{"id":29539,"date":"2017-01-10T15:45:59","date_gmt":"2017-01-10T15:45:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29539"},"modified":"2017-03-14T15:56:07","modified_gmt":"2017-03-14T15:56:07","slug":"negros-e-midia-invisibilidades","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29539","title":{"rendered":"NEGROS E M\u00cdDIA: INVISIBILIDADES"},"content":{"rendered":"<p>*Ana Claudia Mielke<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de um ano a imagem do pequeno Matias Melqu\u00edades, fotografado pelos pais feliz da vida ao lado de um boneco do Finn, personagem de Star Wars, ganhava as redes sociais. A foto n\u00e3o apenas viralizou nas redes brasileiras, como chegou a John Boyega, ator norte-americano que interpretou o her\u00f3i no filme O despertar da For\u00e7a.<br \/>\nEssa historinha consolida o que os negros j\u00e1 v\u00eam h\u00e1 muito tempo dizendo: representatividade importa, sim! N\u00e3o apenas na televis\u00e3o e no cinema, como tamb\u00e9m na publicidade, na literatura e na pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o dos brinquedos. Afinal, Matias, de apenas 4 anos, quis comprar o boneco porque \u201cse parecia com ele\u201d.<br \/>\nA quest\u00e3o da representatividade do negro na m\u00eddia brasileira \u00e9 algo que vira e mexe recebe holofotes em pesquisas e debates. N\u00e3o \u00e9 para menos, a ind\u00fastria cultural midi\u00e1tica ainda \u00e9 pouco perme\u00e1vel \u00e0 ideia de ter o negro em papel protagonista e segue reproduzindo estere\u00f3tipos, colocando o negro em pap\u00e9is que configuram, quase sempre, subalternidade.<br \/>\nOs velhos pap\u00e9is se repetem. Do lado negativo, o escravo, a \u201cmulata\u201d lasciva, a empregada dom\u00e9stica, o preto bobo ou ignorante que faz a gente rir e o bandido. Do lado positivo, o jogador de futebol, o sambista ou aquele personagem que interpreta a exce\u00e7\u00e3o: o mo\u00e7o de fam\u00edlia humilde que lutou muito e \u201cvenceu na vida\u201d. Figuras que n\u00e3o s\u00e3o exclusividade dos produtos de fic\u00e7\u00e3o, visto que s\u00e3o assim tamb\u00e9m apresentados em programas de audit\u00f3rio e em quadros do jornalismo.<br \/>\nAt\u00e9 tr\u00eas anos atr\u00e1s, a TV Globo veiculava nas noites de s\u00e1bado, em seu programa humor\u00edstico Zorra Total, a personagem Adelaide, uma negra, pobre e desdentada, retratada como algu\u00e9m sem higiene, que dividia a casa com uma ratazana e pedia dinheiro nos vag\u00f5es do metr\u00f4, embora carregasse consigo aparelhos celulares de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o \u2013 uma defini\u00e7\u00e3o de seu car\u00e1ter. E por que n\u00e3o mencionar a pol\u00eamica charge do Jaguar publicada na edi\u00e7\u00e3o 111 deste Le Monde Diplomatique Brasil? Pol\u00eamica que, ali\u00e1s, rendeu debates e provocou a produ\u00e7\u00e3o deste especial sobre negros e m\u00eddia, que ocupar\u00e1 as p\u00e1ginas do jornal ao longo de 2017.<br \/>\nA elei\u00e7\u00e3o de certos atributos dos negros como meton\u00edmia para definir e consolidar determinado olhar negativo sobre a negritude vem sendo h\u00e1 muito tempo uma das mais contundentes estrat\u00e9gias para fixar sentidos e inviabilizar a diferen\u00e7a racial. O\u00a0 indiano Homi Bhabha (2007) identificou essa estrat\u00e9gia ao estudar o discurso do colonialismo. Segundo ele, a diferen\u00e7a \u00e9 reconhecida como parte da cultura, mas ao mesmo tempo \u00e9 repudiada em nome da constru\u00e7\u00e3o de uma identidade unificadora e idealizada. Dessa forma, mant\u00e9m-se o controle sobre determinadas ra\u00e7as e culturas por meio do alijamento de suas pr\u00f3prias identidades.<br \/>\nNo Brasil, o \u201cespet\u00e1culo das ra\u00e7as\u201d1 orientou a constru\u00e7\u00e3o do mito da democracia racial, que por sua vez elaborou a ideia de miscigena\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia racial pac\u00edfica para forjar o sujeito social mesti\u00e7o denominado \u201cbrasileiro\u201d. Enquanto isso, violentamente produzia o apagamento sistem\u00e1tico e sist\u00eamico da cultura e identidade negras, o que ocorreu pari passu a uma pol\u00edtica de exclus\u00e3o dos negros (do trabalho e dos centros urbanos) no Brasil p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO problema \u00e9 que esses apagamentos e exclus\u00f5es seguiram sendo reproduzidos \u2013 antes como pol\u00edtica e viol\u00eancia, agora como discurso. E em uma sociedade midiatizada s\u00e3o as m\u00eddias de massa as principais respons\u00e1veis por isso. \u00c9 como se algo estivesse sempre no mesmo lugar e, ao mesmo tempo, tivesse de ser exaustivamente repetido em uma rela\u00e7\u00e3o ambivalente entre manuten\u00e7\u00e3o e repeti\u00e7\u00e3o. E os estere\u00f3tipos s\u00e3o, segundo Bhabha, exatamente isso, um modo de representa\u00e7\u00e3o complexo, ambivalente e contradit\u00f3rio.<br \/>\nA caracter\u00edstica da ambival\u00eancia \u00e9 que d\u00e1 ao estere\u00f3tipo a garantia de \u201crepetibilidade em conjunturas hist\u00f3ricas e discursivas mutantes\u201d (Bhabha, 2007, p.106) e faz muitos estere\u00f3tipos continuarem sendo reproduzidos no cinema e na TV, e que estes sejam, por sua vez, temas provocadores de debates acalorados.<br \/>\nAo mapear a evolu\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a negra na teledramaturgia e no cinema brasileiros, Joel Zito Ara\u00fajo (2008) concluiu que a telenovela n\u00e3o dava visibilidade \u00e0 verdadeira composi\u00e7\u00e3o racial do pa\u00eds e reproduzia a ideologia da branquitude como padr\u00e3o ideal de beleza. Segundo ele, compactuando \u201cconservadoramente com o uso da mesti\u00e7agem como escudo para evitar o reconhecimento da import\u00e2ncia da popula\u00e7\u00e3o negra na hist\u00f3ria e na vida cultural brasileira\u201d (p.982).<br \/>\nA an\u00e1lise \u00e9 precisa, basta lembrar que a primeira protagonista negra numa telenovela da TV Globo foi vivida pela atriz Ta\u00eds Ara\u00fajo em Da cor do pecado, no recent\u00edssimo ano de 2004 \u2013 a mesma atriz havia interpretado Xica da Silva numa novela de \u00e9poca na extinta TV Manchete, nos idos de 1996, e voltou ao protagonismo a representar Helena na novela Viver a vida, em 2009. E a primeira protagonista negra de Malha\u00e7\u00e3o \u00e9 de 2016.<br \/>\nA aus\u00eancia de negros \u00e9, ao lado da reprodu\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos, uma forma tamb\u00e9m de inviabilizar a diferen\u00e7a, apag\u00e1-la. H\u00e1 o \u201ctrabalho do sil\u00eancio\u201d (Orlandi, 1997), que se produz pela n\u00e3o presen\u00e7a de negros nas produ\u00e7\u00f5es audiovisuais. Aus\u00eancia essa que \u00e9, em alguma medida, deliberada, visto que seguimos vivendo no regime da normatividade branca, da branquitude2 como padr\u00e3o. Ent\u00e3o, o negro \u00e9 ausentado, j\u00e1 que sua cor marca uma presen\u00e7a que produz estranhamentos dentro dessa normatividade branca.<br \/>\nO audiovisual \u00e9 onde os silenciamentos s\u00e3o mais sentidos, visto que lidam com imagem. Para n\u00e3o ficar apenas nos exemplos das telenovelas, vale jogar luz sobre o que acontece no campo das s\u00e9ries de TV. No Estados Unidos, a presen\u00e7a de sitcons e seriados protagonizados por negros \u00e9 uma realidade desde os anos 1970.3 No Brasil, por outro lado, as tentativas de produzir s\u00e9ries com protagonistas negros s\u00e3o muito recentes, datam da \u00faltima d\u00e9cada: na TV Globo, Ant\u00f4nia (2006), Suburbia (2012), Sexo e as negas (2014) e Mister Brau (2015).<br \/>\nOs exemplos mostram que existem avan\u00e7os, impulsionados em sua maioria pelas a\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do movimento negro e pelo empoderamento dos jovens negros da periferia nos \u00faltimos quinze anos (gra\u00e7as ao hip hop ou a movimentos mais ligados \u00e0 arte urbana e \u00e0 est\u00e9tica). A ado\u00e7\u00e3o de cotas nas universidades, as organiza\u00e7\u00f5es de cursinhos populares negros nas periferias e a produ\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de inclus\u00e3o em \u00e2mbito federal corroboram neste cen\u00e1rio.<br \/>\nMas estes avan\u00e7os ainda s\u00e3o pequenos do ponto de vista da qualidade \u2013 \u00e9 preciso garantir maior representatividade positiva do negro nos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 e tamb\u00e9m do ponto de vista da quantidade, visto que esta representatividade ainda est\u00e1 bem distante da propor\u00e7\u00e3o num\u00e9rica da presen\u00e7a do negro na sociedade brasileira.<br \/>\nSaindo da esfera da fic\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel perceber que os silenciamentos operam tamb\u00e9m nos produtos jornal\u00edsticos. S\u00e3o raros os casos de especialistas negros entrevistados em mat\u00e9rias de economia e pol\u00edtica. A l\u00f3gica dos comentaristas segue sendo a da meritocracia: escreve sobre um tema ou responde sobre determinadas quest\u00f5es apenas aqueles que al\u00e7aram um n\u00edvel de elevada qualidade \u201ct\u00e9cnica\u201d ou \u201cintelectual\u201d \u2013 nada mais conveniente para uma sociedade que sempre alijou seus negros do acesso a essa suposta qualifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNas mat\u00e9rias de cotidiano, que pautam fam\u00edlia, educa\u00e7\u00e3o, transporte, sa\u00fade, moradia etc., quase nunca os negros s\u00e3o personagens das situa\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias. Contraditoriamente, est\u00e3o sempre estampando os cadernos policiais e as imagens delet\u00e9rias dos programas policialescos que promovem autoritarismo na TV, associando viol\u00eancia, pobreza e negritude.<br \/>\nMant\u00e9m-se, assim, tudo exatamente como est\u00e1: naquela \u201crepeti\u00e7\u00e3o demon\u00edaca\u201d dos estere\u00f3tipos descrita por Bhabha. E assim a repeti\u00e7\u00e3o do estere\u00f3tipo vai negando a articula\u00e7\u00e3o da ideia de ra\u00e7a como elemento cultural, hist\u00f3rico, identit\u00e1rio, permitindo que esta apare\u00e7a t\u00e3o somente em sua fixidez como racismo, conforme destaca o fil\u00f3sofo.<br \/>\nO frisson causado pela presen\u00e7a da jornalista Maria J\u00falia Coutinho no quadro fixo do Jornal Nacional \u00e9 um bom exemplo da nega\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a e da produ\u00e7\u00e3o do racismo. Parte da sociedade n\u00e3o assume enxergar a diferen\u00e7a dela, a sua negritude. Mas bastou ela ocupar um lugar ao qual n\u00e3o era historicamente \u201cdestinada\u201d para enxergarem a sua pretid\u00e3o.<br \/>\nNa publicidade n\u00e3o \u00e9 diferente. Conforme pesquisa de Carlos A. M. Martins (2010), em 1995 apenas 7% dos an\u00fancios veiculados tinham a presen\u00e7a de modelos negros, n\u00famero que subiu para 10% em 2000 e para 13% em 2005. Al\u00e9m disso, embora seja vis\u00edvel o aumento progressivo de negros escritores, ainda h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es e barreiras inexplic\u00e1veis \u00e0 entrada destes no mercado editorial tradicional ou, como afirmou certa vez Fernanda Felisberto, \u201ca literatura negra \u00e9 rotulada como fundo de cat\u00e1logo\u201d.4<br \/>\nEvitar a repetibilidade dos estere\u00f3tipos e dos apagamentos da diferen\u00e7a produzidos na m\u00eddia \u00e9 algo que requer pol\u00edtica p\u00fablica. Nesse sentido, a regula\u00e7\u00e3o dos meios, especialmente das m\u00eddias eletr\u00f4nicas de massa (r\u00e1dio e TV), que no pa\u00eds s\u00e3o objeto de concess\u00e3o p\u00fablica, \u00e9 essencial para garantir a diversidade racial e a participa\u00e7\u00e3o efetiva dos negros. N\u00e3o se trata apenas de um debate sobre o consumo, mas do entendimento de que a n\u00e3o representatividade produz consequ\u00eancias devastadoras para a constru\u00e7\u00e3o da identidade de um povo.<br \/>\nNa aus\u00eancia de identifica\u00e7\u00f5es positivas com negros na TV, nas revistas, nos livros, nos brinquedos, \u201ca crian\u00e7a negra afasta-se de si pr\u00f3pria, de sua ra\u00e7a, em sua total identifica\u00e7\u00e3o com a positividade da brancura que \u00e9 ao mesmo tempo cor e aus\u00eancia de cor\u201d (Bhabha, 2007, p.118). E s\u00e3o muitas as gera\u00e7\u00f5es que passaram por isso no Brasil (eu mesma tive dificuldade outro dia em me lembrar dos personagens negros que marcaram minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia).<br \/>\nA regulamenta\u00e7\u00e3o do artigo 221 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal seria um primeiro passo na promo\u00e7\u00e3o da diversidade, visto que trata, entre outras coisas, da necessidade de garantir a regionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Esta, por sua vez, possibilitaria que identidades e culturas regionais (dentre elas a negra, a quilombola) fossem mais bem representadas. Al\u00e9m disso, parece ser necess\u00e1rio retomar o debate sobre as pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas nos meios comerciais de comunica\u00e7\u00e3o, como inicialmente se previa com a elabora\u00e7\u00e3o do Estatuto da Igualdade Racial (Lei n. 12.288\/2010) ou como se pretendia com o PL n. 4.370\/1998.5<br \/>\nPor fim, se as mudan\u00e7as s\u00e3o poucas diante da amplitude do problema, podemos dizer que elas seguem persistentes, \u00e0 revelia daqueles que n\u00e3o aceitam a diferen\u00e7a e n\u00e3o querem promover a inclus\u00e3o. Felicidade seria ver, daqui para frente, outras crian\u00e7as podendo se identificar com personagens negros no cinema e na TV, tal como Matias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>1\u00a0\u00a0 \u00a0Refer\u00eancia ao livro de Lilia Moritz Schwarcz que conta a hist\u00f3ria de como a\u00a0 intelectualidade branca brasileira (e estrangeira que vinha para c\u00e1) elaborou os processos ideol\u00f3gicos (cient\u00edficos) de branqueamento da sociedade no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<br \/>\n2\u00a0\u00a0 \u00a0A branquitude \u201c\u00e9 um lugar estrutural de onde o sujeito branco v\u00ea aos outros e a si mesmo; uma posi\u00e7\u00e3o de poder n\u00e3o nomeada, vivenciada em uma geografia social de ra\u00e7a como um lugar confort\u00e1vel e do qual se pode atribuir ao outro aquilo que n\u00e3o se atribui a si mesmo\u201d (Frankenberg, 1995, p.43).<br \/>\n3\u00a0\u00a0 \u00a0Dentre as chamadas black sitcoms nos EUA est\u00e3o com That\u2019s My Mama, Good Times, Sanford and Son, What\u2019s Happening?, nos anos 70; The Cosby Show, A Different World e Frank\u2019s Place, nos anos 80; The Fresh Prince of Bel-air (Um maluco no peda\u00e7o), nos anos 90; e recentemente, Everybody Hates Chris (Todo mundo odeia o Chris).<br \/>\n4\u00a0\u00a0 \u00a0Mais sobre esse assunto pode ser encontrado nas pesquisas de Fernanda Felisberto ou no mapeamento da Funda\u00e7\u00e3o Palmares, que resultou na publica\u00e7\u00e3o Africanidades e rela\u00e7\u00f5es raciais: insumos para pol\u00edticas p\u00fablicas na \u00e1rea do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil (2014).<br \/>\n5\u00a0\u00a0 \u00a0De autoria de Paulo Paim (PT-RS), o projeto previa o estabelecimento de cotas m\u00ednimas de parti\u00e7\u00e3o de negros, sendo 25% atores e figurantes dos programas de televis\u00e3o \u2013 extensiva aos elencos de pe\u00e7as de teatro \u2013 e de 40% nas pe\u00e7as publicit\u00e1rias apresentadas nas TVs e nos cinemas. O projeto foi arquivado em 2006.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>ARA\u00daJO, Joel Zito. O negro na dramaturgia, um caso exemplar da decad\u00eancia do mito da democracia racial brasileira. Revista Estudos Feministas, Florian\u00f3polis, v.16, n.3, p. 970-985, set.\/dez. 2008.<br \/>\nBHABHA, Homi K. A outra quest\u00e3o: o estere\u00f3tipo, a discrimina\u00e7\u00e3o e o discurso do colonialismo. In: ______. O local da cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.<br \/>\nFRANKENBERG, Ruth. The Social Construction of Whiteness: White Women, Race Matters [A constru\u00e7\u00e3o social da branquitude: mulheres brancas, ra\u00e7a importa]. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1995.<br \/>\nMARTINS, Carlos A. M. Racismo anunciado: o negro e a publicidade no Brasil, 2010.<br \/>\nORLANDI, Eni. As formas dos sil\u00eancios: no movimento dos sentidos. Campinas: Unicamp, 1997.<\/p>\n<p>Ana Claudia Mielke, coordenadora executiva do coletivo Intervozes, jornalista e mestre em ci\u00eancias da comunica\u00e7\u00e3o pela USP<\/p>\n<p><em>Publicado originalmente na revista Le Monde Diplomatique<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Ana Claudia Mielke H\u00e1 cerca de um ano a imagem do pequeno Matias Melqu\u00edades, fotografado pelos pais feliz da vida ao lado de um boneco do Finn, personagem de Star Wars, ganhava as redes sociais. 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