{"id":29950,"date":"2017-07-21T18:10:05","date_gmt":"2017-07-21T18:10:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29950"},"modified":"2017-08-03T18:11:52","modified_gmt":"2017-08-03T18:11:52","slug":"teles-avancam-na-verticalizacao-e-ameacam-provedores-de-conteudo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29950","title":{"rendered":"Teles avan\u00e7am na verticaliza\u00e7\u00e3o e amea\u00e7am provedores de conte\u00fado"},"content":{"rendered":"<p><em>Mudan\u00e7a no cen\u00e1rio de organiza\u00e7\u00e3o das empresas de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00f5es pode gerar perdas econ\u00f4micas e culturais<\/em><\/p>\n<p><em>Por Marina Pita*<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 um movimento de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es no\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/cartacapital.com.br\/blogs\/intervozes\/201ca-internet-democratizou-tudo201d-para-quem\" target=\"_blank\">mercado de telecomunica\u00e7\u00f5es<\/a>ocorrendo que merece aten\u00e7\u00e3o. Tanto por parte daqueles que se preocupam com\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/cartacapital.com.br\/blogs\/intervozes\/america-latina-se-organiza-contra-concentracao-nas-telecomunicacoes\" target=\"_blank\">direito do consumidor e concorr\u00eancia<\/a>, quanto por parte daqueles que entendem a import\u00e2ncia da diversidade cultural.<\/p>\n<p>Em outubro de 2016, a AT&amp;T, operadora norte-americana de telecomunica\u00e7\u00f5es, anunciou a compra da Time Warner, terceiro maior conglomerado do mundo do ramo de entretenimento, dono da HBO e da Turner, por exemplo. No mesmo ano, a Verizon, outra empresa de telecomunica\u00e7\u00f5es norte-americana, anunciou a aquisi\u00e7\u00e3o do Yahoo, empresa de conte\u00fado na internet.<\/p>\n<p>Em junho \u00faltimo, a operadora francesa Vivendi, que bem antes disso j\u00e1 havia declarado seu interesse em fortalecer a \u00e1rea de entretenimento (ela j\u00e1 controla a Universal Music e a EMI), anunciou o lan\u00e7amento de uma plataforma de v\u00eddeo, a Studio+, em parceria com a operadora Vivo, para concorrer com o Netflix. Mais recentemente, e em uma escala muito menor, a Telef\u00f4nica Brasil comprou as a\u00e7\u00f5es do Terra Networks Brasil, tamb\u00e9m uma empresa de conte\u00fado para a web.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o do an\u00fancio do neg\u00f3cio, Ricardo Sanfelipe, vice-presidente de estrat\u00e9gia digital e inova\u00e7\u00e3o da Vivo, afirmou ao jornal\u00a0<i>Valor Econ\u00f4mico<\/i>: \u201c\u00c9 uma fronteira que est\u00e1 sendo derrubada\u201d, citando a compra do Yahoo pela Verizon. Esta barreira, a qual Sanfelipe se refere, \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o entre as empresas da camada de conte\u00fado e as empresas da camada de infraestrutura (a rede f\u00edsica que suporta a Internet).<\/p>\n<p>Se as empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es, em um primeiro momento,\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/cartacapital.com.br\/especiais\/infraestrutura\/aplicativos-avancam-e-esmagam-faturamento-das-empresas-de-telecom-7743.html\" target=\"_blank\">perderam a corrida para competir no ambiente chamado Over The Top (OTT)<\/a>\u00a0\u2013 a camada superior da Internet, a do conte\u00fado \u2013 e ficaram relegadas \u00e0 venda da conex\u00e3o e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura, atividades atualmente consideradas\u00a0<i>commodities\u00a0<\/i>e, portanto, de baixo valor agregado, est\u00e1 claro que est\u00e1 em curso uma nova estrat\u00e9gia para dar a volta por cima. E, a grande aposta est\u00e1 em usar a rede como vantagem competitiva para a entrega de conte\u00fado.<\/p>\n<p>Uma das formas de garantir tal vantagem \u00e9 oferecendo acesso \u00e0s plataformas pr\u00f3prias sem descontar da franquia de dados dos usu\u00e1rios da rede. Em um mercado como o brasileiro, em que a grande maioria das pessoas conta com um plano de dados m\u00f3vel, com limite de franquia baixo, esta parece ser uma cartada inteligente, se olhada a partir da perspectiva do neg\u00f3cio. O problema \u00e9 que se olhada a partir da perspectiva do direito do consumidor e da concorr\u00eancia, a estrat\u00e9gia se torna extremamente preocupante, visto que fere o princ\u00edpio da neutralidade de rede. E, veja bem, isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo silenciosamente.<\/p>\n<p>A Claro, do grupo mexicano de telecomunica\u00e7\u00f5es e entretenimento America M\u00f3vel, j\u00e1 vem atuando desta forma no Brasil. O pacote Claro M\u00fasicas, concorrente de plataformas de\u00a0<i>streaming<\/i>\u00a0como o Spotify, n\u00e3o \u00e9 descontado do pacote de dados dos clientes Claro. A oferta foi divulgada em novembro de 2016 e \u00e9 uma contra ofensiva ao TIMmusic by Deezer, aplicativo de m\u00fasicas cujo tr\u00e1fego \u00e9 gratuito para clientes de v\u00e1rios planos da TIM.<\/p>\n<p>A verticaliza\u00e7\u00e3o do setor de telecomunica\u00e7\u00f5es, por meio da amplia\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, pode significar uma mudan\u00e7a importante na economia das comunica\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que o acesso \u00e0 conex\u00e3o \u00e0 Internet cresce, mesmo que precariamente. No caso de pa\u00edses que contam com grupos nacionais fortes na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, como \u00e9 o caso do Brasil, com a Rede Globo, h\u00e1 uma grande possibilidade de queda de bra\u00e7o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/cartacapital.com.br\/blogs\/intervozes\/para-derrubar-temer-globo-vai-alem-do-jornalismo\" target=\"_blank\">\u00a0Globo e empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es\u00a0<\/a>divergem nos modelos de neg\u00f3cio envolvendo conte\u00fado over the top e regras de funcionamento das redes de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria aprova\u00e7\u00e3o do Marco Civil da Internet (Lei 12.965\/2014) \u2013 para regular o uso da Internet no Brasil por meio da previs\u00e3o de princ\u00edpios, garantias, direitos e deveres para usu\u00e1rios e de diretrizes para a atua\u00e7\u00e3o do Estado \u2013 \u00e9 resultado, mesmo que parcialmente, desta disputa. A Globo, em determinado momento, se convenceu da import\u00e2ncia da neutralidade de rede, que impede o favorecimento ou a discrimina\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fego em redes de telecomunica\u00e7\u00f5es e passou a explicar o conceito, bem como a fazer cobertura favor\u00e1vel \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do MCI. N\u00e3o seria espantoso descobrir que tamb\u00e9m tenha mexido algumas de suas \u201cpecinhas\u201d no Congresso Nacional.<\/p>\n<p><b>N\u00e3o apostemos demais na disputa<\/b><\/p>\n<p>Mas o modelo tamb\u00e9m cresce, nem sempre com operadoras de telecomunica\u00e7\u00f5es oferecendo o chamado zero-rating (quando determinado tr\u00e1fego n\u00e3o \u00e9 descontado da franquia) para aplicativos pr\u00f3prios, mas tamb\u00e9m por meio de acordos com plataformas online populares.<\/p>\n<p>A T-Mobile, operadora de telecomunica\u00e7\u00f5es norte-americana, por exemplo, mant\u00e9m uma oferta chamada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.t-mobile.com\/offer\/binge-on-streaming-video-list.html\" target=\"_blank\">Binge On, em que o tr\u00e1fego gerado por diversos servi\u00e7os de v\u00eddeo n\u00e3o s\u00e3o descontados da franquia de dados<\/a>. A Three, tamb\u00e9m operadora norte-americana, seguiu o mesmo caminho e passou a oferecer o Go Binge, um plano de dados com libera\u00e7\u00e3o de tr\u00e1fego para o Netflix,\u00a0 SoundCloud, Deezer e TVPlayer.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 poss\u00edvel que haja uma acomoda\u00e7\u00e3o dos interesses de operadoras e plataformas de conte\u00fado e j\u00e1 h\u00e1 experi\u00eancias exitosas nesse sentido, com anu\u00eancia das ag\u00eancias reguladoras, o que \u00e9 ainda mais preocupante. Por isto, n\u00e3o \u00e9 prudente apostar mais do que algumas fichas na press\u00e3o das plataformas de conte\u00fado \u2013 ao lado dos consumidores e ativistas por uma web livre e aberta \u2013 pela defesa da neutralidade de rede.<\/p>\n<p>Resta saber se a verticaliza\u00e7\u00e3o das empresas de telecomunica\u00e7\u00e3o, seja ela para fazer frente \u00e0s empresas de conte\u00fado online ou simplesmente para gerar uma acomoda\u00e7\u00e3o entre os interesses destes dois setores, ser\u00e1 ben\u00e9fica para os usu\u00e1rios, para a inova\u00e7\u00e3o, para a economia dos pa\u00edses tecnologicamente perif\u00e9ricos e para a diversidade cultural.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um tipo de questionamento que s\u00f3 poder\u00e1 ser respondido se os \u00f3rg\u00e3os competentes estiverem atentos \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o que ocorre no setor, coletando dados sobre tais movimenta\u00e7\u00f5es e analisando se elas respondem ao objetivo de garantir ao pa\u00eds sua soberania econ\u00f4mica e cultural.<\/p>\n<p><em>*\u00c9 jornalista e coordenadora executiva do Intervozes \u2013 Coletivo Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o Social<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mudan\u00e7a no cen\u00e1rio de organiza\u00e7\u00e3o das empresas de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00f5es pode gerar perdas econ\u00f4micas e culturais Por Marina Pita* H\u00e1 um movimento de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es no\u00a0mercado de telecomunica\u00e7\u00f5esocorrendo que merece aten\u00e7\u00e3o. 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