{"id":18103,"date":"2007-03-06T16:45:02","date_gmt":"2007-03-06T16:45:02","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18103"},"modified":"2007-03-06T16:45:02","modified_gmt":"2007-03-06T16:45:02","slug":"o-ator-excluido-do-debate-da-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18103","title":{"rendered":"O ator exclu\u00eddo do debate da comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>Uma quest&atilde;o recorrente no debate sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do setor de comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil &eacute; a exclus&atilde;o hist&oacute;rica da sociedade civil como ator significativo na sua formula&ccedil;&atilde;o. Salvo raras exce&ccedil;&otilde;es &ndash; e, mesmo assim, contradit&oacute;rias e question&aacute;veis &ndash; o principal interessado na exist&ecirc;ncia de uma comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica tem sido um n&atilde;o-ator, sistematicamente exclu&iacute;do por aqueles que de fato exercem o poder no setor, vale dizer, os grupos privados de m&iacute;dia e o Estado.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Existem, claro, v&aacute;rias raz&otilde;es para essa exclus&atilde;o hist&oacute;rica. Ao contr&aacute;rio de setores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que envolvem direitos consolidados como a sa&uacute;de, o sal&aacute;rio m&iacute;nimo, o emprego, a educa&ccedil;&atilde;o ou a moradia, o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; positivado legalmente e a consci&ecirc;ncia de sua exist&ecirc;ncia ainda &eacute; difusa e reduzida na grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Reside a&iacute;, ali&aacute;s, um dos principais n&oacute;s da quest&atilde;o. Nas comunica&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o os atores cujos interesses predominam &ndash; os grupos privados de m&iacute;dia &ndash; os respons&aacute;veis principais pela coloca&ccedil;&atilde;o dos temas em discuss&atilde;o na agenda p&uacute;blica. E mais: s&atilde;o esses atores que t&ecirc;m o maior poder de influenciar, direta e\/ou indiretamente, na forma&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia p&uacute;blica sobre o problema.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Um complicador adicional, como qualquer estudioso da sociologia da cultura sabe, &eacute; que os h&aacute;bitos no consumo do entretenimento e da informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o constru&iacute;dos no longo prazo. E quando n&atilde;o se tem uma alternativa de refer&ecirc;ncia, dificilmente o modelo cultural hegem&ocirc;nico ser&aacute; questionado. (Da&iacute;, no caso da televis&atilde;o, a maldosa fal&aacute;cia do &quot;argumento do controle remoto&quot; ou do &quot;basta desligar o aparelho&quot;.)<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Modelo oligopolista<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Essas quest&otilde;es v&ecirc;m a prop&oacute;sito de decis&otilde;es que certamente ser&atilde;o tomadas em futuro pr&oacute;ximo na regula&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es. E tudo indica que, mais uma vez, sem a participa&ccedil;&atilde;o do principal ator interessado. Refiro-me &agrave; inadi&aacute;vel Lei Geral de Comunica&ccedil;&atilde;o Eletr&ocirc;nica de Massa (LGCEM), que dever&aacute; n&atilde;o s&oacute; regular o mercado de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica mas o mercado de comunica&ccedil;&otilde;es como um todo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A elabora&ccedil;&atilde;o de uma LGCEM, que vinha sendo postergada h&aacute; anos, passou nos &uacute;ltimos meses a interessar aos mais poderosos atores do setor, isto &eacute;, &agrave; &quot;velha&quot; m&iacute;dia e &agrave;s teles. O modelo de neg&oacute;cios que vai prevalecer no mundo da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica digital dever&aacute; ser definido. Essa decis&atilde;o ter&aacute; repercuss&otilde;es imensas na economia pol&iacute;tica do setor, inclusive nos muitos ramos industriais vinculados &agrave;s comunica&ccedil;&otilde;es &ndash; el&eacute;trico, eletroeletr&ocirc;nico, inform&aacute;tica. N&atilde;o &eacute; pouca coisa que est&aacute; em jogo. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Exatamente por isso, os grandes atores j&aacute; se mobilizaram e atuam abertamente, pelo menos em dois sentidos: consultores especializados trabalham na elabora&ccedil;&atilde;o de propostas de LGCEM que servir&atilde;o de refer&ecirc;ncia de negocia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica com o governo e o Legislativo; e seus representantes apresentam projetos de lei que necessariamente ter&atilde;o que ser levados em conta quando um projeto de LGCEM come&ccedil;ar a tramitar no Congresso Nacional.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Para a sociedade civil, o que est&aacute; em jogo &eacute; a manuten&ccedil;&atilde;o de um modelo oligopolista que n&atilde;o contempla o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o atende &agrave; maioria da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Convenhamos, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; pouca coisa.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Papel central<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Quando a Federal Communications Commission &ndash; a ag&ecirc;ncia reguladora das comunica&ccedil;&otilde;es nos Estados Unidos &ndash; tentou &quot;flexibilizar&quot; as regras da propriedade cruzada dos meios, em 2003, uma imensa e inesperada rea&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o junto ao Congresso impediu que a medida fosse consumada. Milh&otilde;es de e-mails entupiram as caixas de correio eletr&ocirc;nico de deputados e senadores mostrando o desservi&ccedil;o &agrave; democracia do que l&aacute; se chama &quot;controle corporativo da m&iacute;dia&quot;. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A rea&ccedil;&atilde;o popular nos Estados Unidos foi conseq&uuml;&ecirc;ncia de um trabalho de &quot;formiguinha&quot; que dezenas de entidades de observa&ccedil;&atilde;o e cr&iacute;tica da m&iacute;dia v&ecirc;m fazendo ao longo do tempo. No Brasil, ainda falta muito para que o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o se consolide junto &agrave; maioria de nossa popula&ccedil;&atilde;o. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Estamos avan&ccedil;ando, todavia. Partidos pol&iacute;ticos, sindicatos, movimentos sociais e observadores est&atilde;o cada vez mais ativos no trabalho de mostrar &agrave; popula&ccedil;&atilde;o o papel central que a m&iacute;dia exerce nas democracias contempor&acirc;neas &ndash; e, portanto, no cotidiano da vida de cada um de n&oacute;s. <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>N&atilde;o h&aacute; outro caminho. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><span>* publicado originalmente no Observat&oacute;rio da Imprensa &#8211; <a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/\">www.observatoriodaimprensa.com.br<\/a><\/span><span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/span><\/span><span><span>&nbsp;<\/span><\/span><span><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 22px; height: 22px\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido.png\" alt=\"Active Image\" width=\"22\" height=\"22\" \/><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma quest&atilde;o recorrente no debate sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do setor de comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil &eacute; a exclus&atilde;o hist&oacute;rica da sociedade civil como ator significativo na sua formula&ccedil;&atilde;o. 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