{"id":17971,"date":"2007-01-19T17:55:33","date_gmt":"2007-01-19T17:55:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=17971"},"modified":"2007-01-19T17:55:33","modified_gmt":"2007-01-19T17:55:33","slug":"educadores-defendem-controle-social-sobre-a-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=17971","title":{"rendered":"Educadores defendem controle social sobre a m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p><span>S&atilde;o Paulo &ndash; Desde que a Andi (Ag&ecirc;ncia de Not&iacute;cias dos Direitos da Inf&acirc;ncia) iniciou o monitoramento da cobertura da m&iacute;dia sobre a quest&atilde;o das crian&ccedil;as e adolescentes, a tem&aacute;tica da educa&ccedil;&atilde;o tem ganhado cada vez mais espa&ccedil;o nos jornais. De <\/span><span>1996 a<\/span><span> 2004, o aumento no n&uacute;mero de mat&eacute;rias foi superior a 1000%. No in&iacute;cio, a viol&ecirc;ncia era o principal tema abordado nas reportagens sobre inf&acirc;ncia e adolescente. A partir de <\/span><span>1998, a<\/span><span> educa&ccedil;&atilde;o passou a ocupar o primeiro lugar. Em paralelo a isso, a Andi verificou tamb&eacute;m uma maior diversidade de fontes ouvidas pelos jornalistas &ndash; que antes se baseavam muito nas pautas encaminhadas pelos governos. Um dos fatores respons&aacute;veis por esta mudan&ccedil;a foi o fortalecimento do movimento pela educa&ccedil;&atilde;o e da sociedade civil como um todo nos &uacute;ltimos anos, que, por um lado, por estarem mais organizados, se transformaram em fontes para a imprensa e, por outro, iniciaram um processo de di&aacute;logo e press&atilde;o sobre a m&iacute;dia, cobrando dos jornalistas uma maior pluralidade de vis&otilde;es em suas mat&eacute;rias.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>&ldquo;A sociedade despertou para o di&aacute;logo e para o controle dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o em massa. Depois do surgimento da id&eacute;ia liberal de que a m&iacute;dia &eacute; o quarto poder, que passa a ser aut&ocirc;nomo &ndash; n&atilde;o s&oacute; porque vigia os outros tr&ecirc;s, mas porque tem seus interesses pr&oacute;prios &ndash;, estamos no limiar da constru&ccedil;&atilde;o de um quinto poder, que seria a organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade para algum tipo de controle da m&iacute;dia, que n&atilde;o pode ser confundido com censura, mas que &eacute; na sua ess&ecirc;ncia uma cobran&ccedil;a para que os ve&iacute;culos funcionem baseados no interesse p&uacute;blico, e n&atilde;o no privado&rdquo;, explica Laurindo Leal Filho, professor da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes da Universidade de S&atilde;o Paulo. <\/span><\/p>\n<p><span>Para incentivar este controle p&uacute;blico sobre a m&iacute;dia e estabelecer uma ponte de di&aacute;logo entre jornalistas e educadores, com o objetivo de melhorar a cobertura da m&iacute;dia acerca da educa&ccedil;&atilde;o, foi lan&ccedil;ada na semana passada em S&atilde;o Paulo a rede A&ccedil;&atilde;o na M&iacute;dia: Comunicadores pela Educa&ccedil;&atilde;o, um projeto do <\/span><span>Observat&oacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o<\/span><span>, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental A&ccedil;&atilde;o Educativa. Entre os princ&iacute;pios da rede est&atilde;o as id&eacute;ias de que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas s&atilde;o express&atilde;o de leituras sociais e de que a m&iacute;dia &eacute; uma arena privilegiada de debate p&uacute;blico e agendamento de grandes temas.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>Portanto, se a popula&ccedil;&atilde;o tem direito de participar da defini&ccedil;&atilde;o de seus direitos e de como eles podem ser efetivados &ndash; no caso, na constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o &ndash; &eacute; preciso que o debate sobre a tem&aacute;tica educacional nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s seja o mais plural, criterioso e politizado poss&iacute;vel. &ldquo;O ato de comunicar est&aacute; diretamente relacionado com a afirma&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o. Por um lado, possibilita o di&aacute;logo com a sociedade civil e entre esta e o poder p&uacute;blico. Por outro, exerce press&atilde;o pela efetiva&ccedil;&atilde;o e garantia desse direito&rdquo;, diz o documento de lan&ccedil;amento da rede.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>Esta realidade, no entanto, na opini&atilde;o dos educadores que participaram do debate na semana passada, est&aacute; longe de ser efetivada. &ldquo;A gente s&oacute; aparece na m&iacute;dia quando morre assassinado, quando bate em crian&ccedil;a ou quando acontece alguma trag&eacute;dia na escola&rdquo;, desabafou Jo&atilde;o Kl&eacute;ber Santana, do Sindicato dos Profissionais <\/span><span>em Educa&ccedil;&atilde;o no Ensino Municipal<\/span><span> de S&atilde;o Paulo, para quem a realidade do ensino p&uacute;blico est&aacute; longe de se ver refletida pela grande imprensa. <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Na opini&atilde;o do jornalista Ant&ocirc;nio G&oacute;es, da Folha de S.Paulo, isso acontece, em parte, porque a m&iacute;dia &eacute; reflexo da sociedade. &ldquo;Os jornais s&atilde;o um reflexo do que &eacute; a classe m&eacute;dia, que coloca os filhos na escola particular e est&aacute; preocupada com os buracos da rua. Nosso desafio &eacute; falar para o leitor de classe m&eacute;dia sobre uma realidade que n&atilde;o &eacute; a dele&rdquo;, pondera G&oacute;es. Ele conta, por exemplo, que o jornal deu muito espa&ccedil;o para o debate da reforma universit&aacute;ria &ndash; j&aacute; que este &eacute; um assunto que interessa aos filhos da classe m&eacute;dia &ndash; ao mesmo tempo em que conseguiu publicar apenas uma mat&eacute;ria sobre o Fundeb, o Fundo de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. &ldquo;Vendemos um produto pra quem quer comprar este produto. A quest&atilde;o &eacute; como fazer o interesse p&uacute;blico ser interessante para o nosso p&uacute;blico&rdquo;, disse. <\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\"><span>&ldquo;Acontece que o jornal n&atilde;o &eacute; feito s&oacute; para mostrar o que o leitor quer; &eacute; feito para mostrar o que n&atilde;o quer tamb&eacute;m. Isso demonstra uma vis&atilde;o utilitarista da comunica&ccedil;&atilde;o, que na verdade &eacute; um direito p&uacute;blico&rdquo;, rebateu Luiz Egypto, editor do Observat&oacute;rio da Imprensa. &ldquo;Quando a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; vista como epis&oacute;dio, esta cobertura est&aacute; prestando um desservi&ccedil;o &agrave; sociedade&rdquo;, acredita.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\"><span>A<\/span><span>&nbsp;Constitui&ccedil;&atilde;o Federal prev&ecirc;, <\/span><span>em seu Artigo V<\/span><span>, que trata da <\/span><span>Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/span><span>, que os ve&iacute;culos, por serem todos prestadores de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, sigam princ&iacute;pios baseados no interesse coletivo. As outorgas para o funcionamento das emissoras de r&aacute;dio e TV, por exemplo, s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas para que poucas empresas explorem o espectro eletromagn&eacute;tico. Cabe, sobre esses ve&iacute;culos, portanto, um controle ainda maior da sociedade. No entanto, os representantes das nove fam&iacute;lias que det&ecirc;m o monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil se op&otilde;em a qualquer tipo de regulamenta&ccedil;&atilde;o e de controle social sobre suas atividades.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\"><span>&nbsp;<\/span><span>&ldquo;A forma como a grande m&iacute;dia se op&ocirc;s ao projeto da Ancinav [que criava uma ag&ecirc;ncia para regular as produ&ccedil;&otilde;es audiovisuais no pa&iacute;s] &eacute; o exemplo mais claro de como qualquer iniciativa, por mais incipiente que seja, de acabar com o v&aacute;cuo que temos na regulamenta&ccedil;&atilde;o do setor &eacute; taxada de censura&rdquo;, lembra Laurindo Leal Filho. &ldquo;Iniciativas de controle p&uacute;blico s&atilde;o desqualificadas em geral pela pr&oacute;pria m&iacute;dia, ainda mais quando se trata dela mesma&rdquo;, completa Denise Carreira, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o, para quem o controle social sobre a m&iacute;dia &eacute; uma das ferramentas mais importantes para a constru&ccedil;&atilde;o de uma esfera p&uacute;blica de debates mais democr&aacute;tica.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Leitura cr&iacute;tica da m&iacute;dia e comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria<\/strong> <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\"><span>Exercer um controle social sobre a m&iacute;dia passa, antes de mais nada, por compreender melhor seu funcionamento e seus interesses. &ldquo;Cerca de 85% dos parlamentares s&atilde;o propriet&aacute;rios de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o ou diretamente envolvidos com donos de concess&otilde;es. S&atilde;o esses deputados que votam, por exemplo, na renova&ccedil;&atilde;o de suas pr&oacute;prias concess&otilde;es. Isso n&atilde;o &eacute; conflito de interesses; &eacute; crime, mereceria at&eacute; uma representa&ccedil;&atilde;o no Minist&eacute;rio P&uacute;blico. Se voc&ecirc; informa isso para a popula&ccedil;&atilde;o, a cidadania passa a refletir sobre isso. Isso &eacute; papel dos educadores tamb&eacute;m&rdquo;, ressalta Egypto. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\"><span>Trabalhar de forma aut&ocirc;noma com a m&iacute;dia, em processos de leitura cr&iacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; tarefa que pressup&otilde;e antes de mais nada a forma&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios educadores, sob o risco do professor reproduzir em sala de aula a aus&ecirc;ncia de pluralidade e diversidade caracter&iacute;stica da grande m&iacute;dia. Neste sentido, h&aacute; iniciativas bem sucedidas que procuram dar ferramentas para que a sociedade civil se aproprie do modo de fazer comunica&ccedil;&atilde;o, como uma forma de formar cidad&atilde;os e cidad&atilde;s para este olhar cr&iacute;tico sobre a m&iacute;dia que &eacute; feita comercialmente. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\"><span>Um desses projetos, chamado V&iacute;deo, Cultura e Trabalho, ensina a linguagem da comunica&ccedil;&atilde;o a jovens de comunidades carentes, incentivando-as a fazer uma reflex&atilde;o sobre o poder da m&iacute;dia. &ldquo;Trabalhando com o v&iacute;deo, com as ferramentas adequadas a grande m&iacute;dia usa para manipular as informa&ccedil;&otilde;es, a gente consegue, ao contr&aacute;rio, colocar em pauta temas que n&atilde;o est&atilde;o em debate nos grandes ve&iacute;culos&rdquo;, conta <\/span><span>Priscila Santos,<\/span><span> jovem integrante do projeto em S&atilde;o Paulo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Por fim, a A&ccedil;&atilde;o na M&iacute;dia tamb&eacute;m aposta na comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, independente e alternativa como forma de mudan&ccedil;a da rela&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com a comunica&ccedil;&atilde;o em busca de uma democratiza&ccedil;&atilde;o dessa esfera p&uacute;blica. Para contrapor a informa&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica da grande m&iacute;dia, a sociedade pode se organizar por uma contra-informa&ccedil;&atilde;o, que seja plural e propulsora da constru&ccedil;&atilde;o de uma real democracia. Mais um desafio que comunicadores e educadores reafirmam assumir a partir de agora. <\/span>&nbsp;<span>&nbsp;<\/span><span>A Ag&ecirc;ncia Carta Maior faz parte da rede A&ccedil;&atilde;o na M&iacute;dia: Comunicadores pela Educa&ccedil;&atilde;o. Para saber mais sobre o projeto, visite a p&aacute;gina do Observat&oacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo \u2013 Desde que a Andi (Ag\u00eancia de Not\u00edcias dos Direitos da Inf\u00e2ncia) iniciou o monitoramento da cobertura da m\u00eddia sobre a quest\u00e3o das crian\u00e7as e adolescentes, a tem\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o tem ganhado cada vez mais espa\u00e7o nos jornais.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[85],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17971"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17971\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}