{"id":18152,"date":"2007-04-10T17:25:59","date_gmt":"2007-04-10T17:25:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18152"},"modified":"2007-04-10T17:25:59","modified_gmt":"2007-04-10T17:25:59","slug":"por-que-exigir-diploma-do-jornalista-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18152","title":{"rendered":"Por que exigir diploma do jornalista profissional?"},"content":{"rendered":"<p>Que respostas podemos dar &agrave; indaga&ccedil;&atilde;o sobre os motivos de se exigir que o profissional de jornalismo seja formado por uma faculdade? Digamos, desde logo, que a faculdade n&atilde;o vai &#39;fazer&#39; um jornalista. Ela n&atilde;o lhe d&aacute; t&eacute;cnica se n&atilde;o houver aptid&atilde;o, que denominamos de voca&ccedil;&atilde;o. A quest&atilde;o &eacute; mais s&eacute;ria e mais conseq&uuml;ente. A faculdade, al&eacute;m das t&eacute;cnicas de trabalho, permite ao aluno a experi&ecirc;ncia de uma reflex&atilde;o te&oacute;rica e, principalmente, &eacute;tica. N&atilde;o achamos absurdo que um m&eacute;dico deva fazer uma faculdade. &Eacute; que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necess&aacute;rio, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc. <\/p>\n<p>Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a forma&ccedil;&atilde;o do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma interven&ccedil;&atilde;o muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informa&ccedil;&otilde;es e suas opini&otilde;es, diretamente dentro de nosso c&eacute;rebro. Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o jornalismo n&atilde;o &eacute; uma pr&aacute;tica natural. <\/p>\n<p>O jornalismo &eacute; uma pr&aacute;tica cultural, que n&atilde;o reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representa&ccedil;&otilde;es sociais que interferem diretamente na formula&ccedil;&atilde;o de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos h&aacute;bitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais. A fun&ccedil;&atilde;o do jornalismo, assim, &eacute;, socialmente, uma fun&ccedil;&atilde;o extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, at&eacute; mais importante que a da medicina, pois, se n&atilde;o estamos doentes, em geral n&atilde;o temos necessidade de um m&eacute;dico, mas nossa necessidade de jornalismo &eacute; constante, faz parte de nossas a&ccedil;&otilde;es mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, como conhecer valores das bolsas de Nova Yorkou de Chicago, se trabalhamos com finan&ccedil;as ou com a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola; precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no jornalismo a informa&ccedil;&atilde;o a respeito do comportamento do tempo, nas pr&oacute;ximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programa&ccedil;&atilde;o festiva. <\/p>\n<p>Buscamos o jornalismo para consultar sobre uma sess&atilde;o de cinema, sobre farm&aacute;cias abertas em um feriad&atilde;o, mas tamb&eacute;m para conhecermos a opini&atilde;o de determinadas lideran&ccedil;as p&uacute;blicas a respeito dedeterminado tema, etc. Tudo isso envolve a tecnologia e a t&eacute;cnica, o n&iacute;vel das aptid&otilde;es, capacidades e dom&iacute;nio de rotinas de produ&ccedil;&atilde;o de um resultado final, que &eacute; a not&iacute;cia. Mas h&aacute; coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla vis&atilde;o de mundo, um conjunto imenso de informa&ccedil;&otilde;es, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo. Quando discuto com meus alunos a respeito da responsabilidade que eu, como profissional e professor tenho, na sua forma&ccedil;&atilde;o, resumo tudo dizendo: n&atilde;o quero depender de um aluno, transformado em jornalista profissional, que eventualmente eu n&atilde;o tenha preparado corretamente para a sua fun&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto &agrave;s conseq&uuml;&ecirc;ncias de suas a&ccedil;&otilde;es.Mais que isso, d&aacute; ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionaliza&ccedil;&atilde;o, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver n&atilde;o apenas um esp&iacute;rito de corpo, traduzido na associa&ccedil;&atilde;o, genericamente falando, e na sindicaliza&ccedil;&atilde;o, mais especificamente, mas um sentimento de co-participa&ccedil;&atilde;o social, tarefa pol&iacute;tica (n&atilde;o partid&aacute;ria) das mais significativas. <\/p>\n<p>Fa&ccedil;a-se uma pergunta aos ju&iacute;zes do STF a quem compete agora julgar a quest&atilde;o, mais uma vez, quest&atilde;o que n&atilde;o deveria nem mais estar em discuss&atilde;o: eles gostariam, de ser mal informados? Eles gostariam de n&atilde;o ter acesso a um conjunto de informa&ccedil;&otilde;es que, muitas vezes, s&atilde;o por eles buscadas at&eacute; mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes &eacute; apresentada atrav&eacute;s dos autos de um processo? E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela? Porquea responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o jornalismo contempor&acirc;neo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que &eacute; vendido, comercializado e industrializado, a not&iacute;cia est&aacute; muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informa&ccedil;&atilde;o, que &eacute; o jornalista, do que da pr&oacute;pria empresa jornal&iacute;stica que tem, nela, a necessidade do lucro. Assim sendo, &eacute; da consci&ecirc;ncia aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informa&ccedil;&atilde;o. E tal posicionamento s&oacute; se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de id&eacute;ias, no debate s&eacute;rio e conseq&uuml;ente que se desenvolve na faculdade. <\/p>\n<p>Eis, em r&aacute;pidos tra&ccedil;os, alguns dos motivos pelos quais &eacute; fundamental que se continue a exigir a forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica para o jornalista profissional. A academia n&atilde;o vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a exist&ecirc;ncia de maus profissionais que transformam a informa&ccedil;&atilde;o, traduzida na not&iacute;cia, em simples mercadoria. <\/p>\n<p>* Antonio Hohlfeldt&nbsp;&nbsp; &#8211; Jornalista profissional, integrante da Comiss&atilde;o de &Eacute;tica do Sindicato dos Jornalistas Profissionaisdo Rio Grande do Sul. Professor da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e da Gradua&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da PUCRS. Ex-coordenador do PPG em Comunica&ccedil;&atilde;o Social daquela Faculdade. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que respostas podemos dar &agrave; indaga&ccedil;&atilde;o sobre os motivos de se exigir que o profissional de jornalismo seja formado por uma faculdade? Digamos, desde logo, que a faculdade n&atilde;o vai &#39;fazer&#39; um jornalista. Ela n&atilde;o lhe d&aacute; t&eacute;cnica se n&atilde;o houver aptid&atilde;o, que denominamos de voca&ccedil;&atilde;o. A quest&atilde;o &eacute; mais s&eacute;ria e mais conseq&uuml;ente. 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