{"id":29775,"date":"2017-04-10T12:14:54","date_gmt":"2017-04-10T12:14:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29775"},"modified":"2017-04-11T12:21:37","modified_gmt":"2017-04-11T12:21:37","slug":"cronica-de-uma-morte-anunciada-cobertura-da-guerra-as-favelas-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29775","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica de uma morte anunciada: cobertura da guerra \u00e0s favelas no Rio"},"content":{"rendered":"<p><em>Falta de aprofundamento, mito da exce\u00e7\u00e3o e tom policial marcam mat\u00e9rias sobre o tema nos jornais cariocas<\/em><\/p>\n<p>Por Camila Nobrega e Iara Moura*<\/p>\n<p>At\u00e9 o dia 30 de mar\u00e7o de 2017, Maria Eduarda Alves Ferreira era s\u00f3 mais uma aluna de uma escola municipal no Rio de Janeiro. Naquele dia, ela foi atingida por quatro tiros enquanto fazia aula de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, na quadra da Escola Municipal Jornalista Daniel Piza. Da noite para o dia, a menina de 13 anos tornou-se assunto principal dos jornais da cidade e do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, as selfies sorridentes ao lado das amigas dividiam espa\u00e7o com as imagens da m\u00e3e desconsolada, carregando as medalhas da filha penduradas no peito, do corpo j\u00e1 inerte estendido na quadra da escola, do caix\u00e3o atropelando a vida.<\/p>\n<p>Agora, todos sabiam que a menina sonhava em ser atleta de basquete. Sabiam tamb\u00e9m o exato percurso que tinha feito at\u00e9 a escola e as \u00faltimas palavras que disse \u00e0 m\u00e3e. Nas p\u00e1ginas de jornais, Maria Eduarda ganhou uma biografia no momento em que perdeu a vida. A hist\u00f3ria parecera come\u00e7ar pelo fim, como na prosa de <a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/cultura\/morre-aos-87-anos-o-escritor-gabriel-garcia-marquez-9071.html\" target=\"_blank\">Garc\u00eda Marquez<\/a>, em Cr\u00f4nica de uma Morte Anunciada.<\/p>\n<p>E, ao contr\u00e1rio do que contam a maior parte das reportagens, a hist\u00f3ria \u00e9 exatamente isso, uma trag\u00e9dia mais do que anunciada, no m\u00ednimo alardeada pelos dados, pelas circunst\u00e2ncias. Por outro lado, absolutamente silenciada.<\/p>\n<p>Como a maioria de seus colegas de escola, Maria Eduarda convivia com a intensa viol\u00eancia cotidiana no bairro onde morava, Acari. O local concentra 20% das mortes decorrentes de a\u00e7\u00f5es policiais registradas apenas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Isso quer dizer que houve cerca de 36 mortes na \u00e1rea, sob cobertura do 41o Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia Militar, em apenas dois meses.<\/p>\n<p>No total, foram 182 mortes decorrentes de opera\u00e7\u00f5es policiais no <a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/violencia-e-corrupcao-crise-da-policia-no-rio-de-janeiro\" target=\"_blank\">Estado do Rio de Janeiro<\/a>, segundo dados oficiais do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP). Todas sem nome estampado em jornal, a esmagadora maioria sem direito \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo a uma m\u00ednima per\u00edcia, identificadas com um mesmo \u201csobrenome\u201d nos boletins de ocorr\u00eancia \u2013 \u201c<a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/cresce-numero-de-homicidios-dolosos-e-de-autos-de-resistencia-no-rio-9222.html\" target=\"_blank\">autos de resist\u00eancia<\/a>\u201d, express\u00e3o que, desde a ditadura militar, \u00e9 usada pela Pol\u00edcia Militar para justificar morte em leg\u00edtima defesa de policiais, sem necessidade de mais explica\u00e7\u00f5es. Todas traduzidas em, no m\u00e1ximo, estat\u00edsticas frias que mant\u00eam a cidade funcionando alienada. Todas s\u00f3 mais um Silva.<\/p>\n<p>No entanto, a hist\u00f3ria de Maria Eduarda percorreu um outro caminho. No jornal &#8220;O Globo&#8221; de 31 de mar\u00e7o, a interrup\u00e7\u00e3o violenta da saga de Eduarda foi reportada como uma \u201ctrag\u00e9dia com desdobramento aterrorizante\u201d. Mesmo assim, ainda que contando detalhes sobre o caso, a reportagem segue, logo referindo-se \u00e0 rea\u00e7\u00e3o das moradoras e dos moradores: \u201cA Avenida Brasil foi tomada por um protesto violento.&#8221;<\/p>\n<p>Muitos manifestantes eram da Fazenda Botafogo, vizinha \u00e0 escola, onde Maria Eduarda morava. O tr\u00e2nsito foi interrompido nas duas pistas. Grupos ateavam fogo a ca\u00e7ambas de lixo ao longo da via, uma das principais da cidade, assustando motoristas\u201d, destaca um trecho, sem qualquer men\u00e7\u00e3o a um contexto cotidiano enfrentando por esses e essas moradoras.<\/p>\n<p>Em uma s\u00f3 frase, o protesto em fun\u00e7\u00e3o da morte da jovem se torna problema. Problema de tr\u00e2nsito, problema que invade a vida de quem estava passando e s\u00f3 queria chegar em casa. Em uma frase, mais uma forma de individualiza\u00e7\u00e3o e desconex\u00e3o, em uma sucess\u00e3o absurda de narrativa dos fatos.<\/p>\n<p>Depois das rea\u00e7\u00f5es nas redes sociais e da como\u00e7\u00e3o que o caso trouxe, no dia 1\u00ba de abril, o enquadramento e o espa\u00e7o destinado ao tema mudaram. A not\u00edcia que antes ocupava uma p\u00e1gina deu espa\u00e7o a uma de quatro p\u00e1ginas, com fotos e infogr\u00e1ficos destacando o n\u00famero de mortes resultantes de opera\u00e7\u00f5es policiais nas favelas e comunidades empobrecidas da cidade.<\/p>\n<p>A cobertura, antes marcada por impessoalidade e por uma estrutura cara \u00e0s p\u00e1ginas policiais com \u00eanfase na ideia de \u201cconfronto\u201d e nos desdobramentos das \u201copera\u00e7\u00f5es\u201d com apreens\u00e3o de armamentos e drogas, modificou-se. Ali detalhes sobre a vida da menina ganharam sentido, com imagens, informa\u00e7\u00f5es, humanidade.<\/p>\n<p>Por um lado, pode-se celebrar que o caso foi amplamente divulgado. Por outro, trouxe um risco imenso de refazer um ciclo intermin\u00e1vel, imerso \u00e0 falta de aprofundamento sobre o que significa a pol\u00edtica de Seguran\u00e7a P\u00fablica no Rio de Janeiro. Uma r\u00e1pida an\u00e1lise da cobertura dos principais jornais mostra que o caso de Maria Eduarda foi al\u00e7ado a um patamar de excepcionalidade. Pin\u00e7ado no meio da realidade di\u00e1ria dos moradores de Acari e das favelas da cidade, que tem enfrentado o agravamento da viol\u00eancia nas opera\u00e7\u00f5es policiais, especialmente no \u00faltimo m\u00eas, o quadro dram\u00e1tico ganhou o perigoso e falso contorno de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Extra, tamb\u00e9m do Grupo Globo, a cobertura do caso foi para a editoria que recebe os assuntos relacionados \u00e0 Seguran\u00e7a P\u00fablica: \u201cPol\u00edcia\u201d. A jovem de Acari se tornou capa do jornal, sob a manchete: \u201cMaria Eduarda, a nova v\u00edtima da Velha Guerra\u201d. No dia seguinte, mais uma capa seguiu acompanhando o caso, sob o t\u00edtulo de \u201cQual m\u00e3e vai chorar hoje?\u201d. Em determinado trecho da mat\u00e9ria, a m\u00e3e de Maria Eduarda diz: \u201cA gente morava, sim, em comunidade, mas ela sempre foi tratada com muito carinho\u201d.<\/p>\n<p>A frase n\u00e3o \u00e9 desligada de contexto. Em um cen\u00e1rio em que 182 mortes ocorrem em dois meses como consequ\u00eancia de opera\u00e7\u00f5es policiais e as not\u00edcias se empilham de forma burocr\u00e1tica nos jornais, como se meros e frios boletins de ocorr\u00eancia fossem, ela sabe como a morte de sua filha poderia ter ido seguido o mesmo caminho, caso n\u00e3o fosse a impossibilidade de atentar para as caracter\u00edsticas da morte da menina.<\/p>\n<p>Ela, como todas as m\u00e3es moradoras de favelas, sabe que suas filhas e filhos s\u00e3o normalmente julgados e condenados pela opini\u00e3o p\u00fablica, sem chance de defesa ou de apura\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n<p>No mesmo dia da morte de Maria Eduarda, o mesmo jornal Extra circulava com uma \u00fanica pequena mat\u00e9ria que fazia refer\u00eancia \u00e0s mortes que estavam ocorrendo em favelas do Rio. A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 era gritante e estava sendo denunciada h\u00e1 semanas por movimentos de favelas. Mas o chamado colun\u00e3o, no jarg\u00e3o jornal\u00edstico, dizia apenas: \u201cUm confronto entre policiais militares e traficantes, no Morro da Formiga, na Tijuca, assustou moradores e motoristas na Rua Conde de Bonfim, que teve o tr\u00e2nsito interrompido.<\/p>\n<p>De acordo com a <a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/826\/a-ressaca-da-upp-7895.html\" target=\"_blank\">UPP <\/a>da comunidade, homens armados atacaram a base da unidade e montaram barricadas. Um homem morreu baleado. Revoltados com a morte do homem, que seria mototaxista, pessoas foram para a Rua Conde de Bonfim e fizeram um protesto, impedindo a passagem dos ve\u00edculos\u201d. Mais uma vez, estava ali um homem morto an\u00f4nimo, nenhum estranhamento sobre a escalada de viol\u00eancia nas favelas, a revolta dos moradores qualificada como exagerada, a preocupa\u00e7\u00e3o com o tr\u00e2nsito, a divis\u00e3o de duas cidades em uma.<\/p>\n<p>O mesmo sentido, em curtas frases, repete-se em diversos textos, reportando mortes na Provid\u00eancia, na favela da Mar\u00e9, entre outras. Com vocabul\u00e1rio de guerra completamente naturalizado, os jornais cariocas falam em \u201cconfronto\u201d, d\u00e3o n\u00famero de balas, de mortos e usam jarg\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, s\u00e3o eles tamb\u00e9m as principais fontes nas mat\u00e9rias, que n\u00e3o v\u00e3o muito al\u00e9m disso. \u201cSegundo a UPP\u201d, \u201co comandante\u201d, \u201cn\u00fameros da Pol\u00edcia Militar\u201d, \u201cno front\u201d s\u00e3o express\u00f5es que se repetem diariamente, na maioria dos casos sem complemento de outras vozes.<\/p>\n<p>Precisou que uma morte ocorresse dentro de uma escola, que fossem quatro balas \u201cperdidas\u201d acertando uma s\u00f3 jovem, em hor\u00e1rio de aula, com v\u00e1rias testemunhas, dezenas de crian\u00e7as desesperadas e fotos de turmas inteiras abaixadas dentro de sala de aula, al\u00e9m da necessidade de o Estado responder, pois a jovem estava, naquele momento, sob sua pr\u00f3pria responsabilidade.<\/p>\n<p>Precisou tudo isso junto para que n\u00e3o atirassem primeiro uma pedra sobre o caso e para que a explica\u00e7\u00e3o \u201cauto de resist\u00eancia\u201d n\u00e3o fosse o bastante. Foram necess\u00e1rias todas essas condi\u00e7\u00f5es para que a opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o repetisse o mesmo feito de sempre e julgasse a menina como culpada pela pr\u00f3pria morte, como acontece na maioria dos casos.<\/p>\n<p>E s\u00f3 assim as palavras que todos os dias s\u00e3o naturalizadas nas reportagens causaram estranhamento dessa vez. \u201cDano colateral dos mais absurdos\u201d, disse o porta-voz da Pol\u00edcia Militar, major Ivan Blaz, sobre a morte de Maria Eduarda. Disse, simplesmente seguindo o rumo ao qual est\u00e1 acostumado. \u00c9 assim que a pol\u00edcia fala sobre as mortes em favelas. N\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, essa \u00e9 a regra.<\/p>\n<p>Depois disso, a m\u00eddia seguiu. O jornal O Dia tamb\u00e9m acompanhou de perto o caso de Maria Eduarda, com pelo menos quatro mat\u00e9rias detalhadas. A Folha de S. Paulo trouxe uma reportagem que relata o hist\u00f3rico de viol\u00eancia em Acari, mostrando, entre outros, o dado de 89 tiroteios registrados em Acari em um ano, segundo o <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/fogocruzado.org.br\/\" target=\"_blank\">site colaborativo Fogo Cruzado<\/a>.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, faz pensar o papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o, muito al\u00e9m de apenas reportar os fatos. A m\u00eddia \u00e9 tamb\u00e9m parte da constru\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, essa cidade que convive com uma viol\u00eancia que atinge moradores e moradoras de favelas mais do que qualquer outra, negros e negras mais do que brancos e brancas. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 parte ativa nessa compreens\u00e3o das pessoas sobre o lugar onde vivem. E, afinal, o que est\u00e1 sendo constru\u00eddo pela m\u00eddia tradicional que se encontra dispon\u00edvel?<\/p>\n<p><span class=\"external-link\">Uma nota da ONG <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/cartacapital.com.br\/sociedade\/ongs-articulam-frente-pelo-desencarceramento\" target=\"_blank\">Justi\u00e7a Global<\/a> enviada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas <\/span>chama aten\u00e7\u00e3o para o silenciamento da viol\u00eancia institucional contra a popula\u00e7\u00e3o jovem e negra, moradora de favelas e periferias. O documento, enviado \u00e0 Relatoria de Execu\u00e7\u00f5es Extrajudiciais Sum\u00e1rias e Arbitr\u00e1rias da ONU, relaciona as 182 mortes causadas por agentes do Estado e chama aten\u00e7\u00e3o para o falho papel da Justi\u00e7a brasileira, uma vez que grande parte dos casos s\u00e3o simplesmente arquivados.<\/p>\n<p>Segundo afirmou a pesquisadora da Justi\u00e7a Global na \u00e1rea de Viol\u00eancia Institucional, Monique Cruz, em entrevista \u00e0 EBC, \u201ca den\u00fancia internacional \u00e9 uma forma de dar mais visibilidade internamente, porque, quando acessamos um organismo internacional, estamos chamando tamb\u00e9m aten\u00e7\u00e3o da imprensa brasileira para um outro ponto de vista\u201d. Ela se referia \u00e0 pol\u00edtica de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em complemento para este artigo do Intervozes, Monique Cruz ressaltou ainda que, da forma como a pol\u00edtica de repress\u00e3o do Estado nas favelas \u00e9 pensada, ela s\u00f3 tem o que a Pol\u00edcia tem definido como \u201cdanos colaterais\u201d que, na verdade, s\u00e3o mortes que nunca s\u00e3o investigadas, fruto de um enfrentamento ineficaz \u00e0 anunciada guerra \u00e0s drogas e que s\u00f3 est\u00e1 gerando mais viol\u00eancia na cidade. Nessa \u201cguerra\u201d, policiais s\u00e3o algozes e tamb\u00e9m v\u00edtimas de uma engrenagem da morte.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em n\u00famero bem menor: para cada policial assassinado no Rio em 2016, 23 outras pessoas morreram, o que derruba a tese de que as mortes de moradores sempre ocorrem em confrontos. Os dados s\u00e3o de levantamento feito pelo Uol com base em n\u00fameros do ISP.<\/p>\n<p>Em meio a essa situa\u00e7\u00e3o e despossu\u00eddos de espa\u00e7o nos meios privados para informar-se e expressar-se sobre a realidade de suas comunidades, moradores\/as de favelas h\u00e1 muito t\u00eam se organizado para produzir eles pr\u00f3prios comunica\u00e7\u00e3o e fazer reverberar den\u00fancias da viol\u00eancia com a qual convivem diariamente.<\/p>\n<p>Nesse caso, o direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligado ao direito \u00e0 vida. Em grupos de mensagens instant\u00e2neas ou em p\u00e1ginas em redes sociais, moradores de favelas e comunidades invadidas por for\u00e7as policiais trocam informa\u00e7\u00f5es vitais sobre que ruas evitar em caso de confronto ou troca de tiros. A produ\u00e7\u00e3o e troca de informa\u00e7\u00f5es, no entanto, n\u00e3o \u00e9 encarada como direito dessa popula\u00e7\u00e3o. Amea\u00e7as an\u00f4nimas e cria\u00e7\u00e3o de perfis <em>fakes<\/em> que buscam expor e criminalizar quem faz comunica\u00e7\u00e3o popular \u00e9 a regra geral nas favelas.<\/p>\n<p><span class=\"external-link\">Segundo a ONG internacional Rep\u00f3rteres sem Fronteiras, <a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/a-impunidade-nos-homicidios-de-comunicadores-no-brasil\" target=\"_blank\">o Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds com mais comunicadores assassinados<\/a> na Am\u00e9rica Latina<\/span>. Foram 22 mortes registradas desde 2012. O cen\u00e1rio configura uma grave viola\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, que causa consequ\u00eancias para a sociedade de uma forma geral. Viola\u00e7\u00e3o esta que dificulta a abordagem do assunto at\u00e9 mesmo dentro dos grandes ve\u00edculos e ainda mais em ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o alternativa, popular ou comunit\u00e1ria, sem a prote\u00e7\u00e3o que deveriam ter.<\/p>\n<p>\u00c9 o sil\u00eancio for\u00e7ado, o toque de recolher da comunica\u00e7\u00e3o, que leva a cidade do Rio de Janeiro a pensar que um n\u00famero como o e 1275 v\u00edtimas fatais da interven\u00e7\u00e3o policial entre 2010 e 2013, a maioria sem qualquer tipo de investiga\u00e7\u00e3o, mesmo em casos de mortes de crian\u00e7as e at\u00e9 idosos, confunda-se com exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o sil\u00eancio que as favelas procuram combater, com a\u00e7\u00f5es como a cria\u00e7\u00e3o do <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/rioonwatch.org.br\/?p=18868\" target=\"_blank\">aplicativo N\u00f3s por N\u00f3s<\/a>, que recebeu mais de 300 den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos cometidas por policiais em apenas um ano. Maria Eduarda n\u00e3o foi apenas uma trag\u00e9dia, ela se tornou uma brecha de an\u00fancio do caminho que a cidade est\u00e1 tomando.<\/p>\n<p>*Camila Nobrega e Iara Moura s\u00e3o jornalistas e integram o Coletivo Intervozes. Colaborou Gizele Martins, jornalista e comunicadora popular da Mar\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta de aprofundamento, mito da exce\u00e7\u00e3o e tom policial marcam mat\u00e9rias sobre o tema nos jornais cariocas Por Camila Nobrega e Iara Moura* At\u00e9 o dia 30 de mar\u00e7o de 2017, Maria Eduarda Alves Ferreira era s\u00f3 mais uma aluna de uma escola municipal no Rio de Janeiro. 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