{"id":18149,"date":"2007-04-10T16:26:00","date_gmt":"2007-04-10T16:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18149"},"modified":"2007-04-10T16:26:00","modified_gmt":"2007-04-10T16:26:00","slug":"debate-sobre-regulacao-e-inadiavel-avalia-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18149","title":{"rendered":"Debate sobre regula\u00e7\u00e3o \u00e9 inadi\u00e1vel, avalia pesquisador"},"content":{"rendered":"<p>Bras&iacute;lia &#8211; O pesquisador do N&uacute;cleo de Estudos de M&iacute;dia e Pol&iacute;tica da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) Ven&iacute;cio Lima avalia que, devido ao atual contexto de transi&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, o pa&iacute;s precisa ter uma s&oacute; lei que regule as atividades de telecomunica&ccedil;&otilde;es e radiodifus&atilde;o. Ele tamb&eacute;m avalia que o debate &eacute; inadi&aacute;vel, diante do atual cen&aacute;rio. &ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio que haja uma lei que regule o setor inteiro, contemplando a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, a TV digital, as diferentes possibilidades de TV paga, as TVs abertas&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Ven&iacute;cio lembra que, ainda no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998, j&aacute; se falava em criar uma lei geral da comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica. &ldquo;Chegaram a fazer uma consulta p&uacute;blica pela Internet. Mas nunca se enviou nada para o Congresso&rdquo;, conta o pesquisador. <\/p>\n<p>Ele acredita que a atual preocupa&ccedil;&atilde;o do governo federal com o tema, expressa, por exemplo, com o an&uacute;ncio do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, de que enviar&aacute; ao Congresso um projeto de lei sobre o tema, reflete o fato de que o debate est&aacute; cada vez mais acalorado por uma quest&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o do mercado.<\/p>\n<p>&ldquo;Em termos de legisla&ccedil;&atilde;o &uacute;nica para o setor nada caminhava antes porque n&atilde;o havia interesse dos radiodifusores de alterar o status quo da legisla&ccedil;&atilde;o que os beneficiava&rdquo;, diz ele. &ldquo;Nos &uacute;ltimos meses, a situa&ccedil;&atilde;o mudou completamente, porque a entrada da TV digital e a press&atilde;o das teles em distribuir conte&uacute;do tornou absolutamente inadi&aacute;vel a regula&ccedil;&atilde;o completa do setor.&rdquo; <\/p>\n<p>Ven&iacute;cio lembra um fato recente no campo normativo que &ldquo;balan&ccedil;ou o mercado&rdquo;, na opini&atilde;o dele, e ter&aacute; conseq&uuml;&ecirc;ncias futuras: a autoriza&ccedil;&atilde;o concedida pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) &agrave; Telef&oacute;nica, empresa de origem espanhola que opera no ramo da telefonia fixa e m&oacute;vel, para que explore no pa&iacute;s o servi&ccedil;o de televis&atilde;o por sat&eacute;lite (DTH). <\/p>\n<p>&ldquo;Era um setor monopolizado pela Sky, que &eacute; uma empresa global, da News Corporation, um dos maiores grupos de m&iacute;dia do mundo e associado &agrave;s Organiza&ccedil;&otilde;es Globo&rdquo;, conta o pesquisador. Para Ven&iacute;cio, o que est&aacute; em disputa &eacute; o mercado. &ldquo;As teles est&atilde;o querendo entrar, e os grupos de radiodifus&atilde;o, querendo preservar (o mercado para si)&rdquo;, avalia.<\/p>\n<p><strong>Entenda como funciona a atual legisla&ccedil;&atilde;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Uma disputa de mercado cada vez mais acirrada se aproxima com a expans&atilde;o da internet e a implanta&ccedil;&atilde;o da TV digital no Brasil, anunciada para o final do ano. Empresas de telefonia querem permiss&atilde;o para transmitir sons e imagens, o que, na pr&aacute;tica, significa exibir conte&uacute;do televisivo. De outro lado, empresas de radiodifus&atilde;o, a&iacute; inclu&iacute;das r&aacute;dios e TVs, querem exclusividade na transmiss&atilde;o de conte&uacute;do sonoro e de sons e imagens. <\/p>\n<p>A atual realidade de converg&ecirc;ncia jamais foi imaginada na d&eacute;cada de 60, quando se criou grande parte da legisla&ccedil;&atilde;o do setor. O pesquisador do N&uacute;cleo de Estudos de M&iacute;dia e Pol&iacute;tica da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) Ven&iacute;cio Lima lembra: &ldquo;Antes, voc&ecirc; precisava de telefone para transmitir voz, de r&aacute;dio para transmitir som e voz, de televis&atilde;o para transmitir som, voz e imagem, de telex para transmitir dados f&iacute;sicos&rdquo;. &ldquo;Hoje, com a tal converg&ecirc;ncia de m&iacute;dia, com a revolu&ccedil;&atilde;o digital e a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, tem a possibilidade de numa mesma plataforma tecnol&oacute;gica operar tipos diferentes de m&iacute;dia, que antes demandavam tecnologias diferentes.&rdquo;<\/p>\n<p>Para garantir o dom&iacute;nio comercial nesse espa&ccedil;o que, desde a d&eacute;cada de 60, vem sendo exclusivo das empresas de r&aacute;dio e TV, os radiodifusores alegam que est&atilde;o respaldados pela Constitui&ccedil;&atilde;o e pelo C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (lei de 1962), mas o v&aacute;cuo jur&iacute;dico j&aacute; afeta os neg&oacute;cios das empresas, sejam de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do ou de transmiss&atilde;o de dados ou informa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Hoje, n&atilde;o h&aacute; regula&ccedil;&atilde;o sobre o que &eacute; transmitido pela Internet, por exemplo, considerada a maior express&atilde;o da converg&ecirc;ncia. A mistura de sons, imagens (de v&iacute;deo ou fotogr&aacute;ficas), texto, combinada com a possibilidade de intera&ccedil;&atilde;o com o conte&uacute;do,ou mesmo da utiliza&ccedil;&atilde;o do canal para servi&ccedil;os de telefonia (o sistema Voip, ou voz sobre IP) j&aacute; est&aacute; tirando clientes das empresas tradicionais de TV ou telefonia.<\/p>\n<p>Telecomunica&ccedil;&otilde;es e radiodifus&atilde;o j&aacute; foram regidos pela mesma lei no Brasil, o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es. Hoje, h&aacute; legisla&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas. As empresas de telefonia fixa, pela lei que estabeleceu as privatiza&ccedil;&otilde;es, passaram a ser disciplinadas pela Lei Geral das Telecomunica&ccedil;&otilde;es, de 1997. Essa lei revogou o CBT, exceto naquilo que o c&oacute;digo prev&ecirc; para as empresas de radiodifus&atilde;o, que s&atilde;o as emissoras de r&aacute;dio e de TV aberta. <\/p>\n<p>J&aacute; as empresas de TV a cabo obedecem aos preceitos da legisla&ccedil;&atilde;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es, conforme estabelecido em lei de 1995, que trata da concess&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria das TVs a cabo. E outra lei rege as emissoras de TV paga, transmitidas por sat&eacute;lite, as chamadas DTHs (Servi&ccedil;o de Distribui&ccedil;&atilde;o de Sinais de TV e &Aacute;udio por Assinatura Via Sat&eacute;lite) e as transmitidas por microondas, as chamadas MMDS (Servi&ccedil;o de Distribui&ccedil;&atilde;o de Sinais Multiponto Multicanal).<\/p>\n<p>Ven&iacute;cio Lima destaca uma das contradi&ccedil;&otilde;es geradas por essa confus&atilde;o. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; composi&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria das empresas: as empresas de radiodifus&atilde;o s&oacute; podem ter at&eacute; 30% de capital estrangeiro. No caso da TV paga, se for a cabo, o percentual &eacute; de 49%. J&aacute; no caso das TVs pagas por sat&eacute;lite (DTH) e por microondas (MMDS), n&atilde;o h&aacute; limite. Essas empresas podem operar no Brasil, mesmo que seu controle seja totalmente de um grupo estrangeiro. &Eacute; que se aplica a essas &uacute;ltimas a legisla&ccedil;&atilde;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es, por serem consideradas &ldquo;servi&ccedil;os especiais de telecomunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;. <\/p>\n<p>&ldquo;Na pr&aacute;tica, significa que qualquer telespectador que assista ao Bom Dia Brasil na TV Globo, por exemplo, e depois assista &agrave; reprise do mesmo programa na Globo News, um canal transmitido em Bras&iacute;lia pela Net, estar&aacute; no primeiro caso vendo radiodifus&atilde;o e no segundo, telecomunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;, ironiza o pesquisador da UnB. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido.png\" alt=\"Active Image\" width=\"23\" height=\"22\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pesquisador do N\u00facleo de Estudos de M\u00eddia e Pol\u00edtica da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Ven\u00edcio Lima avalia que, devido ao atual contexto de transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, o pa\u00eds precisa ter uma s\u00f3 lei que regule as atividades de telecomunica\u00e7\u00f5es e radiodifus\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[60],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18149"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18149\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}