{"id":17962,"date":"2007-01-19T15:39:53","date_gmt":"2007-01-19T15:39:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=17962"},"modified":"2007-01-19T15:39:53","modified_gmt":"2007-01-19T15:39:53","slug":"brasil-nao-esta-preparado-para-competicao-entre-as-teles-e-as-tvs-pagas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=17962","title":{"rendered":"Brasil n\u00e3o est\u00e1 preparado para competi\u00e7\u00e3o entre as teles e as TVs pagas"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es brasileiro vive um momento singular. Importantes e significativos grupos ligados ao setor come&ccedil;am a se enfrentar em fun&ccedil;&atilde;o de novos produtos e da evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. envolvendo a oferta de novos servi&ccedil;os.Conciliar tantos interesses parece ser cada vez mais uma tarefa complicada. <\/p>\n<p>Mas &#8211; apesar de tantos &quot;interesses&quot; distintos em jogo &#8211; uma quest&atilde;o ganha unanimidade: &eacute; preciso repensar o atual modelo regulat&oacute;rio, uma que h&aacute; leis distintas para radiodifus&atilde;o, operadoras de cabo e de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Mas, a tecnologia n&atilde;o espera pela reda&ccedil;&atilde;o e pelos poss&iacute;veis acordos entre os setores. Ela chega e induz uma s&eacute;rie de transforma&ccedil;&otilde;es, elevando a temperatura dos debates na &aacute;rea.<\/p>\n<p>N&atilde;o &agrave; toa, radiodifus&atilde;o, operadoras de cabo e concession&aacute;rias se movimentam, cada uma com suas entidades e for&ccedil;a de presen&ccedil;a, para mostrar os impactos dessa &quot;transforma&ccedil;&atilde;o&quot; nas suas opera&ccedil;&otilde;es. Nesta quinta-feira, 18\/01, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA), divulgou um estudo contratado junto &agrave; consultoria Frost &amp; Sullivan, onde foi realizado um comparativo da realidade brasileira com outros sete pa&iacute;ses &#8211; B&eacute;lgica, Chile, Reino Unido, Hong Kong, M&eacute;xico, It&aacute;lia e Estados Unidos. <\/p>\n<p>De acordo com o respons&aacute;vel pela confec&ccedil;&atilde;o do estudo, o analista da Frost &amp; Sullivan, Alex Zago, a compara&ccedil;&atilde;o com os outros paises foi necess&aacute;ria para entender o processo da entrada das concession&aacute;rias de telefonia fixa local no mercado de TVs por assinatura. <\/p>\n<p>&quot;H&aacute; modelos muito diferenciados nesses pa&iacute;ses estudados. E por isso, eles foram importantes. No Chile, em fun&ccedil;&atilde;o de medidas pr&oacute;-concorr&ecirc;ncia, a disputa &eacute; saud&aacute;vel e a dist&acirc;ncia do faturamento entre as concession&aacute;rias e as operadoras &eacute; de apenas 2,3 vezes, a menor dentre os pa&iacute;ses analisados&quot;, afirma o analista.<\/p>\n<p>&quot;J&aacute; na B&eacute;lgica, por exemplo, a concession&aacute;ria de telefonia lan&ccedil;ou o IPTV ( o servi&ccedil;o de TV atrav&eacute;s da sua pr&oacute;pria infra-estrutura) e s&oacute; tem obtido margens negativas. O produto &eacute; sustentado pelos servi&ccedil;os de telefonia e banda larga&quot;, continua Zago.<\/p>\n<p>Para o analista da Frost &amp; sullivan, o Brasil &eacute; o pa&iacute;s que apresenta entre os mercados pesquisados, a maior concentra&ccedil;&atilde;o no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es &#8211; 94% na telefonia fixa local &#8211; mercado dividido entre Telef&ocirc;nica, Brasil Telecom e Telemar &#8211; e 77% na &aacute;rea de banda larga. <\/p>\n<p>Neste segmento, em fun&ccedil;&atilde;o da oferta dos servi&ccedil;os de voz, dados e imagens pelas duas operadoras de TV por assinatura do pa&iacute;s &#8211; no caso a Net, hoje controlada pela Embratel e pelo grupo Telmex, e a TVA, rec&eacute;m-comprada pela Telef&ocirc;nica, mas que o processo de aquisi&ccedil;&atilde;o ainda est&aacute; em processo de estudo pelos &oacute;rg&atilde;os reguladores brasileiros &#8211; j&aacute; h&aacute; uma concorr&ecirc;ncia de 20% por parte das operadoras de cabo e de 3%, ficam com outros provedores. Aqui no Brasil, atualmente, a raz&atilde;o de faturamento das concessin&aacute;rias de telefonia e as operadoras de TV por assinatura era de 12,5 vezes, em 2005. <\/p>\n<p>&quot;&Eacute; uma diferen&ccedil;a consider&aacute;vel, al&eacute;m disso, a receita proveniente da TV por assinatura &eacute; quem sustenta os investimentos em telefonia e banda larga das operadoras de TV paga. Se a atual &quot;blindagem&quot; regulat&oacute;ria cair &#8211; e acontecer uma abertura prematura do mercado e a autoriza&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias de telefonia atuarem tamb&eacute;m nas suas &aacute;reas na TV por assinatura &#8211; elas ir&atilde;o usar os recursos da telefonia para sustentar os neg&oacute;cios de TV. Ser&aacute; uma medida desigual e a concorr&ecirc;ncia, num m&eacute;dio e longo prazo, poder&aacute; ficar bastante prejudicada&quot;, afirma o estudo da Frost &amp;Sullivan.<\/p>\n<p><strong>Possibilidades<\/strong><\/p>\n<p>O estudo da Frost &amp; Sullivan tamb&eacute;m avaliou o cen&aacute;rio no qual as teles locais &#8211; derrubadas as blindagens regulat&oacute;rias &#8211; pudessem ofertar servi&ccedil;os, principalmente o IPTV, utilizado pela consultoria como base das m&eacute;tricas de concorr&ecirc;ncia. &quot;Usamos o IPTV porque &eacute; o produto se mostra mais vi&aacute;vel econ&ocirc;micamente para as operadoras e &eacute; onde h&aacute; as principais experi&ecirc;ncias das teles no mundo&quot;, explicou Zago. <\/p>\n<p>Nesta linha de racioc&iacute;nio, caso as teles locais &#8211; sem qualquer restri&ccedil;&atilde;o regulat&oacute;ria e com autoriza&ccedil;&atilde;o para atuarem nas suas &aacute;reas &#8211; entrassem praticando dumping, ou seja, um pre&ccedil;o muito abaixo do mercado para ganhar os clientes das atuais TVs pagas, elas conquistariam 19% deste segmento at&eacute; 2008 e 37% at&eacute; 2010. &quot;Seria uma margem bem alta e causaria um&nbsp; enfraquecimento perigoso dos operadoras de TV por assinatura, que est&atilde;o iniciando suas opera&ccedil;&otilde;es com outros servi&ccedil;os como telefonia e banda larga&quot;, diz Zago. <\/p>\n<p>Num cen&aacute;rio menos agressivo e as teles entrassem apenas provendo o triple play &#8211; voz, dados e TV &#8211; a pre&ccedil;os de mercado, sem qualquer tipo de subs&iacute;dio, as taxas de crescimento ficariam com 10% e 19%, respectivamente. E caso elas entrassem apenas prestando servi&ccedil;os de valor agregado, como video-on-demand, teriam 6% do share em 2008 e 13% em 2010. o estudo, no entanto, n&atilde;o revelou qual seria o crescimento total do n&uacute;mero de assinantes do setor de TV por Assinatura no pa&iacute;s, em fun&ccedil;&atilde;o da entrada das teles como concorrentes. <\/p>\n<p>Ao concluir sua apresenta&ccedil;&atilde;o, o analista da Frost &amp; Sullivan, reiterou que, diante do estudo feito, o momento n&atilde;o &eacute; o ideal para uma abertura de mercado no Brasil. &quot;Deveriam se criar premissas que impedissem a extin&ccedil;&atilde;o pura e simples da concorr&ecirc;ncia. Nos outros pa&iacute;ses, com modelo semelhante ao nosso, fica claro que o neg&oacute;cio de TV por assinatura serviu para consolidar e reduzir a perda de clientes na &aacute;rea de telefonia e de banda larga por parte das concession&aacute;rias. Enfim, foi um fator para fidelizar o consumidor. &Eacute; preciso tomar cuidado para que a concorr&ecirc;ncia, num m&eacute;dio prazo, n&atilde;o fique abalada&quot;, recomendou o analista da F&amp;S.<\/p>\n<p>Com muita cautela e, at&eacute; mesmo, admitindo uma certa tens&atilde;o no debate, j&aacute; que a discuss&atilde;o se tornou uma pol&ecirc;mica, o diretor-executivo da ABTA, Alexandre Annenberg, repetiu que n&atilde;o &eacute; contra a concorr&ecirc;ncia. Assegurou ainda que n&atilde;o defende uma &quot;reserva de mercado&quot;, mas quer que as regras sejam claras e transparentes e, mais do que isso, que sejam iguais para todos.<\/p>\n<p>&quot;Temos que repensar o marco regulat&oacute;rio. Temos que eliminar os pontos de diverg&ecirc;ncia e tentar encontrar um meio de adequar os servi&ccedil;os em fun&ccedil;&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o da tecnologia. S&oacute; queremos condi&ccedil;&otilde;es de competi&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou, sem no entanto, querer definir prazos para que essa concorr&ecirc;ncia pudesse ser deflagrada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es brasileiro vive um momento singular. Importantes e significativos grupos ligados ao setor come&ccedil;am a se enfrentar em fun&ccedil;&atilde;o de novos produtos e da evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. envolvendo a oferta de novos servi&ccedil;os.Conciliar tantos interesses parece ser cada vez mais uma tarefa complicada. 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