{"id":18139,"date":"2007-04-09T12:11:03","date_gmt":"2007-04-09T12:11:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18139"},"modified":"2007-04-09T12:11:03","modified_gmt":"2007-04-09T12:11:03","slug":"forum-de-tvs-publicas-x-ministro-radiodifusor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18139","title":{"rendered":"F\u00f3rum de TVs P\u00fablicas X Ministro-Radiodifusor"},"content":{"rendered":"<p><span>As vit&oacute;rias dos radiodifusores privados nas disputas sobre a cria&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav) e a implanta&ccedil;&atilde;o da TV digital aberta fizeram com que o Minist&eacute;rio da Cultura adotasse uma estrat&eacute;gia mais pragm&aacute;tica de tentar incidir, apenas, sobre a regula&ccedil;&atilde;o das televis&otilde;es &quot;n&atilde;o-comerciais&quot;.<\/p>\n<p><\/span><span>Foi com essa proposta em mente que o Minist&eacute;rio da Cultura, em parceria com a Radiobr&aacute;s e a Casa Civil, decidiu organizar o F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas. Deste f&oacute;rum fazem parte TVs estatais (Radiobr&aacute;s, TV C&acirc;mara, TV Senado, TV Justi&ccedil;a, as TVs das assembl&eacute;ias legislativas e das c&acirc;maras de vereadores), TVs educativas, canais universit&aacute;rios e canais comunit&aacute;rios, al&eacute;m de algumas entidades da sociedade civil que atuam com o tema da comunica&ccedil;&atilde;o. <br \/><\/span><span><br \/>Essa gama de atores &eacute;, por si s&oacute;, um problema para o F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas. <br \/><\/span><span><br \/>Algumas emissoras (em especial as legislativas) s&atilde;o assumidamente estatais e assim desejam continuar. Outras estatais oscilam para se tornar cada vez mais governamentais, como &eacute; o caso da TV Cultura sob a gest&atilde;o tucana. Enquanto a Radiobr&aacute;s j&aacute; manifestou o desejo de se transformar em uma esp&eacute;cie de BBC brasileira, tornando-se independente do governo de plant&atilde;o. <br \/><\/span><span><br \/>Entre as TVs Educativas encontramos emissoras estatais (muitas marcadas pela interfer&ecirc;ncia direta dos governantes), outras privadas e v&aacute;rias em m&atilde;os de pol&iacute;ticos. Isso porque a outorga de emissoras educativas n&atilde;o passa pelo Congresso Nacional e os seguidos ministros da Comunica&ccedil;&atilde;o as tem usado como moeda de troca pol&iacute;tica. <br \/><\/span><span><br \/>Nas TVs universit&aacute;rias est&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de ensino superior, confessionais e privadas. Estas &uacute;ltimas, em sua maioria, t&ecirc;m a perspectiva apenas de fazer o marketing de seus cursos. <br \/><\/span><span><br \/>Os canais comunit&aacute;rios s&atilde;o, em tese, os que melhor expressam o conceito de p&uacute;blico n&atilde;o-estatal. Isso porque s&atilde;o totalmente independentes do Estado (e, principalmente, dos governos) e possuem gest&atilde;o eleita. Na pr&aacute;tica, contudo, a maioria sofre com a falta de recursos e com enormes conflitos internos que p&otilde;em &agrave; prova a pr&aacute;tica da gest&atilde;o democr&aacute;tica. <br \/><\/span><span><br \/>Por fim, a necess&aacute;ria abertura do F&oacute;rum para a participa&ccedil;&atilde;o de entidades da sociedade civil imp&otilde;e o debate sobre quais entidades devem ser convidadas a participar. O que, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, tem rela&ccedil;&atilde;o direta com a pr&oacute;pria natureza do F&oacute;rum: quem convida, quem define a pauta, quem toma decis&otilde;es? Ou seja, teremos um f&oacute;rum realmente p&uacute;blico ou, de fato, estatal? <br \/><\/span><span><br \/>Todos estes conflitos devem soar n&atilde;o como um problema insol&uacute;vel, mas como o grande desafio que enfrentaremos na primeira vez em nossa hist&oacute;ria em que se reunir&atilde;o todas as TVs n&atilde;o-comerciais existentes no Brasil. <br \/><\/span><span><br \/>Tamb&eacute;m teremos que tentar responder quest&otilde;es como o uso (ou n&atilde;o) de publicidade, outras fontes de recursos, como garantir a independ&ecirc;ncia frente aos governos, acesso ao espectro e gest&atilde;o democr&aacute;tica, entre outros temas. <br \/><\/span><span><br \/>Cabe lembrar que nossa Constitui&ccedil;&atilde;o, no artigo 223, define a complementaridade entre os sistemas privado, estatal e p&uacute;blico. Contudo, n&atilde;o existe regula&ccedil;&atilde;o que defina direitos e deveres de emissoras estatais e p&uacute;blicas, nem que garanta que estas emissoras possam ocupar um espa&ccedil;o proporcional no espectro eletromagn&eacute;tico e n&atilde;o fiquem relegadas a pequenos feudos, diante da hegemonia dos meios comerciais. <br \/><\/span><span><br \/>Todas estas quest&otilde;es ganham ainda maior import&acirc;ncia com a implanta&ccedil;&atilde;o da TV digital aberta. Agora, um &uacute;nico canal de televis&atilde;o pode comportar diversas programa&ccedil;&otilde;es simult&acirc;neas e o conte&uacute;do admite diversos graus de interatividade. Como garantir que n&atilde;o haja maior concentra&ccedil;&atilde;o do espectro nas m&atilde;os das atuais emissoras comerciais e que a interatividade n&atilde;o seja usada apenas para vendas on-line? <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><strong>O ministro-radiodifusor<br \/><\/strong><\/span><span>Preocupado com essa reuni&atilde;o in&eacute;dita dos canais n&atilde;o-comerciais, o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, optou por apresentar uma outra proposta, diferente daquela do F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas. Cabe lembrar que Costa foi empregado das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo durante anos, &eacute; dono de uma r&aacute;dio comercial em Barbacena e que seu suplente no Senado (que financiou parte consider&aacute;vel de sua campanha eleitoral) &eacute; o dono da retransmissora da Bandeirantes em Goi&acirc;nia e do SBT em parte de Minas Gerais. <br \/><\/span><span><br \/>Sob o falso nome de TV p&uacute;blica, H&eacute;lio Costa prop&otilde;e que o governo aporte R$ 250 milh&otilde;es na cria&ccedil;&atilde;o de uma rede de televis&atilde;o estatal. Com isso, Costa entra em choque, inclusive, com a iniciativa da Radiobr&aacute;s de se tornar uma emissora p&uacute;blica e n&atilde;o estatal. <br \/><\/span><span><br \/>Com isso, busca gerar confus&atilde;o e atritos internos &agrave;s v&eacute;speras da realiza&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas. E responde aos interesses dos radiodifusores privados, que n&atilde;o gostariam de ver nascer meios de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicos n&atilde;o-estatais que disputem audi&ecirc;ncia e, principalmente, tragam uma nova concep&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual, para al&eacute;m da l&oacute;gica de mercado. <\/span><span><br \/><strong><br \/>E agora?<br \/><\/strong><\/span><span>Com a confus&atilde;o criada pelo ministro-radiodifusor, o F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas foi adiado para uma data n&atilde;o definida em maio. <\/span><span><br \/>Ao mesmo tempo, o presidente Lula nomeou o jornalista Franklin Martins para assumir a gest&atilde;o das verbas publicit&aacute;rias estatais e, tamb&eacute;m, da Radiobr&aacute;s e da Funda&ccedil;&atilde;o Roquete Pinto. At&eacute; o momento, n&atilde;o se sabe o que Martins pensa sobre a confus&atilde;o artificialmente criada entre emissoras estatais e p&uacute;blicas e nem como pretende se comportar em rela&ccedil;&atilde;o ao F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas. <\/span><span><\/p>\n<p>Tampouco se sabe qual a posi&ccedil;&atilde;o do presidente Lula a respeito. Ser&aacute; que depois de quase 52 meses de governo, Lula ter&aacute; a coragem de, pela primeira vez, enfrentar os interesses do oligop&oacute;lio privado que controla dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa no Brasil? Ou, mais uma vez, ir&aacute; ceder &agrave;s suas press&otilde;es? <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>&gt; Gustavo Gindre &eacute; jornalista, membro eleito do Comit&ecirc; Gestor da Internet do Brasil e membro do Coletivo Intervozes.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 20px\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido.png\" alt=\"Active Image\" width=\"20\" height=\"19\" \/><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As vit&oacute;rias dos radiodifusores privados nas disputas sobre a cria&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav) e a implanta&ccedil;&atilde;o da TV digital aberta fizeram com que o Minist&eacute;rio da Cultura adotasse uma estrat&eacute;gia mais pragm&aacute;tica de tentar incidir, apenas, sobre a regula&ccedil;&atilde;o das televis&otilde;es &quot;n&atilde;o-comerciais&quot;. 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