{"id":18114,"date":"2007-04-02T19:16:54","date_gmt":"2007-04-02T19:16:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18114"},"modified":"2007-04-02T19:16:54","modified_gmt":"2007-04-02T19:16:54","slug":"medida-provisoria-altera-destinacao-de-recursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18114","title":{"rendered":"Medida Provis\u00f3ria altera destina\u00e7\u00e3o de recursos"},"content":{"rendered":"<p><span>Nem toda Medida Provis&oacute;ria (MP) &eacute; do bem. Ou melhor: numa democracia, nem toda MP &eacute; do bem para todos. Promulgada no &uacute;ltimo dia 16, a MP 358 alterou a destina&ccedil;&atilde;o de recursos regrados pela lei 11.345 (que criou uma recente loteria esportiva, para alegria dos clubes), inclusive na forma como os clubes deveriam remeter recursos &agrave; seguran&ccedil;a social (alterando artigos da lei 8.212). Alterou tamb&eacute;m algumas regras das leis 8.685 (audiovisual) e 8.313 (do Programa Nacional de Apoio &agrave; Cultura, Pronac).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Embora esporte seja cultura, tamb&eacute;m vamos nos preocupar nesta mat&eacute;ria com os impactos dos artigos 3&deg; e 4&deg; da 358, ligados ao financiamento do audiovisual.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Do bem, para os produtores<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; certo que alguns produtores de cinema devem ter aplaudido a MP, assinada por Lula e, no Minist&eacute;rio da Cultura, por Orlando Silva, respons&aacute;vel pela Secretaria do Audiovisual, a quem est&aacute; subordinada a Ancine. Para quem n&atilde;o sabe, a Ancine &eacute; a ag&ecirc;ncia respons&aacute;vel pela chave do cofre da receita federal, ou ao menos por definir quem poder&aacute; receber o dinheiro quando o cofre for aberto. Explicando: a ag&ecirc;ncia, criada ainda sob a gest&atilde;o FHC, &eacute; a respons&aacute;vel pela sele&ccedil;&atilde;o dos filmes nacionais que poder&atilde;o receber recursos destinados ao imposto de renda por meio de, principalmente, cotas de patroc&iacute;nio das pessoas f&iacute;sicas e jur&iacute;dicas interessadas em dar um fim mais &ldquo;claro&rdquo; &agrave; parte do que devem ao Le&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O artigo 3&deg; da MP altera algumas regras do jogo: os longa metragens aprovados pela Ancine para patroc&iacute;nio por meio do Pronac ou da Lei do Audiovisual at&eacute; 28 de dezembro de 2006 passam a poder exceder os limites previstos para investimentos atrav&eacute;s do imposto de renda, tanto por parte das pessoas jur&iacute;dicas capazes de aportes milion&aacute;rios, excedendo os quatro milh&otilde;es de reais, quanto pelas empresas distribuidoras de filmes ou das TVs que quiserem investir mais de tr&ecirc;s milh&otilde;es de reais. Na pr&aacute;tica, foram abolidos os limites para os projetos j&aacute; aprovados na ag&ecirc;ncia, permitindo que os longas ultrapassem a margem de investimentos comum at&eacute; o momento na ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica nacional, entre um e cinco milh&otilde;es. Yes, n&oacute;s teremos superprodu&ccedil;&otilde;es.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Esta medida aumenta, portanto, o poder de fogo dos investidores na co-produ&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um bom momento para as produ&ccedil;&otilde;es nacionais, que ganham novo f&ocirc;lego e podem atingir um novo patamar de investimentos, a depender da &ldquo;boa-vontade&rdquo; da Ancine; e para as empresas de distribui&ccedil;&atilde;o do ramo, que, como a Paramount declarou em reportagem para o Cultura e Mercado, pretendem investir recursos de imposto de renda na co-produ&ccedil;&atilde;o com est&uacute;dios nacionais, contando com a m&oacute;dica contrapartida dos direitos de distribui&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Lucro que chama lucro, e que para o pesquisador e professor de cinema Andr&eacute; Piero Gatti &eacute; uma abertura no m&iacute;nimo perigosa. <\/p>\n<p>&quot;O artigo 3&deg; da Lei do Audiovisual &eacute; um verdadeiro presente dos c&eacute;us para estas empresas [distribuidoras], e uma das maiores fraquezas do nosso regime contempor&acirc;neo de produ&ccedil;&atilde;o, para n&atilde;o dizer que se trata de um verdadeiro crime de lesa p&aacute;tria, embora constitucional. Somente recentemente tenho visto alguns produtores se posicionarem contra o artigo. A Paramount &lsquo;demorou&rsquo; para fazer o que todas as outras grandes distribuidoras j&aacute; fazem h&aacute; algum tempo, com a finalidade de controlar a produ&ccedil;&atilde;o mundial de cinema tamb&eacute;m fora das suas hostes&rdquo;, completa o acad&ecirc;mico.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Retroativamente, mediante a Lei 8.313 e de um patroc&iacute;nio que tamb&eacute;m pode ser entendido como apoio, tamb&eacute;m ser&atilde;o facilitados os investimentos em projetos de TVs e r&aacute;dios que n&atilde;o previam lucro, para felicidade das emissoras p&uacute;blicas, estatais e comunit&aacute;rias. Resta saber como estes ve&iacute;culos se portaram no ano passado, quais os projetos que a Ancine j&aacute; aprovou e se TVs comerciais n&atilde;o aproveitaram a brecha para viabilizar produtos competitivos destinados a cumprir com as fun&ccedil;&otilde;es educativas e informativas que a Constitui&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; em contrapartida &agrave;s suas concess&otilde;es. E, claro, se a brecha ser&aacute; t&atilde;o espec&iacute;fica como a CPMF foi um dia.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>O artigo prev&ecirc; ainda a regulamenta&ccedil;&atilde;o, pela Ancine, dos recursos advindos do imposto de renda sem contrapartida lucrativa da produ&ccedil;&atilde;o, por meio do artigo 1&deg; A da Lei do Audiovisual. Ganha a Ancine, que reger&aacute; estes recursos de forma ainda mais direta, inclusive agora com o controle normativo que regulamenta as pol&iacute;ticas de fomento do setor. As pol&iacute;ticas de fomento ganham agora nova musculatura, menos dependentes de medidas provis&oacute;rias e do Poder Legislativo.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Novas linhas de fomento. Ou de investimento<\/strong>?<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Para completar a estrutura dessa &ldquo;nova Ancine&rdquo;, o artigo 4&deg; altera a Lei do Audiovisual, introduzindo a possibilidade de &ldquo;programas especiais de fomento&rdquo; que dever&atilde;o ser regidos pela ag&ecirc;ncia, a quem fica facultado definir como ser&atilde;o regulamentados os investimentos previstos com recursos provenientes do imposto de renda, para &ldquo;viabilizar projetos de distribui&ccedil;&atilde;o, exibi&ccedil;&atilde;o, difus&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o independente de obras audiovisuais brasileiras, escolhidos por meio de sele&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, conforme normas expedidas pela Ancine&rdquo;. Na pr&aacute;tica, a ag&ecirc;ncia pode agora criar linhas para simplesmente qualquer projeto de fomento ao cinema nacional, do investimento em filmes a campanhas publicit&aacute;rias ou salas especiais destinadas a exibir somente filmes nacionais, por exemplo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O artigo chega num momento positivo para a ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica nacional. Ap&oacute;s o frio na barriga no final de 2006, com a dificuldade no Legislativo e no Executivo para estender o prazo da Lei Rouanet e demais leis de fomento, t&atilde;o caras ao setor, o &ldquo;empoderamento&rdquo; da Ancine facilitar&aacute; tamb&eacute;m a briga com os filmes estrangeiros por espa&ccedil;o publicit&aacute;rio e para a multiplica&ccedil;&atilde;o das c&oacute;pias, inclusive para filmes n&atilde;o ligados aos grandes grupos de m&iacute;dia nacionais. Ou ao menos &eacute; o que se espera. Come&ccedil;a a se fechar, agora, um ciclo que inclui os fundos previstos no BNDES, com empr&eacute;stimos p&uacute;blicos ou que contam com recursos privados. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Como o artigo da Lei do Audiovisual alterado prev&ecirc; ainda aporte de recursos &ldquo;nas &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o audiovisual, cinematogr&aacute;fica de difus&atilde;o, preserva&ccedil;&atilde;o, exibi&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e infra-estrutura t&eacute;cnica&rdquo;, desde que apresentados por empresas nacionais, n&atilde;o seria demais esperar, para breve, que a ag&ecirc;ncia atue tamb&eacute;m em linhas de investimento para projetos como a digitaliza&ccedil;&atilde;o do acervo da TV Cultura, e talvez de TVs comerciais, ou a j&aacute; prevista e dispendiosa digitaliza&ccedil;&atilde;o da cadeia cinematogr&aacute;fica, da produ&ccedil;&atilde;o nacional &agrave; estrutura de salas de exibi&ccedil;&atilde;o, que ter&aacute; de adaptar projetores &agrave;s produ&ccedil;&otilde;es americanas que entrar&atilde;o na pr&oacute;xima d&eacute;cada com os rolos de filmes em quantidade bem reduzida. N&atilde;o seria intriga supor que ao menos as grandes redes exibidoras do pa&iacute;s pressionar&atilde;o o governo por novas linhas de cr&eacute;dito para o processo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o bastasse a exist&ecirc;ncia dos programas especiais de fomento, muito pr&oacute;ximos de um investimento, seja para marketing ou para garantir direitos de exibi&ccedil;&atilde;o, os recursos poss&iacute;veis j&aacute; tinham, na lei, a possibilidade de serem reembols&aacute;veis. Ou seja: voc&ecirc;, meu caro empres&aacute;rio, coloca parte do seu imposto de renda na co-produ&ccedil;&atilde;o de um filme, e lucra com isso. &Eacute; tudo o que o m&iacute;tico &ldquo;mercado&rdquo; pediu a Deus.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 20px; height: 23px\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido.png\" alt=\"Active Image\" width=\"20\" height=\"23\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Promulgada no \u00faltimo dia 16, a MP 358 alterou a destina\u00e7\u00e3o de recursos regrados pela lei 11.345 (que criou uma recente loteria esportiva, para alegria dos clubes), inclusive na forma como os clubes deveriam remeter recursos \u00e0 seguran\u00e7a social.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[84],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18114"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18114\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}