{"id":29636,"date":"2016-11-07T10:23:24","date_gmt":"2016-11-07T10:23:24","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29636"},"modified":"2017-03-22T10:32:18","modified_gmt":"2017-03-22T10:32:18","slug":"unesco-defende-alfabetizacao-midiatica-como-forma-de-fortalecer-o-uso-livre-e-democratico-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29636","title":{"rendered":"Unesco defende alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica como forma  de fortalecer o uso livre e democr\u00e1tico da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAlfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o\u201d. Essa foi a tese defendida por Alton Grizzle, representante da Divis\u00e3o de Liberdade de Express\u00e3o e de Desenvolvimento da M\u00eddia, vinculada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura (Unesco), em semin\u00e1rio realizado hoje, 7 de novembro, no Congresso Nacional, em Bras\u00edlia (DF).<\/p>\n<p>Grizzle defendeu a posi\u00e7\u00e3o durante sua palestra no semin\u00e1rio \u201cEduca\u00e7\u00e3o Midi\u00e1tica e Informacional no Brasil\u201d, que teve como objetivo debater experi\u00eancias de educomunica\u00e7\u00e3o nas escolas brasileiras e dar a conhecer o projeto \u201cAlfabetiza\u00e7\u00e3o Midi\u00e1tica e Informacional\u201d, da Unesco.<\/p>\n<p>O representante do escrit\u00f3rio central da Unesco, em Paris, enfatizou que a entidade usa o termo &#8220;informa\u00e7\u00e3o e alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica&#8221; para o que no Brasil estamos chamando de educomunica\u00e7\u00e3o. Tratar sobre o tema, na sua avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma forma de \u201ctransformar a vida dos jovens no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, a m\u00e1 compreens\u00e3o ou a falta de compreens\u00e3o a respeito da m\u00eddia, da comunica\u00e7\u00e3o, das bibliotecas, da informa\u00e7\u00e3o inicia-se na mente dos homens e das mulheres, e \u00e9 na mente dos homens e das mulheres que se deve corrigir esse mau uso. Grizzle \u00a0relata que o trabalho da Unesco sobre a tem\u00e1tica sse concentra em fortalecer o uso livre e democr\u00e1tico da m\u00eddia.<\/p>\n<p>\u201cVivemos num mundo virtual. Acredito que grande parte de n\u00f3s pode se entender em algum lugar deste mundo. Seja no mundo da televis\u00e3o, do Facebook ou do Radiop\u00e9lago, n\u00f3s vivemos num mundo virtual. Tudo que fazemos, tudo que aprendemos sobre o mundo ao nosso redor \u00e9 mediado neste mundo virtual\u201d, aponta ele, refletindo sobre a relev\u00e2ncia da alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica para que se comunique e se informe eticamente.<\/p>\n<p>Grizzle enfatizou a necessidade de que se reconhe\u00e7a que cada cidad\u00e3o \u00e9 co-criador da informa\u00e7\u00e3o e do conhecimento e que tem uma mensagem a dizer. Dessa forma, deve ser empoderado para que possa acessar os meios para expressar a sua pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o. Respondendo \u00e0 cr\u00edtica de conselheiros do Conselho de Comunica\u00e7\u00e3o Social do Congresso Nacional, sobre a fun\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica nos projetos, ele foi enf\u00e1tico: \u201cJornalismo para cidad\u00e3o n\u00e3o substitui jornalismo profissional. \u00c9 complemento\u201d.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>A iniciativa de realiza\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio partiu do conselheiro Ismar de Oliveira Soares, que tamb\u00e9m preside a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunica\u00e7\u00e3o (ABPEducom). Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio discutir sobre a contribui\u00e7\u00e3o que um programa de educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e informacional pode oferecer para a melhoria dos processos educativos, \u201ctanto na educa\u00e7\u00e3o formal escolar quanto na educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o formal, na fam\u00edlia e nas organiza\u00e7\u00f5es sociais\u201d.<\/p>\n<p>Soares lembrou que o tema do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem), \u201cCaminhos para combater a intoler\u00e2ncia religiosa no Brasil\u201d,\u00a0ressalta As possibilidades da educomunica\u00e7\u00e3o, que permite aos estudantes uma oportunidade de compreender quest\u00f5es de relacionamento e de contextos sociais da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>\u201cPara algu\u00e9m ter tido um bom desempenho na prova do Enem, era necess\u00e1rio que tivesse tido tamb\u00e9m uma educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e informacional que correspondesse a essa necessidade. Estamos falando de algo relativo ao curr\u00edculo das escolas e algo relativo \u00e0 pr\u00e1tica social, especialmente no que se refere ao direito de conhecer o sistema de comunica\u00e7\u00e3o e de nele intervir a partir da perspectiva da cidadania\u201d, destacou Soares.<\/p>\n<p><strong>Analfabetos funcionais<\/strong><\/p>\n<p>Conforme Raquel Paiva, professora e pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Estudos em Comunica\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nas duas \u00faltimas semanas um conceito muito utilizado nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980 tem voltado a figurar na m\u00eddia, o dos \u201canalfabetos funcionais\u201d, referindo-se principalmente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o suscet\u00edvel de manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo passado, n\u00f3s t\u00ednhamos institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis por fazer a media\u00e7\u00e3o entre o homem e o mundo. T\u00ednhamos o trabalho, a escola, a fam\u00edlia, a religi\u00e3o, a pol\u00edtica. Enfim, estruturas que eram respons\u00e1veis por realizar essa media\u00e7\u00e3o, ou seja, explicar o mundo para o sujeito, inserindo o sujeito no mundo. Entretanto, tudo isso mudou. Essas institui\u00e7\u00f5es foram completamente invadidas pelo que nomeamos midiatiza\u00e7\u00e3o, o que significa neste momento a concretiza\u00e7\u00e3o total do dom\u00ednio da informa\u00e7\u00e3o, com os seus valores e regras\u201d, ressalta paiva<\/p>\n<p>Paiva defende que o poder midi\u00e1tico seja reconhecido como tal, como primeira medida de enfrentamento \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. \u201cO n\u00e3o reconhecimento significa adotarmos a compreens\u00e3o de que se trata de algo natural, da natureza, e n\u00e3o \u00e9. Trata-se de um sistema, e este sistema carrega as imperfei\u00e7\u00f5es da natureza humana. Ent\u00e3o, se temos um sistema pol\u00edtico voltado para a inclus\u00e3o social, o sistema de produ\u00e7\u00e3o de mensagens \u00e9 aberto a todos, os quais passam a atuar n\u00e3o apenas como consumidores da produ\u00e7\u00e3o. Se, por outro lado, temos um sistema de concentra\u00e7\u00e3o de empresas respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o dessas mensagens [entretenimento e not\u00edcias], as pessoas s\u00e3o, em maior n\u00famero, meros consumidores passivos\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisadora defende a necessidade de ser sistematizada a leitura cr\u00edtica da produ\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica de forma a reduzir \u201co fasc\u00ednio e, consequentemente, o pouco questionamento cr\u00edtico da produ\u00e7\u00e3o\u201d. Ela professora lembrou que alguns institutos e te\u00f3ricos j\u00e1 se preocuparam com a for\u00e7a dessa estrutura midi\u00e1tica e como esse quadro poderia transformar a humanidade, caso do relat\u00f3rio MacBride. \u201cEsse relat\u00f3rio \u2013 <em>Many voices, one world<\/em> (Muitas vozes, um s\u00f3 mundo) \u2013 foi divulgado em 1980, na Confer\u00eancia Geral da Unesco, e chocou o mundo. Por qu\u00ea? Al\u00e9m do diagn\u00f3stico, propunha uma nova ordem comunicacional, buscando promover a paz e o desenvolvimento humano\u201d, enfatizou ela, lamentando que o relat\u00f3rio nunca tenha sido efetivamente executado \u2013 embora tenha permanecidocomo um referencial te\u00f3rico para aqueles que acreditam na democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Educomunica\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Nessa perspectiva, as estudantes Clarice Villari, do Dante Alighieri, e Maria Eduarda Silva de Oliveira, da Escola de Ensino Fundamental Casablanca, da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, apresentaram o projeto \u201cEducom.gera\u00e7\u00e3ocidad\u00e3.2016\u201d, uma experi\u00eancia realizada entre as duas institui\u00e7\u00f5es de ensino \u2013 uma particular e a outra p\u00fablica \u2013 com a implementa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de educomunica\u00e7\u00e3o voltadas para a alfabetiza\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e informacional. As escolas j\u00e1 possu\u00edam projetos de educomunica\u00e7\u00e3o e, por iniciativa do professor Ismar Soares, realizaram A a\u00e7\u00e3o em parceria.<\/p>\n<p>\u201cFomos apresentados ao projeto na mesma semana e tivemos nosso primeiro contato visual via Google Hangouts. Ent\u00e3o n\u00f3s nos conhecemos um pouco virtualmente antes de nos conhecermos pessoalmente. Antes de o projeto come\u00e7ar, assistimos a um v\u00eddeo, que seria o in\u00edcio da nossa reflex\u00e3o, chamado &#8220;N\u00f3s, os Povos!&#8221;, da ONU, com as 17 metas da organiza\u00e7\u00e3o. A partir desse v\u00eddeo, tivemos a nossa reflex\u00e3o inicial sobre o mundo, que depois daria origem \u00e0 maioria das atividades do projeto\u201d, declarou Clarice Villari.<\/p>\n<p>De acordo com Maria Eduarda de Oliveira, a iniciativa proporcionou uma compreens\u00e3o melhor sobre a m\u00eddia. \u201cFoi uma contribui\u00e7\u00e3o muito grande para nossas vidas, uma nova forma de ver um mundo e de ser mais cr\u00edticos ao que est\u00e1 ao nosso redor\u201d. O <em>Educom.gera\u00e7\u00e3ocidad\u00e3.2016<\/em> possui p\u00e1gina no Facebook e um canal no YouTube, onde est\u00e3o reunidas a informa\u00e7\u00f5es sobre o projeto.<\/p>\n<p><strong>Saber interpretar a m\u00eddia<\/strong><\/p>\n<p>A proposta central dos temas que envolvem educomunica\u00e7\u00e3o e alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica \u00e9 a de habilitar pessoas de todas as idades, de todos os sexos e de qualquer n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o a ler, a interpretar a produ\u00e7\u00e3o que hoje \u00e9 respons\u00e1vel por expressar valores e ditar na sociedade o que deve ser feito e aceito. A import\u00e2ncia desse tema \u00e9 vis\u00edvel ao se observar os dados da Pesquisa Brasileira de M\u00eddia de 2015, elaborado pela Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, junto com o Ibope: a TV segue sendo a principal fonte de informa\u00e7\u00e3o e entretenimento para 95% da popula\u00e7\u00e3o, com os jovens de 14 a 25 anos assistindo uma m\u00e9dia de quatro horas di\u00e1rias. O uso da m\u00eddia digital aparece em segundo lugar, alcan\u00e7ando 48% dos brasileiros, com um consumo de 5 horas di\u00e1rias. O principal acesso da m\u00eddia digital s\u00e3o as redes sociais, em especial, o Facebook.<\/p>\n<p><i>Por Ram\u00eania Vieira \u2013 Rep\u00f3rter do Observat\u00f3rio do Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> \u201cAlfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o\u201d. 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