{"id":23044,"date":"2009-07-10T11:55:19","date_gmt":"2009-07-10T11:55:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23044"},"modified":"2009-07-10T11:55:19","modified_gmt":"2009-07-10T11:55:19","slug":"eleicoes-e-internet-os-limites-da-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23044","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es e internet: Os limites da liberdade"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">O <em>Estad&atilde;o <\/em>comeu mosca (&ldquo;C&acirc;mara libera internet na propaganda eleitoral&rdquo;), o <em>Globo<\/em> foi ao ponto (&ldquo;Regras para internet causam pol&ecirc;mica&rdquo;) e a <em>Folha <\/em>mandou ver (&ldquo;C&acirc;mara aprova lei eleitoral que limita cobertura on-line&rdquo;) no notici&aacute;rio da quinta-feira, 9, sobre a aprova&ccedil;&atilde;o, na v&eacute;spera, do projeto que reforma as regras eleitorais no pa&iacute;s. O projeto precisa ainda passar pelo Senado.<\/p>\n<p>O erro do <em>Estado <\/em>foi destacar a autoriza&ccedil;&atilde;o dada aos candidatos e partidos em campanha para fazer propaganda em seus sites, blogues, comunidades de relacionamento e ferramentas de envio de mensagens pessoais.<\/p>\n<p>Muito mais importantes s&atilde;o as normas de comportamento estabelecidas pelos deputados a todos quantos publicam na rede &ndash; dos chamados provedores de conte&uacute;do a blogueiros e internautas em geral.<\/p>\n<p>Delas se pode dizer, com certeza, que causam pol&ecirc;mica. Ou, menos certamente talvez, que limitam a &ldquo;cobertura&rdquo; das campanhas eleitorais.<\/p>\n<p>O ponto mais pol&ecirc;mico, do qual decorrem as limita&ccedil;&otilde;es, quaisquer que sejam, &eacute; a equipara&ccedil;&atilde;o da internet &agrave;s emissoras de r&aacute;dio e TV. Ali&aacute;s, pol&ecirc;mico &eacute; modo de falar. A equival&ecirc;ncia n&atilde;o se sustenta.<\/p>\n<p>Emissoras s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas. O Congresso, portanto, tem o direito de estipular o que podem e n&atilde;o podem fazer durante uma campanha eleitoral. Portais, sites, blogues etc etc s&atilde;o iniciativas que independem de permiss&atilde;o, autoriza&ccedil;&atilde;o ou concess&atilde;o oficial. Assim como jornais e revistas.<\/p>\n<p>Goste-se disso ou n&atilde;o, uma TV n&atilde;o pode promover debates apenas entre alguns candidatos, os mais bem situados nas pesquisas, que atraem o interesse da grande maioria dos eleitores. O formato e o n&uacute;mero de debatedores deve ser decidido de comum acordo com todos eles (como ainda &eacute;) ou com 2\/3 deles (como passar&aacute; a ser se o projeto votado na C&acirc;mara virar lei na forma atual).<\/p>\n<p>Um peri&oacute;dico impresso pode sabatinar ou confrontar quais e quantos candidatos queira &ndash; e arcar com o preju&iacute;zo para a sua credibilidade se a sua sele&ccedil;&atilde;o for patentemente facciosa. Assim tamb&eacute;m deveria ser na internet, n&atilde;o s&oacute; por uma quest&atilde;o de l&oacute;gica elementar, mas tamb&eacute;m porque o Tribunal Superior Eleitoral j&aacute; decidiu que o que vale para a m&iacute;dia impressa vale para a internet.<\/p>\n<p>A C&acirc;mara resolveu que os candidatos podem fazer propaganda paga em jornais e revistas, at&eacute; o limite de 10 an&uacute;ncios. Na internet, n&atilde;o.<\/p>\n<p>A C&acirc;mara resolveu que debates online podem ser realizados no per&iacute;odo da campanha, que come&ccedil;a no dia 5 de julho dos anos eleitorais. (Outra jabuticaba: as campanhas devem come&ccedil;ar quando os pol&iacute;ticos quiserem &ndash; ali&aacute;s, &eacute; o que sempre fazem; o hor&aacute;rio da propaganda gratuita &eacute; que tem data para ir ao ar.) Mas os debates t&ecirc;m que obedecer &agrave; regra dos 2\/3.<\/p>\n<p>&ldquo;O jornalismo na internet foi e sempre ser&aacute; permitido&rdquo;, argumenta o deputado Fl&aacute;vio Dino (PC do B-MA), relator do projeto. &ldquo;O que estamos propondo &eacute; que, al&eacute;m da liberdade, haja equidade.&rdquo; <\/p>\n<p>Vamos nos entender. A exig&ecirc;ncia de equidade restringe a liberdade de imprensa. Isso pode, ou n&atilde;o, se justificar. Mas que restringe, restringe &ndash; assim como toda interven&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico de combate &agrave;s desigualdades sociais &eacute; uma restri&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade econ&ocirc;mica absoluta.<\/p>\n<p>A C&acirc;mara resolveu implicitamente que a internet pode noticiar, comentar e analisar o desenrolar das campanhas. Mas, explicitamente, abre espa&ccedil;o para os candidatos alegar que a not&iacute;cia, o coment&aacute;rio e a an&aacute;lise s&atilde;o formas disfar&ccedil;ada de propaganda de seus advers&aacute;rios. Ou ainda, que foram injuriados, difamados ou caluniados por palavras ou imagens, tendo direito de resposta &ndash; a que se dar&aacute; o mesmo tamanho e pelo dobro do tempo no ar das mensagens tidas como injuriosas, difamat&oacute;rias ou caluniosas que, naturalmente, ter&atilde;o de ser suprimidas.<\/p>\n<p>A <em>Folha <\/em>entendeu que isso cerceia a &ldquo;cobertura&rdquo; online. No bem-produzido quadro &ldquo;Campanha limitada&rdquo;, o colunista Fernando Rodrigues escreve que &ldquo;as medidas ter&atilde;o efeito inibidor da liberdade de express&atilde;o na internet, cuja caracter&iacute;stica principal &eacute; o car&aacute;ter pessoal e irreverente de blogs e sites de pessoas f&iacute;sicas&rdquo;.<\/p>\n<p>E ainda, sobre o risco de interdi&ccedil;&atilde;o de sites, blogues e redes de relacionamento considerados transgressores, &ldquo;ser&aacute; imposs&iacute;vel haver liberdade de express&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o se for necess&aacute;rio evitar humor que possa eventualmente ridicularizar algum pol&iacute;tico&rdquo;.<\/p>\n<p>De novo, vamos nos entender. Quando for o caso e na dose certa, a cobertura da maioria dos fatos pode conter humor e irrever&ecirc;ncia. Mas, diferentemente do que se aplica &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es pessoais na internet, nem uma coisa nem a outra s&atilde;o &ldquo;caracter&iacute;sticas&rdquo; de uma reportagem &ndash; a express&atilde;o por excel&ecirc;ncia do que se entende por cobertura.<\/p>\n<p>Da&iacute; a d&uacute;vida se, por isso, a lei eleitoral em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso tolhe o acompanhamento jornal&iacute;stico de uma elei&ccedil;&atilde;o, como sustenta a Folha.<\/p>\n<p>J&aacute; no <em>Globo<\/em>, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) se insurge contra a regulamenta&ccedil;&atilde;o do tratamento das campanhas no que considera &ldquo;territ&oacute;rio livre, an&aacute;rquico, sem Estado&rdquo;. Ele observa que &ldquo;as san&ccedil;&otilde;es aos provedores resultar&atilde;o em censura dos conte&uacute;dos&rdquo;.<\/p>\n<p>Eles ser&atilde;o responsabilizados, por exemplo, se um internauta atacar um candidato ou levantar a bola de outro.<\/p>\n<p>A&iacute; entra a pergunta que retoma a quest&atilde;o das fronteiras da liberdade na internet: ela deve ser irrestrita?<\/p>\n<p>Muitos sites e blogues, como este, filtram os coment&aacute;rios recebidos, conforme crit&eacute;rios que s&atilde;o do conhecimento dos comentaristas e que basicamente tratam de preservar padr&otilde;es elementares de civilidade no debate online. O <em>Observat&oacute;rio da Imprensa<\/em>, por exemplo, adverte:<\/p>\n<p><em>&ldquo;Este &eacute; um espa&ccedil;o de di&aacute;logo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade de id&eacute;ias e pontos de vista. N&atilde;o ser&atilde;o publicados coment&aacute;rios com xingamentos e ofensas ou que incitem intoler&acirc;ncia ou crime. Os coment&aacute;rios devem ser pertinentes ao tema da mat&eacute;ria e aos debates que naturalmente surgirem. Evite vulgaridades e simplifica&ccedil;&otilde;es grosseiras. N&atilde;o escreva em mai&uacute;sculas: isso dificulta a leitura do texto e, na linguagem da internet, &eacute; interpretado como gritos. Mensagens que n&atilde;o atendam a estas normas ser&atilde;o deletadas, e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poder&atilde;o ter interrompido seu acesso a este f&oacute;rum.&rdquo;<br \/><\/em><br \/>Em outros pa&iacute;ses, vale tudo &ndash; embora a tend&ecirc;ncia seja de barrar os golpes abaixo da linha da cintura sob a forma de palavras que, por isso mesmo, devem se tornar impublic&aacute;veis. Sem falar nas incontrol&aacute;veis alega&ccedil;&otilde;es sem um fio de comprova&ccedil;&atilde;o de que fulano(a) &eacute; isso ou aquilo, e que se propagam, em sentido metaf&oacute;rico e literal, &agrave; velocidade da luz.<\/p>\n<p>A lama que rolou na blogosfera americana na &uacute;ltima campanha presidencial &ndash; com tiradas racistas e a invencionice de que Obama &eacute; um mu&ccedil;ulmano enrustido &ndash; foi qualquer coisa de pornogr&aacute;fico.<\/p>\n<p>Campanhas eleitorais est&atilde;o entre os eventos que notoriamente favorecem o transbordamento do esgoto humano. Sendo assim, a censura que o projeto de reforma eleitoral induzir&aacute; os provedores de conte&uacute;do a adotar e para a qual o deputado Miro Teixeira alerta parece justificada.<\/p>\n<p>Nem tudo que se pensa se deve escrever. Nem tudo que se escreve deve ser publicado. Nem tudo que se publica deve ficar impune. No caso particular de uma elei&ccedil;&atilde;o, h&aacute; mais: deixado &agrave; solta na internet, o rancor das disputas pol&iacute;ticas rebaixa a democracia e faz crescer a incivilidade que degrada as sociedades.<\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><em>* Luiz Weiss &eacute; jornalista, p&oacute;s-graduado em Ci&ecirc;ncias Sociais pela USP, onde lecionou Sociologia da Comunica&ccedil;&atilde;o; escreve no <\/em>Observat&oacute;rio da Imprensa<em> e no jornal <\/em>O Estado de S.Paulo.<\/span> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t- <\/p>\n\n \n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estad&atilde;o comeu mosca (&ldquo;C&acirc;mara libera internet na propaganda eleitoral&rdquo;), o Globo foi ao ponto (&ldquo;Regras para internet causam pol&ecirc;mica&rdquo;) e a Folha mandou ver (&ldquo;C&acirc;mara aprova lei eleitoral que limita cobertura on-line&rdquo;) no notici&aacute;rio da quinta-feira, 9, sobre a aprova&ccedil;&atilde;o, na v&eacute;spera, do projeto que reforma as regras eleitorais no pa&iacute;s. 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