{"id":18094,"date":"2007-03-05T20:44:36","date_gmt":"2007-03-05T20:44:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18094"},"modified":"2007-03-05T20:44:36","modified_gmt":"2007-03-05T20:44:36","slug":"intervozes-publica-nota-em-defesa-da-classificacao-indicativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18094","title":{"rendered":"Intervozes publica nota em defesa da Classifica\u00e7\u00e3o Indicativa"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><u>Nota do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social,&nbsp;divulgada em&nbsp;28\/02\/2006<\/u>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">CLASSIFICA&Ccedil;&Atilde;O PELA DEMOCRACIA<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span>Acostumadas a conviver com a absoluta desregulamenta&ccedil;&atilde;o na explora&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o das quais s&atilde;o concession&aacute;rias p&uacute;blicas, algumas das principais emissoras comerciais do pa&iacute;s lan&ccedil;aram nova ofensiva contra a tentativa do Estado brasileiro de garantir os princ&iacute;pios previstos na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988. Dessa vez, a acusa&ccedil;&atilde;o de censura &eacute; dirigida ao Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, que acaba de regulamentar a nova Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa (Portaria 264\/07) para a programa&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o aberta brasileira.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social n&atilde;o abdica do direito de manifestar suas posi&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o aos atos do Governo Federal ou do Congresso Nacional. Exatamente por isso, fomos e permanecemos sendo cr&iacute;ticos &agrave;s escolhas governamentais no processo de digitaliza&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o aberta e &agrave; repress&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Pelo mesmo motivo, &eacute; nosso dever ressaltar que a Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa, nos moldes propostos pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, &eacute; um avan&ccedil;o importante rumo &agrave; garantia dos direitos e liberdades humanas. Mais especificamente, &eacute; a garantia do direito das crian&ccedil;as e adolescentes e do direito da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, como um todo, participar ativamente da constru&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o da TV. Os defensores destes direitos n&atilde;o podem mais aceitar o uso do termo &quot;censura&quot; por aqueles que, num passado recente, n&atilde;o se furtaram em pactuar com ela.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Ao contr&aacute;rio do que afirmam alguns dos hist&oacute;ricos privilegiados da aus&ecirc;ncia de normas capazes de garantir os princ&iacute;pios constitucionais para a comunica&ccedil;&atilde;o social, a Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa &eacute; uma recomenda&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica que disponibiliza, especialmente para pais, m&atilde;es ou respons&aacute;veis pela educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias sobre o conte&uacute;do das obras audiovisuais, espet&aacute;culos e divers&otilde;es p&uacute;blicas, indicando as faixas et&aacute;rias &agrave;s quais a obra &eacute; adequada.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Classificar, portanto, pressup&otilde;e, &uacute;nica e exclusivamente, aplicar sobre as obras crit&eacute;rios que recomendam hor&aacute;rios para exibi&ccedil;&otilde;es de cenas de sexo e viol&ecirc;ncia. N&atilde;o h&aacute; proibi&ccedil;&atilde;o a opini&otilde;es ou conte&uacute;dos diversos e nenhum programa deixar&aacute; de ser exibido. Poder&aacute;, apenas, ter seu hor&aacute;rio de exibi&ccedil;&atilde;o adequado &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>O que as emissoras ou respons&aacute;veis pelo conte&uacute;do veiculado devem fazer &eacute; classificar suas obras de acordo com os crit&eacute;rios descritos no Manual da Nova Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa (dispon&iacute;vel aqui). Sob a nova regulamenta&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m haver&aacute; a necessidade de adequa&ccedil;&atilde;o da grade de programa&ccedil;&atilde;o aos fusos-hor&aacute;rios de cada regi&atilde;o. Afinal, n&atilde;o h&aacute; justificativa para que a Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa seja desrespeitada, por exemplo, na Regi&atilde;o Norte do pa&iacute;s, que guarda a maior diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao hor&aacute;rio de Bras&iacute;lia.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Os crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o tampouco s&atilde;o arbitr&aacute;rios. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a foi cuidadoso ao promover um processo amplo e democr&aacute;tico na constru&ccedil;&atilde;o do texto final da portaria, com audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas em diversas cidades, semin&aacute;rio internacional e uma consulta p&uacute;blica com mais de 17 mil participa&ccedil;&otilde;es. Todos os segmentos foram convidados a participar do processo.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Ao mesmo tempo, com a publica&ccedil;&atilde;o da nova Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa, o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a cumpre seu dever constitucional previsto no art. 220, estabelecendo &quot;os meios legais que garantam &agrave; pessoa e &agrave; fam&iacute;lia a possibilidade de se defenderem de programas ou programa&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, pr&aacute;ticas e servi&ccedil;os que possam ser nocivos &agrave; sa&uacute;de e ao meio ambiente&quot;. (O artigo 221 disp&otilde;e sobre as obriga&ccedil;&otilde;es da TV brasileira, entre elas a &quot;prefer&ecirc;ncia a finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas&quot; e o &quot;respeito aos valores &eacute;ticos e sociais da pessoa e da fam&iacute;lia&quot;). <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Ainda no &acirc;mbito constitucional, a portaria cumpre tamb&eacute;m o previsto no artigo 227, que afirma ser &quot;dever da fam&iacute;lia, da sociedade e do Estado colocar a crian&ccedil;a e o adolescente a salvo de toda forma de neglig&ecirc;ncia, discrimina&ccedil;&atilde;o, explora&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia, crueldade e opress&atilde;o&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o bastasse, a iniciativa tamb&eacute;m torna eficaz o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (Lei 8.069\/90, Art. 254), ao garantir a vincula&ccedil;&atilde;o entre idade recomendada e hor&aacute;rio de exibi&ccedil;&atilde;o dos programas televisivos. <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Se a regulamenta&ccedil;&atilde;o cumpre com uma exig&ecirc;ncia constitucional, com preceitos discutidos ampla e democraticamente, como pode ser &quot;confundida&quot; com censura? Podem ser autorit&aacute;rios crit&eacute;rios que seguem os padr&otilde;es j&aacute; aplicados nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Su&eacute;cia, pa&iacute;ses reconhecidos por seus avan&ccedil;os democr&aacute;ticos? Ou ainda: por que a aplica&ccedil;&atilde;o da Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa &agrave;s obras cinematogr&aacute;ficas, como j&aacute; &eacute; feito h&aacute; alguns anos, n&atilde;o &eacute; chamada de censura? <br \/><\/span><span><br \/>Informa&ccedil;&atilde;o e boa-f&eacute; bastam para enxergar na iniciativa do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a a valoriza&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o do direito da crian&ccedil;a e do adolescente crescerem e se desenvolverem em um ambiente socialmente e culturalmente saud&aacute;vel. E, acima de tudo, garante &agrave; popula&ccedil;&atilde;o o direito democr&aacute;tico de participar, direta e indiretamente (pela a&ccedil;&atilde;o de seus representantes no Estado), da constru&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o ofertada pelas emissoras de televis&atilde;o aberta, concess&otilde;es p&uacute;blicas da maior relev&acirc;ncia na forma&ccedil;&atilde;o dos valores &eacute;ticos da sociedade brasileira. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acostumadas a conviver com a desregulamenta\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de radiodifus\u00e3o das quais s\u00e3o concession\u00e1rias p\u00fablicas, algumas das principais emissoras lan\u00e7aram nova ofensiva contra a tentativa de garantir os princ\u00edpios previstos na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[137],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18094"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18094"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18094\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}