{"id":18009,"date":"2007-02-09T11:13:42","date_gmt":"2007-02-09T11:13:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18009"},"modified":"2007-02-09T11:13:42","modified_gmt":"2007-02-09T11:13:42","slug":"classificacao-indicativa-na-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18009","title":{"rendered":"Classifica\u00e7\u00e3o indicativa na democracia"},"content":{"rendered":"<p><strong><font size=\"4\"> <\/font><font size=\"2\"> <\/font><\/strong> <\/p>\n<p>Alemanha, Austr&aacute;lia, Espanha, Chile, EUA, Holanda, Portugal, Reino Unido,  Su&eacute;cia. Todas essas democracias possuem &iacute;ndices de desenvolvimento humano e de  liberdade de imprensa bem melhores que os nossos. Adicionalmente, contam com  sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o indicativa mais sedimentados do que aquele hoje em  vigor no Brasil. Sistemas estes que regulam os conte&uacute;dos veiculados pela  televis&atilde;o aberta ao definir as faixas et&aacute;rias que deveriam -ou n&atilde;o- ter acesso a  determinados programas e, paralelamente, os hor&aacute;rios nos quais esses programas  podem ser apresentados. <\/p>\n<p>Em suma, a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos de crian&ccedil;as e adolescentes no contexto da  programa&ccedil;&atilde;o das emissoras de TV aberta &eacute; uma das preocupa&ccedil;&otilde;es centrais dos  modelos de classifica&ccedil;&atilde;o adotados por essas democracias. <\/p>\n<p>Para a autoridade reguladora brit&acirc;nica, por exemplo, &quot;conte&uacute;dos que podem  seriamente impactar o desenvolvimento f&iacute;sico, mental ou moral de pessoas com  menos de 18 anos n&atilde;o devem ser veiculados&quot;. <\/p>\n<p>Nesses pa&iacute;ses, &eacute; central ressaltar, o processo classificat&oacute;rio n&atilde;o gera  pol&ecirc;mica. Primeiro, porque &eacute; amplamente aceito o fato de que regular os  radiodifusores detentores de uma concess&atilde;o p&uacute;blica -e, portanto, uma esp&eacute;cie de  inquilino do espectro eletromagn&eacute;tico, propriedade de cidad&atilde;os e cidad&atilde;s  contribuintes- &eacute; um dever e um direito do Estado. Segundo, porque se entende que  a regula&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica dos meios -incluindo a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa- n&atilde;o tem  absolutamente nada a ver com a pr&aacute;tica de censura, ao contr&aacute;rio do que, n&atilde;o  raro, propalam alguns indiv&iacute;duos pouco conhecedores da tem&aacute;tica. <br \/>Quando uma  autoridade regulat&oacute;ria leg&iacute;tima sinaliza quais conte&uacute;dos audiovisuais s&atilde;o  especialmente v&aacute;lidos para determinados segmentos populacionais -ou inadequados  para outros-, ela deve ter dois objetivos primordiais: oferecer &agrave; sociedade a  possibilidade de escolha consciente das programa&ccedil;&otilde;es de TV &agrave;s quais ter&aacute; acesso  e proteger os direitos de todos os cidad&atilde;os e cidad&atilde;s, em especial os das  chamadas minorias pol&iacute;ticas (recorte social no qual crian&ccedil;as e adolescentes t&ecirc;m  posi&ccedil;&atilde;o de destaque, pois s&atilde;o, ao menos legalmente, prioridade absoluta para o  Estado e a sociedade). <\/p>\n<p>O que est&aacute; em quest&atilde;o, portanto, quando a rela&ccedil;&atilde;o entre o p&uacute;blico  infanto-juvenil e a regula&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o entra em foco  &eacute; o reconhecimento, por nossa legisla&ccedil;&atilde;o, da &quot;condi&ccedil;&atilde;o peculiar da crian&ccedil;a e do  adolescente como pessoas em desenvolvimento&quot;. Nesse sentido, classificar as  produ&ccedil;&otilde;es de TV a partir de uma escala de hor&aacute;rios e indicar publicamente qual o  teor de seus conte&uacute;dos &eacute; tamb&eacute;m um importante instrumento de fortalecimento dos  la&ccedil;os familiares. <\/p>\n<p>Pais e m&atilde;es ficam cada vez mais fora do lar, trabalhando. Crian&ccedil;as e  adolescentes v&ecirc;em cada vez mais televis&atilde;o -&eacute; a segunda atividade a que dedicam  mais tempo, logo ap&oacute;s a escola. <\/p>\n<p>E a TV, vale lembrar, n&atilde;o pode ser entendida como um simples eletrodom&eacute;stico.  Ela tem produzido fortes impactos sobre a produ&ccedil;&atilde;o das subjetividades e  identidades culturais, sobretudo em meninos e meninas. &Eacute; por isso que podemos  afirmar que a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa tamb&eacute;m se configura como um instrumento  pedag&oacute;gico. Ao evidenciar as particularidades de cada programa que come&ccedil;a a ser  veiculado, a classifica&ccedil;&atilde;o contribui para que os telespectadores fa&ccedil;am uma  op&ccedil;&atilde;o: assistir ou n&atilde;o &agrave;quele determinado conte&uacute;do. A tomada de decis&atilde;o,  necessariamente, implica algum grau de reflex&atilde;o, o que pode ser um convite para  uma rela&ccedil;&atilde;o mais independente e proveitosa com a &quot;caixa m&aacute;gica&quot;, cabendo &agrave;s  fam&iacute;lias a palavra final. A liberdade, o maior de todos os direitos, enfim,  estaria garantida. Redemocratizar o pa&iacute;s &eacute; um processo, e n&atilde;o um truque. Assim,  as vozes preocupadas com uma poss&iacute;vel volta da censura devem ser ouvidas. <\/p>\n<p>Entretanto, o debate precisa ser travado a partir do que efetivamente est&aacute;  sendo proposto pelo novo instrumento de classifica&ccedil;&atilde;o indicativa do Minist&eacute;rio  da Justi&ccedil;a -que resulta de uma constru&ccedil;&atilde;o transparente, envolvendo as diversas  partes interessadas, al&eacute;m de encontrar-se em plena conson&acirc;ncia com os par&acirc;metros  utilizados nas sociedades mais avan&ccedil;adas do planeta. <\/p>\n<p>Ou seja, n&atilde;o se trata de uma volta aos tempos obscurantistas, mas sim de um  avan&ccedil;o fundamentado na democracia e no conseq&uuml;ente respeito aos direitos  humanos. Todos e todas devemos assumir nossas responsabilidades nesse processo  -Estado, empresas, sociedade civil organizada, fam&iacute;lias. &Eacute; isso que est&aacute; em  jogo. <\/p>\n<p>[Ana Olmos, psicanalista de crian&ccedil;as, &eacute; especialista em neuropsicologia  infantil. Guilherme Canela, mestre em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, &eacute; coordenador de  Rela&ccedil;&otilde;es Acad&ecirc;micas da Andi (Ag&ecirc;ncia de Not&iacute;cias dos Direitos da Inf&acirc;ncia).  Ricardo F. Moretzsohn, psic&oacute;logo, &eacute; ex-representante do Conselho Federal de  Psicologia no Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do Congresso Nacional.]<\/p>\n<p><font size=\"2\"><\/p>\n<p><strong><font size=\"2\"><font size=\"1\">Ana Olmos, Guilherme Canela e Ricardo Moretzsohn # copyright  <em>Folha de S.Paulo<\/em>, 9\/2\/2007<\/font><\/font><\/strong> <\/p>\n<p><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alemanha, Austr&aacute;lia, Espanha, Chile, EUA, Holanda, Portugal, Reino Unido, Su&eacute;cia. Todas essas democracias possuem &iacute;ndices de desenvolvimento humano e de liberdade de imprensa bem melhores que os nossos. Adicionalmente, contam com sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o indicativa mais sedimentados do que aquele hoje em vigor no Brasil. 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