{"id":18075,"date":"2007-02-22T18:27:19","date_gmt":"2007-02-22T18:27:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18075"},"modified":"2007-02-22T18:27:19","modified_gmt":"2007-02-22T18:27:19","slug":"a-classificacao-indicativa-e-a-censura-da-grande-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18075","title":{"rendered":"A classifica\u00e7\u00e3o indicativa e a censura da grande m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>Durante quase tr&ecirc;s anos o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a do governo Lula discutiu o tema da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa da programa&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o. Neste per&iacute;odo, ocorreram reuni&otilde;es com v&aacute;rias entidades (inclusive aquelas que representam os radiodifusores), audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas nas principais cidades do pa&iacute;s, um semin&aacute;rio internacional em Bras&iacute;lia e uma consulta p&uacute;blica que recebeu 11 mil manifesta&ccedil;&otilde;es. Tamb&eacute;m foi contratada a Ag&ecirc;ncia de Not&iacute;cias dos Direitos da Inf&acirc;ncia (ANDI) para realizar uma pesquisa sobre a realidade de v&aacute;rios pa&iacute;ses, como Su&eacute;cia, Chile, Reino Unido, Estados Unidos, Argentina e Canad&aacute;, entre outros.<\/p>\n<p>Ao final de todo este processo, foi publicada a Portaria 264 que disp&otilde;e sobre os novos crit&eacute;rios para a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa da televis&atilde;o aberta (n&atilde;o s&atilde;o inclu&iacute;dos os canais por assinatura). Tamb&eacute;m foi publicado um manual que ajuda a entender o funcionamento das novas regras.<\/p>\n<p>De acordo com a Portaria do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a nenhum programa ter&aacute; sua veicula&ccedil;&atilde;o proibida. Ele ser&aacute;, apenas, classificado para ser exibido a partir de um determinado hor&aacute;rio, conforme o tipo de impacto que possa causar em crian&ccedil;as e adolescentes. N&atilde;o sofrer&atilde;o os efeitos da classifica&ccedil;&atilde;o os programas jornal&iacute;sticos e noticiosos, aqueles feitos ao vivo e a publicidade.<\/p>\n<p>A medida visa cumprir dois dispositivos constitucionais.<\/p>\n<p>O artigo 220, no seu par&aacute;grafo 3, item II, diz que compete &agrave; Lei Federal: &quot;estabelecer os meios legais que garantam &agrave; pessoa e &agrave; fam&iacute;lia a possibilidade de se defenderem de programas ou programa&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, pr&aacute;ticas e servi&ccedil;os que possam ser nocivos &agrave; sa&uacute;de e ao meio ambiente &quot;.<\/p>\n<p>O artigo 221 disp&otilde;e sobre algumas obriga&ccedil;&otilde;es da TV brasileira, tais como &quot;prefer&ecirc;ncia a finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas&quot; e &quot;respeito aos valores &eacute;ticos e sociais da pessoa e da fam&iacute;lia&quot;.<\/p>\n<p>J&aacute; o artigo 227 diz que &eacute; dever da fam&iacute;lia, da sociedade e do Estado colocar a crian&ccedil;a e o adolescente a salvo de toda forma de neglig&ecirc;ncia, discrimina&ccedil;&atilde;o, explora&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia, crueldade e opress&atilde;o.<\/p>\n<p>Portanto, com a portaria, o governo est&aacute;, apenas, cumprindo o que determina a nossa Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.<br \/>O problema &eacute; que vivemos uma realidade onde a grande m&iacute;dia se considera &agrave; margem da lei. O que &eacute; ainda pior no caso das TVs abertas que necessitam fazer uso de um bem p&uacute;blico e finito (o espectro eletromagn&eacute;tico) e operam mediante concess&otilde;es p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Vejamos:<\/p>\n<p>O j&aacute; citado artigo 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal fala que as TVs s&atilde;o obrigadas a promover a cultura nacional e regional, a estimular a produ&ccedil;&atilde;o independente e a ter conte&uacute;dos produzidos localmente (culturais, art&iacute;sticos e jornal&iacute;sticos). O artigo 223 afirma que &eacute; proibido o monop&oacute;lio e o oligop&oacute;lio dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e que deveriam existir ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o-estatal.<\/p>\n<p>Ainda na Constitui&ccedil;&atilde;o, parlamentares s&atilde;o proibidos de ter rela&ccedil;&atilde;o com empresas concession&aacute;rias de servi&ccedil;os p&uacute;blicos (como as r&aacute;dios e TVs abertas).<\/p>\n<p>Nada disso existe, n&atilde;o &eacute; verdade?<\/p>\n<p>Como o h&aacute;bito do cachimbo faz a boca torta, os donos da grande m&iacute;dia se acostumaram com a realidade de que nenhuma lei os atinge. Bastou, ent&atilde;o, o governo cumprir suas obriga&ccedil;&otilde;es constitucionais para surgirem as acusa&ccedil;&otilde;es de censura.<br \/>Foi exatamente a mesma coisa que aconteceu quando o governo tentou implantar no Brasil uma ag&ecirc;ncia reguladora (a Ancinav) respons&aacute;vel por todo o conte&uacute;do audiovisual (e n&atilde;o apenas pelo cinema), como j&aacute; ocorre em quase todos os pa&iacute;ses ditos desenvolvidos.<\/p>\n<p>At&eacute; a estrat&eacute;gia adotada &eacute; a mesma. De repente, toda a grande m&iacute;dia passa a trazer entrevistas com artistas e diretores famosos (curiosamente, empregados destes mesmos ve&iacute;culos) que afirmam que o governo Lula quer transformar isso aqui em uma Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Claro que n&atilde;o s&atilde;o entrevistados os membros do governo respons&aacute;veis pela Portaria ou as diversas entidades da sociedade civil que participaram do processo de elabora&ccedil;&atilde;o das novas regras de classifica&ccedil;&atilde;o indicativa.<\/p>\n<p>Ou seja, para acusar o governo de pretender fazer censura, a grande m&iacute;dia exercita a mais descarada&#8230; censura!<br \/>O que pouca gente tem dito &eacute; que esse debate tamb&eacute;m envolve uma quest&atilde;o financeira. Com a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa as TVs ter&atilde;o que respeitar os fusos hor&aacute;rios do pa&iacute;s. Atualmente, e durante o hor&aacute;rio de ver&atilde;o, a novela das 21h &eacute; exibida no Acre &agrave;s 18h. Permitir que a programa&ccedil;&atilde;o se adeq&uuml;e ao hor&aacute;rio local implica em custos para as emissoras. E em nome de n&atilde;o reduzir seus vultosos lucros, as TVs querem simplesmente descumprir o que determina a Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Agora, cabe ao cidad&atilde;o brasileiro se informar melhor sobre o conte&uacute;do da proposta do governo (<a href=\"http:\/\/www.mj.gov.br\/classificacao\">www.mj.gov.br\/classificacao<\/a>) e responder a uma quest&atilde;o bem simples. S&atilde;o os (poucos) donos das emissoras de TV (e seus prepostos) os &uacute;nicos que possuem o direito de definir o que, e em que hor&aacute;rio, ser&aacute; transmitido atrav&eacute;s do espectro eletromagn&eacute;tico (que nos pertence!) para toda a popula&ccedil;&atilde;o brasileira e em especial os nossos filhos? Ou a sociedade civil e as institui&ccedil;&otilde;es democraticamente eleitas tamb&eacute;m t&ecirc;m o direito, e o dever, de participar deste processo?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 34px; height: 33px\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido.png\" alt=\"Sample Image\" width=\"34\" height=\"33\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante quase tr&ecirc;s anos o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a do governo Lula discutiu o tema da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa da programa&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o. 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