{"id":18050,"date":"2007-02-15T13:09:43","date_gmt":"2007-02-15T13:09:43","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18050"},"modified":"2007-02-15T13:09:43","modified_gmt":"2007-02-15T13:09:43","slug":"a-imprensa-entre-o-iluminismo-e-o-pos-modernismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18050","title":{"rendered":"A imprensa, entre o iluminismo e o p\u00f3s-modernismo"},"content":{"rendered":"<p>Faz pouca ou essencial diferen&ccedil;a, para os destinos da imprensa tradicional, a colheita de bons indicadores anunciada recentemente pela Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais, dando conta de que a circula&ccedil;&atilde;o de di&aacute;rios impressos cresceu 9,95% no mundo entre 2001 e 2005, e, especificamente entre n&oacute;s, o an&uacute;ncio da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais, de que a circula&ccedil;&atilde;o cresceu 6,5% no Brasil, em 2006.<\/p>\n<p>A an&aacute;lise dos n&uacute;meros, embora auspiciosa, n&atilde;o circunscreve todo o espectro da crise que, na primeira d&eacute;cada da internet, provocou intensos terremotos no setor. O crescimento da circula&ccedil;&atilde;o se deve a fatores pontuais, como o per&iacute;odo de crescimento econ&ocirc;mico est&aacute;vel sobre um painel de crises agudas e sucessivas nas &aacute;reas pol&iacute;tica, social e ambiental. Eventos de grande repercuss&atilde;o, amplificados pelos novos meios eletr&ocirc;nicos, ajudam a aumentar o interesse pela m&iacute;dia em geral &ndash; o atentado, ou o esc&acirc;ndalo, noticiado o dia inteiro na televis&atilde;o, induz &agrave; busca da informa&ccedil;&atilde;o consolidada e da imagem est&aacute;tica impressa em papel.<\/p>\n<p>Nesse per&iacute;odo, em pa&iacute;ses como o Brasil, &Iacute;ndia, China, &Aacute;frica do Sul, R&uacute;ssia e antigos sat&eacute;lites sovi&eacute;ticos houve uma amplia&ccedil;&atilde;o das classes m&eacute;dias, embora num padr&atilde;o de renda um pouco inferior ao da d&eacute;cada anterior. Essa classe emergente de antigos bols&otilde;es de pobreza passou a se interessar por algo mais do que a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia. E as informa&ccedil;&otilde;es que ajudam a consolidar seu novo status social, apesar de tudo, ainda s&atilde;o encontradas nos jornais di&aacute;rios.<\/p>\n<p><strong>Onde a coisa pega<\/strong><\/p>\n<p>Esses indicadores podem fazer pouca ou nenhuma diferen&ccedil;a se, como parece estar acontecendo, a imprensa simplesmente partir para as comemora&ccedil;&otilde;es mantendo as mesmas estrat&eacute;gias dos &uacute;ltimos anos. Essas estrat&eacute;gias, como regra geral, se limitam aos aspectos mercadol&oacute;gicos do produto jornal. S&oacute; muito raramente, por exemplo, os di&aacute;rios lan&ccedil;am m&atilde;o de algo mais do que os f&oacute;runs online como atrativo complementar para preservar o interesse dos leitores. As a&ccedil;&otilde;es de marketing s&atilde;o t&iacute;midas e conservadoras, comparando-se, por exemplo, com o que faz a ind&uacute;stria de entretenimento, para n&atilde;o sair do ambiente midi&aacute;tico.<\/p>\n<p>Mas os mesmos indicadores podem se revelar cruciais para a gera&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias sustent&aacute;veis, capazes de oferecer suporte para uma retomada de posicionamento da imprensa na disputa pelo tempo e pelo interesse dos cidad&atilde;os. Em primeiro lugar, &eacute; preciso devolver &agrave;s reda&ccedil;&otilde;es a import&acirc;ncia que historicamente tiveram nos melhores momentos dos jornais. Sem investir em talentos, e mantendo as reda&ccedil;&otilde;es &agrave; beira do colapso, nenhum jornal ter&aacute; f&ocirc;lego no longo prazo para aproveitar a boa mar&eacute; e nadar at&eacute; a margem.<\/p>\n<p>H&aacute; uma enorme variedade de oportunidades de melhoria em todos os campos da gest&atilde;o das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o. E, de todos os sub-setores, o dos jornais &eacute; claramente aquele que mais carece de um choque de inova&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o &eacute; apenas na gest&atilde;o que a coisa pega. A linguagem, o desenho, a rela&ccedil;&atilde;o com os meios eletr&ocirc;nicos, a capta&ccedil;&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o de interesses e necessidades do leitor, o relacionamento institucional e a gera&ccedil;&atilde;o interna e externa de conhecimento s&atilde;o outros elementos essenciais nessa busca da sustentabilidade.<\/p>\n<p><strong>Mudar a vis&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, creio que a mudan&ccedil;a mais visceral e mais necess&aacute;ria est&aacute; na alma dos jornais. Trata-se do desenvolvimento de uma vis&atilde;o de mundo mais abrangente, compat&iacute;vel com os tempos que vivemos e que se tornam cada vez mais claramente um per&iacute;odo de rupturas.<\/p>\n<p>Os jornais &ndash; a m&iacute;dia em geral, mas os jornais mais evidentemente &ndash; est&atilde;o emparedados entre duas vis&otilde;es de mundo obsoletas e incapazes de oferecer instrumentos para a interpreta&ccedil;&atilde;o adequada do mundo em que vivemos. Os jornais est&atilde;o limitados, de um lado, pelo iluminismo, e de outro, pelo p&oacute;s-modernismo.<\/p>\n<p>De um lado, em geral nos n&iacute;veis mais elevados de decis&atilde;o, os jornais s&atilde;o dominados pelo esp&iacute;rito &quot;iluminista&quot; que, transposto do ambiente acad&ecirc;mico, encontra na m&iacute;dia a atmosfera de poder que conduz &agrave;quilo que alguns estudiosos chamam de &quot;fundamentalismo racionalista&quot;. De outro lado, em geral nos dom&iacute;nios de rep&oacute;rteres, editores e cr&iacute;ticos, predomina o vi&eacute;s p&oacute;s-modernista, t&iacute;pica constru&ccedil;&atilde;o cultural que representa a mais pobre interpreta&ccedil;&atilde;o do mundo globalizado.<\/p>\n<p>O &quot;iluminismo&quot; &eacute; que define a tenta&ccedil;&atilde;o manipuladora e reducionista da m&iacute;dia. O p&oacute;s-modernismo &eacute; a causa da evidente falta de compromisso com a Hist&oacute;ria e com a responsabilidade social &ndash; no sentido do engajamento do indiv&iacute;duo no complexo de rela&ccedil;&otilde;es com a diversidade cultural e pol&iacute;tica na qual est&aacute; (mas nem sempre se sente) imerso.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Ambas as vis&otilde;es de mundo s&atilde;o conservadoras e inadequadas para uma interpreta&ccedil;&atilde;o aceit&aacute;vel do mundo em transi&ccedil;&atilde;o em que vivemos. Elas representam empecilhos para que os jornais, aproveitando o bom momento de mercado, venham a se consolidar como institui&ccedil;&otilde;es relevantes e a se beneficiar, por longo prazo, da confian&ccedil;a da sociedade. Manifesta&ccedil;&otilde;es recentes de freq&uuml;entadores deste Observat&oacute;rio sugerem que muitas pessoas esperam da imprensa uma vis&atilde;o de mundo mais abrangente, mais desafiadora e inovadora.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Que falem os leitores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz pouca ou essencial diferen&ccedil;a, para os destinos da imprensa tradicional, a colheita de bons indicadores anunciada recentemente pela Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais, dando conta de que a circula&ccedil;&atilde;o de di&aacute;rios impressos cresceu 9,95% no mundo entre 2001 e 2005, e, especificamente entre n&oacute;s, o an&uacute;ncio da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais, de que a circula&ccedil;&atilde;o &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18050\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">A imprensa, entre o iluminismo e o p\u00f3s-modernismo<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18050"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18050"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18050\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}