&ccedil;&atilde;o largamente mercantilizada, alienadora, ainda que aqui e acol&aacute; lampejos de suas potencialidades emancipat&oacute;rias n&atilde;o nos deixem esquecer que outros caminhos, fun&ccedil;&otilde;es e usos seriam poss&iacute;veis para ela.<\/p>\n<p>Por isso, Edgard Roquette-Pinto, morto h&aacute; mais de cinq&uuml;enta anos, tem tudo a ver com a id&eacute;ia de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o social; ele &eacute; um importante recorte de nossa mem&oacute;ria hist&oacute;rica que pode n&atilde;o nos deixar esquecer que as tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, cada vez mais sofisticadas e poderosas, s&atilde;o apenas meios, embora tendam, pela for&ccedil;a de seu poder t&eacute;cnico e apropria&ccedil;&atilde;o pelo mercado, e pelo fasc&iacute;nio das suas abundantes possibilidades, a se tornarem fins em si mesmas. <\/p>\n<p>Ontem o cinema e o r&aacute;dio. E, depois, a televis&atilde;o. E mais, adiante, o computador. E, mais adiante do computador, a internet. Antes de ontem, o telefone. Hoje a converg&ecirc;ncia do telefone com o cinema, o r&aacute;dio e a televis&atilde;o, tendo como vetor a tecnologia digital origin&aacute;ria do computador, agregada na internet. <\/p>\n<p>O que n&atilde;o faria Edgard Roquette-Pinto diante das potencialidades civilizat&oacute;rias da converg&ecirc;ncia? O que n&atilde;o diria Roquette-Pinto diante dos quase R$ 5 bilh&otilde;es de reais que o governo entesoura hoje, oriundos do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es? Que novidade seria para ele a id&eacute;ia aparentemente t&atilde;o ousada de levar computadores e acesso &agrave; internet para todas as escolas p&uacute;blicas, se ele viu fracassar t&atilde;o rotundamente seus generosos planos de um projetor de cinema em cada escola, para a proje&ccedil;&atilde;o de filmes educativos e culturais, como viu fracassar seu generoso plano de um r&aacute;dio n&atilde;o comercial, de servi&ccedil;o p&uacute;blico, voltado para a educa&ccedil;&atilde;o e a cultura? Quantos sabemos que o prefixo da R&aacute;dio Sociedade do Rio de Janeiro, PRA-2, era disputado por muito dinheiro nos anos 1930, e que Roquette recusou-se a vend&ecirc;-lo, preferindo doar sua &lsquo;inven&ccedil;&atilde;o&rsquo;, a preciosa R&aacute;dio Sociedade, ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Lembremos o que sobre isto escreveu Ruy Castro, e que me seja perdoada a longa transcri&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p><em>&ldquo;Nadando contra a corrente, Roquette continuava a n&atilde;o admitir propaganda comercial ou pol&iacute;tica em sua emissora &ndash; o que a condenava a um gueto no dial. Mantida, como sempre, apenas pelos &ldquo;s&oacute;cios&rdquo;, a R&aacute;dio Sociedade n&atilde;o tinha dinheiro para modernizar o equipamento e ampliar a pot&ecirc;ncia a fim de enfrentar a concorr&ecirc;ncia. As &oacute;peras completas que transmitia (e que atra&iacute;ram milhares de jovens brasileiros para o canto l&iacute;rico) estavam sendo sufocadas em volume por &ldquo;O Teu Cabelo N&atilde;o Nega&rdquo;. Roquette desejava apenas que houvesse espa&ccedil;o para todo mundo. Mas, agora, o ideal do r&aacute;dio educativo no Brasil estava em perigo. Em 1933, convenceu seu amigo, o educador An&iacute;sio Teixeira, secret&aacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, a fundar uma r&aacute;dio-escola a ser mantida pela prefeitura do Rio, para servir de exemplo a outras no futuro. An&iacute;sio topou, Roquette emprestou-lhe equipamento e funcion&aacute;rios da R&aacute;dio Sociedade e, com isso, a R&aacute;dio Escola Municipal, PRD-5, foi para o ar no ano seguinte. Em troca, An&iacute;sio pediu que ele fosse o seu primeiro diretor. Roquette aceitou. Talvez a nova esta&ccedil;&atilde;o do Largo da Carioca (rebatizada em 1945 como R&aacute;dio Roquette-Pinto) pudesse escapar ao comercialismo que parecia engolir todas as outras, inclusive a sua. <\/p>\n<p>Para evitar a morte ou a desfigura&ccedil;&atilde;o da R&aacute;dio Sociedade, Roquette s&oacute; enxergava uma solu&ccedil;&atilde;o: reverter seus canais a um &oacute;rg&atilde;o oficial &ndash; o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de. Em julho de 1936, quando resolveu se desfazer de sua r&aacute;dio, Roquette-Pinto chamou seus filhos Paulo, de 27 anos, e Beatriz, de 25, &agrave; Rua da Carioca. Informou-lhes que, aos 52 anos, era um homem pobre e que a &uacute;nica heran&ccedil;a que poderia deixar-lhes era a r&aacute;dio, para que a dirigissem como uma r&aacute;dio comercial. S&oacute; o prefixo, j&aacute; ent&atilde;o PRA-2, valia uma fortuna. &ldquo;Mas n&atilde;o quero que ela se transforme numa r&aacute;dio comercial&rdquo;, acrescentou. A seu ver, ningu&eacute;m &ndash; nem ele, nem seus filhos &ndash; poderia salv&aacute;-la desse destino. Somente um &oacute;rg&atilde;o oficial teria meios para isso. &nbsp;<\/p>\n<p>Beatriz entendeu o que seu pai queria dizer. E nem esperou pela opini&atilde;o do irm&atilde;o. Antecipou-se e perguntou: &rdquo;&Eacute; esse o seu ideal, papai?&rdquo; &rdquo;&Eacute;&rdquo;, respondeu Roquette. &rdquo;&Eacute; t&atilde;o raro um homem realizar seu ideal, meu Deus. D&aacute; a r&aacute;dio, papai. Nem se discute&rdquo;. <\/p>\n<p>Roquette ent&atilde;o perguntou por carta a Gustavo Capanema, ministro da Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de, se o minist&eacute;rio se interessaria pela r&aacute;dio com tudo o que havia dentro: instala&ccedil;&otilde;es, equipamento, biblioteca, laborat&oacute;rio de ensaios cient&iacute;ficos, discoteca, instrumentos musicais, partituras, arquivo, m&oacute;veis e utens&iacute;lios, al&eacute;m, &eacute; &oacute;bvio, da esta&ccedil;&atilde;o transmissora em perfeito estado de funcionamento, com seus canais de ondas m&eacute;dias e curtas, e um quadro completo de locutores e t&eacute;cnicos com 13 anos de experi&ecirc;ncia. Tudo isto sem d&iacute;vidas ou &ocirc;nus de esp&eacute;cie alguma para a Uni&atilde;o e at&eacute; com dinheiro em caixa. &Uacute;nica e irrevog&aacute;vel condi&ccedil;&atilde;o: a de que a r&aacute;dio permanecesse fiel ao seu lema cultural e educativo, sem qualquer vincula&ccedil;&atilde;o comercial, pol&iacute;tica ou religiosa. Capanema respondeu que o presidente Get&uacute;lio Vargas aceitava e agradecia, mas sugeria que a revers&atilde;o fosse feita atrav&eacute;s do Departamento de Propaganda e Difus&atilde;o Cultural. Ao ler isso, um alarme tocou na cabe&ccedil;a de Roquette. Ele pareceu adivinhar que, em menos de um ano, o tal departamento se tornaria o infame Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do Estado Novo. Ora, ningu&eacute;m o estava obrigando a desfazer-se de sua r&aacute;dio. Sem hesitar, mandou outra carta a Capanema enfatizando que a revers&atilde;o seria feita &ldquo;ao Minist&eacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o do povo, n&atilde;o ao governo&rdquo;. E s&oacute; ent&atilde;o Capanema entendeu e encerrou a correspond&ecirc;ncia, garantindo que o minist&eacute;rio a aceitava sem discuss&otilde;es, nos termos em que fora proposta. &nbsp;<\/p>\n<p>Essas cartas foram os anticorpos que, no futuro, garantiriam a integridade da r&aacute;dio contra os v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os que tentariam apossar-se dela. A revers&atilde;o foi sacramentada no dia 7 de setembro de 1936. Na cerim&ocirc;nia oficial, realizada no terceiro andar do pr&eacute;dio da Rua da Carioca, Capanema fez-se acompanhar por seu chefe de gabinete, Carlos Drummond de Andrade. Vinte e cinco anos depois, Drummond recordaria numa cr&ocirc;nica que a cerim&ocirc;nia &ldquo;tinha qualquer coisa de casamento no seio de uma fam&iacute;lia muita unida, que via a filha sair nos bra&ccedil;os do rapaz escolhido livremente; sim, um excelente rapaz, tudo estava &oacute;timo, os dois seriam muito felizes &ndash; mas&#8230; quem sabe?&rdquo; A imagem lhe ocorrera porque Roquette passara os canais a Capanema com a frase:&rdquo;Entrego esta r&aacute;dio com a mesma emo&ccedil;&atilde;o com que se casa uma filha&rdquo;. <\/p>\n<p>Roquette saiu dali com Beatriz para um pequeno corredor nos fundos do andar e chorou de antecipada saudade. Com os olhos tamb&eacute;m molhados, Beatriz voltou para ajudar Drummond a colar os selos do minist&eacute;rio nos m&oacute;veis e objetos da r&aacute;dio. Naquele dia, (&#8230;), a R&aacute;dio Sociedade do Rio de Janeiro deixava de existir, para que nascesse a R&aacute;dio Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Eis a&iacute; porque, inspirado por essa maravilhosa hist&oacute;ria brasileira, justifico 2007 como o meu <em>Ano Roquette-Pinto da Comunica&ccedil;&atilde;o Social. <br \/><\/em><br \/>Afinal, l&aacute;grima de her&oacute;i nunca &eacute; derramada em v&atilde;o. Her&oacute;is d&atilde;o exemplos; her&oacute;is abrem caminhos. <\/p>\n<p>Her&oacute;is s&atilde;o alicerces do futuro; suas hist&oacute;rias de vida s&atilde;o constru&ccedil;&otilde;es de esperan&ccedil;as. <\/p>\n<p>Edgard Roquette-Pinto &eacute; o maior, ainda que talvez o mais desconhecido, her&oacute;i da comunica&ccedil;&atilde;o brasileira. <\/p>\n<p>Que a sua exemplar hist&oacute;ria de vida ilumine aqueles que, neste ano, assumir&atilde;o a responsabilidade pela formula&ccedil;&atilde;o e debate das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.&nbsp;<\/p>\n<p>*Artigo originalmente escrito para Terra Magazine <br \/>(<a href=\"http:\/\/www.terra.com.br\/terramagazine\/colunistas\/muriloramos\">www.terra.com.br\/terramagazine\/colunistas\/muriloramos<\/a>)&nbsp; <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in&iacute;cio deste ano, decidi que 2007 ser&aacute; meu Ano Roquette-Pinto da Comunica&ccedil;&atilde;o Social. 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