{"id":18126,"date":"2007-04-03T16:45:46","date_gmt":"2007-04-03T16:45:46","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18126"},"modified":"2007-04-03T16:45:46","modified_gmt":"2007-04-03T16:45:46","slug":"software-e-liberdade-do-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18126","title":{"rendered":"Software e liberdade do conhecimento"},"content":{"rendered":"<p><span><em>Professor da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da Faculdade C&aacute;sper L&iacute;bero (SP) e integrante da Rede Livre de Compartilhamento da Cultura Digital, S&eacute;rgio Amadeu &eacute; uma das principais refer&ecirc;ncias nacionais quando o assunto &eacute; Software Livre. Nesta entrevista exclusiva para o Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, Amadeu conta um pouco de sua experi&ecirc;ncia &agrave; frente do ITI &#8211; Instituto Nacional de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o (nos dois primeiros anos do governo Lula) e das possibilidades de compartilhamento do conhecimento mais concretas dos dias atuais.<\/em><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o &#8211; <\/strong><\/span><span><strong>A comunica&ccedil;&atilde;o de massa hoje inclui a internet?<br \/><\/strong><\/span><span><strong>Sergio Amadeu<\/strong> &#8211;<\/span><span> Sim. Por mais que hoje a Internet esteja acess&iacute;vel para uma minoria da popula&ccedil;&atilde;o brasileira (14% t&ecirc;m computador conectado &agrave; internet em casa e cerca de 25% a 30% t&ecirc;m acesso dos mais variados locais), a internet &eacute; extremamente expressiva nos segmentos m&eacute;dios e em v&aacute;rias comunidades em que existem projetos de inclus&atilde;o digital. Qualquer ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o que atinja mais de 18 milh&otilde;es de pessoas deve ser considerado como uma m&iacute;dia de massa. E o fato &eacute; que est&aacute; crescendo o acesso &agrave; internet no Brasil. E no cen&aacute;rio de converg&ecirc;ncia, cada vez mais a comunica&ccedil;&atilde;o mediada por computador vai ser levada para outros espa&ccedil;os. Quando falamos de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o hoje, &eacute; preciso adentrar nesta nova fronteira, que &eacute; a fronteira da comunica&ccedil;&atilde;o digital. A pessoas acham que a comunica&ccedil;&atilde;o digital &eacute; necessariamente democr&aacute;tica, mas n&atilde;o &eacute; isso. Ela pode engendrar processos de controle autorit&aacute;rios e processos concentradores de poder econ&ocirc;mico, cultural e pol&iacute;tico. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>ODC<\/strong><\/span><strong><span> &#8211; No Brasil existe ou j&aacute; existiu alguma pol&iacute;tica que dialogasse com este cen&aacute;rio? Seu trabalho no ITI &nbsp;&#8211; Instituto Nacional de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o caminhava nesse sentido?<br \/><\/span><span>SA<\/span><\/strong><span>&nbsp;&#8211; O governo Lula, quando se instalou, tinha uma s&eacute;rie de projetos. Um deles era o de tecnologias abertas, principalmente tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea de software. Criamos um comit&ecirc; t&eacute;cnico de implementa&ccedil;&atilde;o de software livre do governo federal. Como eu tinha feito um acordo com a Casa Civil que eu iria topar esta empreitada se fosse com a inten&ccedil;&atilde;o clara de promover o uso do software livre, passei a ser a pessoa mais preocupada com isso dentro do governo e, de certa maneira, conseguimos organizar o comit&ecirc; com ades&atilde;o volunt&aacute;ria de 98 &oacute;rg&atilde;os do governo federal. Isso acabou sendo visto como uma pol&iacute;tica coerente da gest&atilde;o Lula, tanto que o Brasil levou &aacute; C&uacute;pula da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o &#8211; tanto em Genebra quanto na &Aacute;frica &#8211; a bandeira do software livre como um importante instrumento compartilhamento do conhecimento da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o. Isso tamb&eacute;m aconteceu na Confer&ecirc;ncia dos Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa. Estes avan&ccedil;os imediatamente geraram resist&ecirc;ncia do lobby do software propriet&aacute;rio, principalmente o da Microsoft. Este lobby atou fortemente no governo, fez acordos e come&ccedil;ou a arrefecer a nossa for&ccedil;a, mas mesmo assim conseguimos ter v&aacute;rios projetos. O MEC chegou a liberar computadores em SL. Pela primeira vez, os sites deixaram de obrigar as pessoas a usar software propriet&aacute;rio para acessar o governo. O pr&oacute;prio imposto de renda passou a ter vers&otilde;es para outros softwares propriet&aacute;rios e tamb&eacute;m para Linux. Ent&atilde;o, come&ccedil;amos a caminhar&#8230;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>ODC<\/strong><\/span><strong><span> &#8211; Mas voc&ecirc; saiu do governo&#8230;<br \/><\/span><span>SA<\/span><\/strong><span> &#8211; Eu queria que a pol&iacute;tica p&uacute;blica fosse normatizada. Foi a&iacute; que a coisa parou, porque o lobby queria impedir a normatiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica e usou para isso, principalmente, setores conservadores dentro do governo e do pr&oacute;prio PT. Isso seria inconceb&iacute;vel num passado n&atilde;o muito remoto&#8230;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><br \/><strong>ODC<\/strong><\/span><strong><span> &#8211; O projeto acabou?<br \/><\/span><span>SA<\/span><\/strong><span> &#8211; N&atilde;o, continua, mas o comit&ecirc; perdeu muita for&ccedil;a. Eu sa&iacute; do governo em 2005, quando Jos&eacute; Dirceu me disse que n&atilde;o iria conseguir viabilizar o decreto. Na &aacute;rea p&uacute;blica, o que n&atilde;o est&aacute; normatizado n&atilde;o existe. Inten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o serve. Tivemos apoio da maioria das pessoas, mas uma minoria conservadora atuou e inviabilizou o projeto. <\/p>\n<p><\/span><strong><span>ODC<\/span><span> &#8211; O projeto estava no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio da Cultura?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>SA<\/strong><\/span><span> &#8211; Sim. Diversos projetos do Minc de inclus&atilde;o digital ainda usam SL. O banco do Brasil usa. A Caixa Econ&ocirc;mica federal usa at&eacute; hoje em alguns setores. A Embrapa e a Petrobr&aacute;s tamb&eacute;m. Esta &uacute;ltima n&atilde;o s&oacute; adotou, como come&ccedil;ou a fazer projetos. O pr&oacute;prio Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, projetos como as Casas Brasil, os Pontos de Cultura e as pr&oacute;prias For&ccedil;as Armadas fizeram uma grande migra&ccedil;&atilde;o. Era preciso continuar com uma pol&iacute;tica planejada. E foi no momento de normatizar que eles bloquearam. Isso n&atilde;o desmerece a gest&atilde;o Lula. De todas as gest&otilde;es no governo federal, ela foi a &uacute;nica que colocou o SL em evid&ecirc;ncia. Agora, qualquer gestor p&uacute;blico que for fazer um projeto s&eacute;rio de TI vai usar a tecnologia aberta.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><strong><span>ODC<\/span><span> &#8211; Qual a rela&ccedil;&atilde;o disso tudo com o Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>SA<\/strong> <\/span><span>&#8211; Num plano geral, n&atilde;o consigo ver a comunica&ccedil;&atilde;o fora da base cultural. Na pr&aacute;tica, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel trabalhar o conceito de comunica&ccedil;&atilde;o, esquecendo que hoje existe um processo de altera&ccedil;&atilde;o profunda da comunica&ccedil;&atilde;o de massa por conta das novas tecnologias e do processo de converg&ecirc;ncia digital. Hoje, toda produ&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica da humanidade est&aacute; sendo digitalizada. E pode ser transferida por redes ou veiculada em plataformas diferentes. Tudo isso muda muito o debate da democratiza&ccedil;&atilde;o, porque antes era preciso discutir a necessidade de existirem canais que expressassem a diversidade cultural da sociedade. Esse debate agora precisa ser feito a partir do conhecimento de intermedi&aacute;rios que controlam a comunica&ccedil;&atilde;o em rede. Se n&atilde;o discutirmos arquitetura de rede hoje, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel discutir democracia na internet. Existem formas de constru&ccedil;&atilde;o de rede (protocolos, padr&otilde;es) que embutem decis&otilde;es humanas que podem restringir os fluxos de informa&ccedil;&atilde;o ou liber&aacute;-los. Antes, n&atilde;o era preciso discutir a t&eacute;cnica que a Rede Globo utiliza. Quer&iacute;amos um canal para nos expressarmos, quer&iacute;amos elementos que permitissem seu controle p&uacute;blico. A discuss&atilde;o era restrita ao conte&uacute;do. Agora, se voc&ecirc; quer discutir democracia nas comunica&ccedil;&otilde;es, &eacute; preciso entender que uma das principais m&iacute;dias &eacute; a rede e a outra &eacute; o software, em fun&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos e dos fluxos de informa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso mostrar para o conjunto das entidades, pensadores e militantes que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; estrat&eacute;gica para quem quer uma sociedade democr&aacute;tica e livre e, dentro deste processo de convencimento, temos que dizer que a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; s&oacute; o debate do conte&uacute;do, mas tamb&eacute;m sobre como s&atilde;o desenhadas as tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o e como o controle deste conhecimento &eacute; fundamental para o processo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><strong><span>ODC<\/span><span> &#8211; &Eacute; uma mudan&ccedil;a de paradigma&#8230;<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>SA<\/strong><\/span><span> &#8211; Com certeza. O processo da converg&ecirc;ncia acirra as contradi&ccedil;&otilde;es dentro do capital. Hoje, temos um embate entre grandes operadores de telecomunica&ccedil;&otilde;es e os radiodifusores, ou grandes empresas de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do e entretenimento. Ambos est&atilde;o perdendo dinheiro com seus velhos modelos de neg&oacute;cio. As operadoras de telecom perdem com voz sobre IP, e as empresas de entretenimento est&atilde;o perdendo com o peer to peer, as pr&aacute;ticas de colabora&ccedil;&atilde;o e de compartilhamento na rede. Estes setores hoje j&aacute; se aliam na luta pelo controle das redes de converg&ecirc;ncia digital. Nos Estados Unidos, as operadoras de telefonia est&atilde;o querendo reverter um princ&iacute;pio sobre o qual a internet foi concebida. A internet &eacute; uma rede l&oacute;gica por onde trafegam bits, bens imateriais, por uma rede f&iacute;sica de telefonia, sat&eacute;lite, etc. As operadoras achavam que bastava ampliar o fluxo de dados, que ampliando o uso da rede fixa, eles ganhariam mais dinheiro. Mas a tecnologia, quando livre, &eacute; reconfigurada. De repente, o interurbano, internacional, intermunicipal deixou de ser feito. Porque para faz&ecirc;-los, passou-se a usar a mesma linha que se usa para a Internet, para a voz sobre IP. Assim como eu quebro uma p&aacute;gina de web ou um e-mail em v&aacute;rios peda&ccedil;os de bits e ele &eacute; remontado no outro computador, a largura de banda crescente, ou seja, a velocidade do fluxo de informa&ccedil;&atilde;o, permite que eu quebre a voz em pacotes e mande para outro destinat&aacute;rio. Os dados s&atilde;o remontados com tanta velocidade, que parece que existe uma linha cont&iacute;nua. Isso tomou muito dinheiro das operadoras. J&aacute; as empresas de entretenimento viram que &eacute; preciso impedir pr&aacute;ticas de compartilhamento de m&uacute;sica e v&iacute;deo, porque dizem que est&atilde;o perdendo muito dinheiro. E, para isso, usam o discurso da pirataria, entre outros. Constatando que estavam perdendo dinheiro com esta l&oacute;gica, estes dois setores se uniram e pensaram em tratar de forma diferente ou inviabilizar o tr&aacute;fego de todo pacote de dados que passa na rede. &Eacute; o que os americanos chamam de quebra da neutralidade na rede. A internet &eacute; hoje uma grande rede que os mega grupos da sociedade industrial querem controlar. S&oacute; que para fazer isso, &eacute; preciso inverter protocolos, padr&otilde;es, arquitetura das redes. Esta disputa, por exemplo, acontece em solo americano, mas vai afetar a internet mundial. E como interfiro nisso num pa&iacute;s xen&oacute;fobo como os EUA? A rede &eacute; transnacional e exige uma esfera p&uacute;blica mundial, mas hoje as esferas p&uacute;blicas s&atilde;o todas nacionais. &Eacute; preciso construir um espa&ccedil;o de debate global, que possa influenciar estes estados e paralisar as atitudes autorit&aacute;rias que privilegiam o controle ao inv&eacute;s das liberdades. E tudo isso num momento em que nunca foi t&atilde;o f&aacute;cil colaborar e trocar informa&ccedil;&otilde;es e conhecimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><strong><span>ODC<\/span><span> &#8211; A pergunta que mais ouvimos em rela&ccedil;&atilde;o a isso &eacute;: como o artista e o autor v&atilde;o ganhar dinheiro?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>SA<\/strong><\/span><span> &#8211; Da forma que ganharam at&eacute; hoje, que n&atilde;o &eacute; ganhando dinheiro das editoras e gravadoras. E mesmo que haja d&uacute;vidas sobre isso, dever&iacute;amos proteger as obras por 5 ou 10 anos. E n&atilde;o por 95 anos, como &eacute; nos EUA, ap&oacute;s a morte do autor. Esta &eacute; a lei conhecida como Mickey Mouse, porque quando o rato imperialista ia entrar em dom&iacute;nio p&uacute;blico, a Walt Disney lutou por estender os prazos. E isso aconteceu de maneira contradit&oacute;ria com a sua hist&oacute;ria, porque o Walt Disney retrabalhou a obra dos irm&atilde;os Green e isso que deu a ele o imp&eacute;rio da Disney World. Naquela &eacute;poca podia e hoje n&atilde;o pode mais? Por qu&ecirc;?&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>ODC<\/strong><\/span><strong><span> &#8211; Porque quem ganha dinheiro com isso n&atilde;o pode parar de ganhar&#8230;<br \/><\/span><span>SA<\/span><\/strong><span> &#8211; Isso. No livro do Bill Gates &ldquo;A estrada do futuro&rdquo;, ele afirma que a IBM fez um bem para a hist&oacute;ria da computa&ccedil;&atilde;o quando criou o PC de arquitetura aberta. Na verdade, nos anos 80, a IBM tinha perdido o passo da microcomputa&ccedil;&atilde;o, e de repente, existia uma Apple, de qualidade superior e arquitetura patenteada, fechada (os seus componentes n&atilde;o podem ser abertos e remontados, porque isso &eacute; viola&ccedil;&atilde;o de direitos de propriedade da fabricante). A IBM, ent&atilde;o, montou um PC de arquitetura aberta, que podia ser copiado em qualquer lugar do mundo, e assim foi. Isso fez dele (o PC da IBM) a base da computa&ccedil;&atilde;o de mesa (os desktops) que nem &eacute; o melhor, mas tem f&aacute;bricas em todos os lugares do mundo. Justamente porque o PC &eacute; que &eacute; o padr&atilde;o aberto. E olha que engra&ccedil;ado: o Bill Gates elogia a IBM por abrir a arquitetura de tecnologia do PC e, na verdade, ele afirma com isso, que foi esta abertura que gerou a possibilidade do software propriet&aacute;rio de sistema operacional. Eles fizeram um acordo com a IBM, que s&oacute; poderia fabricar computador se este viesse com o DOS. Assim, eles foram montando escrit&oacute;rios de advocacia em todos os pa&iacute;ses do mundo e exigindo a luta contra a pirataria. Hoje, &eacute; imposs&iacute;vel se reproduzir tamanho monop&oacute;lio como o de sistema operacional. A Microsoft vive do aprisionamento de tudo. &Eacute; uma t&eacute;cnica de amarra&ccedil;&atilde;o para manter os fluxos de riqueza que eles det&eacute;m hoje.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><strong><span>ODC<\/span><span> &#8211; E como o software livre nos liberta desta l&oacute;gica?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>SA<\/strong><\/span><span> &#8211; Ele tem duas caracter&iacute;sticas essenciais: o c&oacute;digo fonte aberto e a licen&ccedil;a em geral, que permite o uso livre e recria&ccedil;&atilde;o livre sobre ele. Ou seja, o usu&aacute;rio nunca fica na m&atilde;o da empresa ou de um desenvolvedor que o tenha criado. Nesta &aacute;rea, a da comunica&ccedil;&atilde;o mediada por computador, cada vez mais o pre&ccedil;o da liberdade e da autonomia &eacute; o conhecimento. Se voc&ecirc; n&atilde;o conhece, voc&ecirc; perde autonomia e fica dependente. Quem quiser informatizar sua empresa, organiza&ccedil;&atilde;o, sua rede, precisa saber que existe um modelo propriet&aacute;rio que vai deix&aacute;-lo amarrado at&eacute; o fim naquela empresa que desenvolveu aquele sistema. J&aacute; no modelo livre, ele vai poder usar, melhorar, modificar e at&eacute; adaptar para suas necessidades. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><strong><span>ODC<\/span><span> &#8211; &Eacute; uma op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e n&atilde;o t&eacute;cnica&#8230; <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>SA<\/strong><\/span><span> &#8211; Sim. Assim como hoje, a op&ccedil;&atilde;o que fazemos pela divis&atilde;o do espectro de televis&atilde;o para explora&ccedil;&atilde;o de meia d&uacute;zia de concession&aacute;rios &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, porque com regulamenta&ccedil;&atilde;o adequada, poder&iacute;amos ter muito mais conte&uacute;dos trafegando. O espectro, ao contr&aacute;rio do que se imagina, n&atilde;o &eacute; fechado. Hoje, com os softwares inteligentes, poder&iacute;amos baratear o custo da produ&ccedil;&atilde;o e veicula&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o. Pode at&eacute; haver um operador de rede, mas em alguns lugares bastaria regulamentar a pot&ecirc;ncia em que se pode transmitir. H&aacute; mil possibilidades de transform&aacute;-lo em um espa&ccedil;o em comum. Gosto muito da imagem de Kevin Werbach, que diz que o uso que fazemos do espectro &eacute; o mesmo que afirmar que, na via p&uacute;blica, s&oacute; pode passar uma empresa de &ocirc;nibus e ningu&eacute;m mais. N&atilde;o foi esta a op&ccedil;&atilde;o. Criou-se regras para que quem passe com o carro as respeite. Todos podem passar pela via, desde que respeitem as regras. O espectro radioel&eacute;trico tamb&eacute;m &eacute; uma via p&uacute;blica. Por isso, este debate, assim como o debate sobre o creative commons e a propriedade intelectual &eacute; um debate pol&iacute;tico, sobre que tipo de sociedade e de arranjo social queremos. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 29px\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido.png\" alt=\"Active Image\" width=\"29\" height=\"26\" \/><\/span>&nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-presidente do ITI conta como os lobbies atuam para barrar o Software Livre<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18126"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18126\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}