{"id":29046,"date":"2015-08-26T16:19:17","date_gmt":"2015-08-26T16:19:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29046"},"modified":"2015-08-30T18:50:52","modified_gmt":"2015-08-30T18:50:52","slug":"boa-parte-da-midia-abdicou-de-fazer-jornalismo-para-fazer-oposicao-politica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29046","title":{"rendered":"\u201cBoa parte da m\u00eddia abdicou de fazer jornalismo para fazer oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisador h\u00e1 d\u00e9cadas sobre o papel social da m\u00eddia, o professor aposentado da Universidade de Bras\u00edlia Ven\u00edcio Lima \u00e9 autor de v\u00e1rios livros sobre o assunto e segue refletindo sobre o comportamento dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, a necessidade de regula\u00e7\u00e3o do setor e o papel da comunica\u00e7\u00e3o alternativa e p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato &#8211; Temos visto uma cobertura cada vez mais parecida, especialmente da pol\u00edtica, nos ve\u00edculos da m\u00eddia hegem\u00f4nica. Apesar de pequenas diferen\u00e7as de linha editorial, parece haver uma homogeneiza\u00e7\u00e3o no tratamento de alguns temas, como na quest\u00e3o da crise e da opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Como voc\u00ea avalia esse comportamento? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ven\u00edcio Lima &#8211;<\/strong> Na verdade, n\u00e3o acho que constitui uma novidade. H\u00e1 muitos anos, em livro que publiquei com o Kucinski [\u201cDi\u00e1logos da perplexidade: reflex\u00f5es cr\u00edticas sobre a m\u00eddia\u201d], comentamos essa quest\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o homog\u00eanea da grande m\u00eddia. \u00c9 a ideia de que a grande m\u00eddia funciona como se tivesse um supraeditor, como se as principais not\u00edcias, a pauta, a narrativa, fossem cotidianamente editados por um super editor, que d\u00e1 a elas o mesmo enquadramento. Isso \u00e9 t\u00e3o verdadeiro que \u00e0s vezes as mesmas palavras aparecem reiteradamente, para os mesmos assuntos, para a mesma pauta, em diferentes ve\u00edculos. Isso n\u00e3o \u00e9 uma novidade, e expressa apenas o fato sabido e conhecido de que os oligop\u00f3lios privados de m\u00eddia no Brasil t\u00eam interesses comuns e defendem basicamente as mesmas propostas e s\u00e3o contra as mesmas propostas, projetos e pol\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>A que voc\u00ea atribui essa recente inflex\u00e3o em alguns ve\u00edculos, como a Folha e o Globo, na quest\u00e3o do golpe ou impecheament contra a presidenta? <\/strong><\/p>\n<p><strong>V.L. &#8211;<\/strong> \u00c9 uma quest\u00e3o delicada. Os grandes oligop\u00f3lios no Brasil t\u00eam, sobretudo o grupo Globo, historicamente conseguido se adaptar \u00e0s conjunturas e preservar seu interesse. E, correspondente a isso, o Estado brasileiro tamb\u00e9m historicamente n\u00e3o tem sido capaz de fazer prevalecer a natureza de servi\u00e7o p\u00fablico, sobretudo na radiodifus\u00e3o. Um observador como eu, sem acesso a fontes privilegiadas, sem v\u00ednculos com partidos ou nada do tipo, me valho da minha experi\u00eancia e dos dados p\u00fablicos. O que se sabe agora \u00e9 que houve uma reuni\u00e3o do secret\u00e1rio de comunica\u00e7\u00e3o da presid\u00eancia com os controladores do grupo Globo e, por ocasi\u00e3o de uma homenagem \u00e0 Globo no Senado, uma reuni\u00e3o com executivo do grupo e nove senadores do PT. Depois desses encontros, de fato observa-se uma inflex\u00e3o na cobertura pol\u00edtica e um posicionamento diferente com rela\u00e7\u00e3o ao impeachment da presidente. O que n\u00e3o se sabe \u00e9 se houve \u2013 e muito provavelmente houve \u2013 algum tipo de entendimento, de acordo. Como foi feito no passado, com outros governos, em outras situa\u00e7\u00f5es. O Estado brasileiro e qualquer grupo que temporariamente controlam sua m\u00e1quina t\u00eam sido incapazes de fazer prevalecer pol\u00edticas de interesse p\u00fablico e negociam com esses meios, que se tornam cada vez mais poderosos e mais capazes de fazer valer seus interesses. Depois saberemos melhor do que se trata. Vi especula\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o das frequ\u00eancias, utiliza\u00e7\u00e3o do chamado 4G, quest\u00f5es tecnol\u00f3gicas que o Estado tem poder, disputa entre os velhos grupos e operadoras&#8230; teremos que ver se se confirma a inflex\u00e3o e saberemos o que foi negociado. Mas certamente alguma coisa foi negociada.<\/p>\n<p><strong>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, por que os governos do PT n\u00e3o avan\u00e7aram na quest\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o do mercado de comunica\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p><strong>V.L. &#8211;<\/strong> Essa pergunta tem que ser feita aos governos do PT. Eu n\u00e3o consigo compreender. Houve momentos em que se acreditava que os governos petistas iam pelo menos propor uma atualiza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o, a regula\u00e7\u00e3o dos artigos que est\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o, que fossem encaminhar projetos ao Congresso. Isso ocorreu em diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina em que projetos democr\u00e1ticos chegaram ao poder, mas nada disso aconteceu no Brasil. Tenho dito que esses governos ca\u00edram numa armadilha de acreditar que seria poss\u00edvel que os oligop\u00f3lios de m\u00eddia apoiassem um projeto pol\u00edtico, com repercuss\u00e3o na economia, que beneficiasse as classes populares, que promovesse a inclus\u00e3o. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es seguras que durante muito tempo figuras importantes nos governos petistas acreditavam que era poss\u00edvel trazer o apoio desses oligop\u00f3lios para a execu\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas. Assim, a negocia\u00e7\u00e3o com eles, as verbas publicit\u00e1rias, empr\u00e9stimos etc, deveriam ser a prioridade da pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o do governo. Em detrimento da constru\u00e7\u00e3o de um sistema p\u00fablico de comunica\u00e7\u00e3o, como, ali\u00e1s, manda a Constitui\u00e7\u00e3o. Ao cair nessa armadilha, perderam-se as oportunidades hist\u00f3ricas de se fazer o que era necess\u00e1rio fazer e que n\u00e3o foi feito.<\/p>\n<p><strong>A partir da press\u00e3o da sociedade e tamb\u00e9m dada a virul\u00eancia desses meios hegem\u00f4nicos contra o governo do PT, voc\u00ea acredita que h\u00e1 possibilidade de avan\u00e7o na regula\u00e7\u00e3o neste segundo mandato da Dilma? <\/strong><\/p>\n<p><strong>V.L. &#8211;<\/strong> De novo, quem tem que responder s\u00e3o os agentes p\u00fablicos do governo, ou a pr\u00f3pria presidente. Posso dar uma reposta de observador que tem d\u00e9cadas que acompanha essas quest\u00f5es. Sou pessimista. N\u00e3o vejo no momento atual de crise pol\u00edtica e de dilui\u00e7\u00e3o completa da sustenta\u00e7\u00e3o parlamentar do governo possibilidades de avan\u00e7o. As condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o adversas para que se implemente algo nessa \u00e1rea. \u00c9 interessante observar que o discurso de regula\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da m\u00eddia, que fez parte da campanha eleitoral, que foi vocalizado diversas vezes pelo ministro das comunica\u00e7\u00f5es, desapareceu. N\u00e3o se fala mais nisso. Al\u00e9m disso, at\u00e9 mesmo medidas que poderiam e podem ser tomadas por diferentes setores do governo, que independem de aprova\u00e7\u00e3o parlamentar, n\u00e3o t\u00eam sido tomadas. Como, por exemplo, a revis\u00e3o de crit\u00e9rios das verbas oficias de publicidade e a fiscaliza\u00e7\u00e3o de arrendamento de emissoras. Coisas que fazem parte do papel do Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, em alguns casos, ou podem ser de decis\u00e3o pol\u00edtica da presid\u00eancia, medidas que poderiam ser tomadas independentes de aprova\u00e7\u00e3o do parlamento, que \u00e9 sabida e declaradamente de oposi\u00e7\u00e3o ao governo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea escreveu que n\u00e3o temos no pa\u00eds uma &#8220;narrativa p\u00fablica alternativa&#8221;. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, como os ve\u00edculos comunit\u00e1rios, sindicais e populares poderiam avan\u00e7ar para pautar a pluralidade de vozes e vis\u00f5es de mundo? <\/strong><\/p>\n<p><strong>V.L. &#8211;<\/strong> Tem uma quest\u00e3o hist\u00f3rica, na m\u00eddia alternativa brasileira, incluindo as TVs e r\u00e1dios comunit\u00e1rias, a m\u00eddia sindical, o sistema p\u00fablico de um modo geral, que \u00e9 a dificuldade de unificar sua narrativa. H\u00e1 avan\u00e7os, mas s\u00e3o ainda muito t\u00edmidos em rela\u00e7\u00e3o ao que seria necess\u00e1rio. Eu considero absolutamente cr\u00edtica a necessidade de apoio do governo ao sistema p\u00fablico de comunica\u00e7\u00e3o. A Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o, EBC, tem, a duras penas, tentado produzir uma alternativa de qualidade \u00e0 m\u00eddia comercial. Mas \u00e9 muito dif\u00edcil, porque a forma como a EBC est\u00e1 regulamentada depende de recursos n\u00e3o s\u00f3 do governo, mas de contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 radiodifus\u00e3o p\u00fablica, que inclusive vem sendo questionado na Justi\u00e7a. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o financeira dif\u00edcil. E mesmo a empresa conseguindo, em seus diferentes ve\u00edculos, produzir programas de boa qualidade, \u00e9 dif\u00edcil quebrar a in\u00e9rcia da audi\u00eancia, que h\u00e1 d\u00e9cadas \u00e9 dominada pela m\u00eddia comercial. A m\u00eddia p\u00fablica n\u00e3o consegue ser divulgada fora dela pr\u00f3pria e fica reduzida \u00e0 sua pequena audi\u00eancia. Acho que esta \u00e9 das possibilidades que devem ser apoiadas. Inclusive uma coisa que esquecemos \u00e9 que as pessoas que acreditam na necessidade de uma m\u00eddia alternativa \u00e0 comercial devem apoiar a TV p\u00fablica assistindo sua televis\u00e3o e ouvindo suas emissoras de r\u00e1dio.<\/p>\n<p><strong>Ao mesmo tempo em que assistimos ao fortalecimento da m\u00eddia comercial, aumenta o n\u00famero de demiss\u00f5es e se discute o futuro do jornalismo. O que se desenha para o cen\u00e1rio da comunica\u00e7\u00e3o hoje? <\/strong><\/p>\n<p><strong>V.L. &#8211;<\/strong> Essa n\u00e3o \u00e9 uma peculiaridade brasileira. \u00c9 algo que est\u00e1 acontecendo na sociedade contempor\u00e2nea e decorre de uma transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, cujos resultados n\u00e3o sabemos ainda. H\u00e1 uma nova gera\u00e7\u00e3o surgindo que n\u00e3o ter\u00e1 os mesmos h\u00e1bitos de consumo de m\u00eddia e isso j\u00e1 est\u00e1 claro, sobretudo no Brasil. E isso tem implica\u00e7\u00e3o para modelos de neg\u00f3cio. Mas sou daqueles que n\u00e3o compartilho o entusiasmo, muitas vezes acr\u00edtico, com rela\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que as novas tecnologias possibilitam. Os dados que temos no Brasil e no mundo confirmam que, apesar da transi\u00e7\u00e3o e das mudan\u00e7as de plataforma tecnol\u00f3gica, os grandes produtores de conte\u00fado continuam os velhos grupos da m\u00eddia tradicional. Pesquisas confirmam e isso \u00e9 visto junto a segmentos que acessam a internet, blogs e sites: os mais citados s\u00e3o da velha m\u00eddia. Esse quadro se repete nas redes sociais, \u00e0s quais 90% das pessoas que acessam a internet est\u00e3o vinculadas. Importante destacar que essas redes n\u00e3o s\u00e3o produtoras de conte\u00fado, elas distribuem conte\u00fado e facilitam a intera\u00e7\u00e3o. E o conte\u00fado distribu\u00eddo vem em grande medida dessa velha m\u00eddia.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da for\u00e7a de trabalho, tenho defendido h\u00e1 anos que as novas tecnologias n\u00e3o implicam na desqualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra. Ao contr\u00e1rio, ela tem ter que ser mais qualificada para sobreviver no mercado de distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. Essa gera\u00e7\u00e3o, embora embevecida com as redes, vai precisar de informa\u00e7\u00e3o de qualidade. Eu n\u00e3o posso ser exemplo, j\u00e1 tenho meus 70 anos, mas sou seletivo no dinheiro que gasto para receber informa\u00e7\u00e3o. Boa parte da m\u00eddia brasileira n\u00e3o me interessa porque abdicou de fazer jornalismo para fazer oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Quero informa\u00e7\u00e3o para compreender o mundo e me ajudar a tomar posi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o quero generalizar minha posi\u00e7\u00e3o, mas me parece que ser\u00e1 preciso uma qualifica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho para produzir informa\u00e7\u00e3o de qualidade. Isso j\u00e1 est\u00e1 ficando claro em alguns pa\u00edses do mundo. Mas ningu\u00e9m tem bola de cristal. Estamos claramente vivendo um momento de transi\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea iniciativas como o jornal Brasil de Fato, que chega aos dois anos em Minas Gerais? <\/strong><\/p>\n<p><strong>V.L. &#8211;<\/strong> Absolutamente fundamentais. Eu como indiv\u00edduo estou numa tentativa de lan\u00e7amento de um jornal popular aqui em Bras\u00edlia, como forma de furar o bloqueio da m\u00eddia comercial. \u00c9 muito importante n\u00e3o esperar que a grande m\u00eddia venha a ser aliada para projetos que beneficiem classes subalternas, nem aqui, nem em lugar nenhum. O Brasil \u00e9 exce\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina porque n\u00e3o conseguiu ter, nem na m\u00eddia impressa, nem eletr\u00f4nica, uma alternativa \u00e0 m\u00eddia comercial. Outros pa\u00edses t\u00eam essa constru\u00e7\u00e3o, como Argentina, M\u00e9xico, Bol\u00edvia. Acho fundamental, apoio como posso e cumprimento grupos que conseguem, com todas as dificuldades, produzir de alguma forma uma imprensa alternativa.<\/p>\n<p><em>Entrevista concedida a Joana Tavares, publicada em Brasil de Fato &#8211; www.brasildefato.com.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor Ven\u00edcio Lima exp\u00f5e opini\u00e3o sobre o comportamento dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, a necessidade de regula\u00e7\u00e3o do setor e o papel da comunica\u00e7\u00e3o alternativa e p\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1836,703,1833],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29046"}],"collection":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=29046"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29046\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29072,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29046\/revisions\/29072"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=29046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=29046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=29046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}