{"id":22783,"date":"2009-05-15T15:48:19","date_gmt":"2009-05-15T15:48:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22783"},"modified":"2009-05-15T15:48:19","modified_gmt":"2009-05-15T15:48:19","slug":"confecom-um-marco-historico-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22783","title":{"rendered":"Confecom: um marco hist\u00f3rico para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em><span class=\"padrao\">Embora o governo federal tenha trabalhado com a quest&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional do Audiovisual (Ancinav) e do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) de uma forma que a sociedade n&atilde;o esperava, ele acaba de convocar a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom). Esse evento, que deve ocorrer em dezembro deste ano, &eacute; resultado de uma luta hist&oacute;rica da sociedade organizada. Esta espera que, a partir das discuss&otilde;es a serem feitas ao longo da organiza&ccedil;&atilde;o e da realiza&ccedil;&atilde;o da confer&ecirc;ncia, aconte&ccedil;a o surgimento de um marco regulat&oacute;rio justo para todos os brasileiros. At&eacute; que a Confer&ecirc;ncia aconte&ccedil;a, o s&iacute;tio do IHU (Instituo Humanitas Unisinos) abrir&aacute; espa&ccedil;o para se debater os temas que devem ser abordados no evento.<\/span><\/p>\n<p>A IHU On-Line conversou com o professor Val&eacute;rio Brittos sobre a realiza&ccedil;&atilde;o desta confer&ecirc;ncia. Segundo ele, a universidade tem um papel fundamental nesse processo. &ldquo;As universidades devem estar na confer&ecirc;ncia, fazer propostas, discutir com seus alunos, solicitar confer&ecirc;ncias locais. &Eacute; o momento em que a pr&oacute;pria universidade pode se sentir desafiada e cumprir o seu papel hist&oacute;rico&rdquo;, afirmou na entrevista, concedida pessoalmente.<\/p>\n<p>Val&eacute;rio Cruz Brittos &eacute; formado em Direito, pela Universidade Federal de Pelotas, e em Jornalismo, pela Universidade Cat&oacute;lica de Pelotas, com especializa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas. &Eacute; mestre em Comunica&ccedil;&atilde;o, pela PUCRS, e doutor em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura Contempor&acirc;nea, pela Universidade Federal da Bahia. Atualmente, &eacute; professor do PPG de Comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos e presidente da ULEPICC &ndash; Uni&atilde;o Latino-americana de Economia Pol&iacute;tica da Informa&ccedil;&atilde;o, Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura.<\/em><\/p>\n<p><strong>O que precisa estar em discuss&atilde;o durante a Confer&ecirc;ncia?<\/strong>            <\/p>\n<p class=\"padrao\">Eu espero que essa confer&ecirc;ncia seja o marco hist&oacute;rico que o Brasil precisa, ou seja, um espa&ccedil;o para se discutir o papel da m&iacute;dia. Al&eacute;m disso, espero que sua realiza&ccedil;&atilde;o possa evoluir para um arcabou&ccedil;o regulat&oacute;rio, capaz de fazer avan&ccedil;ar nos processos de regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, o que considero fundamental. Nesse sentido, minha expectativa &eacute; de que haja, ao mesmo tempo, um processo pr&eacute;vio de discuss&atilde;o. Isso j&aacute; ocorre, de certa forma, atrav&eacute;s de um conjunto de mecanismos alternativos, como o pr&oacute;prio IHU, o FNDC, o Intervozes. Mas, se n&atilde;o passar pela discuss&atilde;o na m&iacute;dia, o debate ficar&aacute; restrito. A discuss&atilde;o sobre sa&uacute;de, por exemplo, passa pela m&iacute;dia, havendo, ent&atilde;o, um outro n&iacute;vel de impacto. A fim de se atingir esse objetivo, o ideal seria que o governo pudesse liberar, previamente, uma pauta que fosse necessariamente midiatizada, para que a grande m&iacute;dia pudesse tratar desse tema, preparando a sociedade para debat&ecirc;-lo.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor v&ecirc; o interesse da grande m&iacute;dia nesse tipo de discuss&atilde;o?<br \/><\/strong><br \/>Em princ&iacute;pio, tradicionalmente, eles n&atilde;o t&ecirc;m muito interesse nesse tipo de discuss&atilde;o, pois uma confer&ecirc;ncia como essa, com o grau de representatividade que se espera que tenha, com participa&ccedil;&atilde;o da sociedade, n&atilde;o &eacute; o palco ideal no sentido dos interesses do mercado. A grande m&iacute;dia, normalmente, prefere discutir internamente, nos gabinetes do Legislativo e com o pr&oacute;prio Executivo, para poder contornar o mercado a partir dos seus pr&oacute;prios interesses, fazendo a legisla&ccedil;&atilde;o do seu jeito. Por isso, afirmo que precisa haver algum tipo de delibera&ccedil;&atilde;o que simule esse tipo de discuss&atilde;o.<\/p>\n<p>De qualquer forma, al&eacute;m desse debate pr&eacute;vio e do debate durante o desenvolvimento da confer&ecirc;ncia, o ideal &eacute; que se tenha (1) consequ&ecirc;ncias objetivas no plano material, que &eacute; justamente, na &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria ou alternativa; (2) uma chamada anistia para todas as emissoras de r&aacute;dio que foram fechadas e perseguidas porque n&atilde;o tinham outorga; (3) uma legisla&ccedil;&atilde;o que permita o funcionamento da comunica&ccedil;&atilde;o alternativa de forma mais ampla, com mais concess&otilde;es, processos mais &aacute;geis e com modelo de financiamento para eles; e (4) recursos, porque n&atilde;o adianta montar a confer&ecirc;ncia e n&atilde;o ter a possibilidade para sobreviver. Pode ser com recursos do pr&oacute;prio governo (que investe muito em publicidade) ou at&eacute; um fundo at&eacute; da publicidade comercial para a comunica&ccedil;&atilde;o alternativa. Ent&atilde;o, que se pense nisso, numa efetiva complementaridade do sistema privado, do sistema p&uacute;blico estatal e do sistema p&uacute;blico n&atilde;o estatal. Isso &eacute; fundamental.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso pensar, tamb&eacute;m, em mecanismos de controle do p&uacute;blico pelo privado, ou seja, que mesmo a comunica&ccedil;&atilde;o privada, estabelecida como neg&oacute;cio, possa ser rent&aacute;vel para aqueles que a controlam. Al&eacute;m disso, que ela traga dividendos sociais para o conjunto da sociedade, e exista controle p&uacute;blico sobre os atos da midiatiza&ccedil;&atilde;o. Controle p&uacute;blico sempre h&aacute;. No entanto, precisamos substituir o controle privado daquelas fam&iacute;lias que controlam uma empresa na quest&atilde;o espec&iacute;fica do midiatizar por algum n&iacute;vel de controle p&uacute;blico, com cria&ccedil;&atilde;o de conselhos, enfim. A expectativa acaba sendo muito grande. Num pa&iacute;s como o Brasil, onde a quest&atilde;o da m&iacute;dia sempre foi tratada como uma caixa-preta, decidida em gabinetes e corredores, a realiza&ccedil;&atilde;o de uma confer&ecirc;ncia nacional &eacute; um marco, um momento de maior import&acirc;ncia e assinala algum n&iacute;vel de mudan&ccedil;a.<\/p>\n<p><strong>Frente ao cen&aacute;rio de converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, o que precisa ser modificado na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira em rela&ccedil;&atilde;o aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o? Existe espa&ccedil;o para todos?<\/strong><\/p>\n<p>Espa&ccedil;o sempre houve, mesmo no anal&oacute;gico, embora o meio fosse menor. Agora, ao mesmo tempo, sem d&uacute;vida com a multiplica&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os existe, hoje, um grau de facilidade de ocupa&ccedil;&atilde;o deles. Mesmo com essa quest&atilde;o da digitaliza&ccedil;&atilde;o, h&aacute; dois aspectos que precisam ser considerados. Por um lado, n&atilde;o adianta apenas os meios alternativos terem acesso &agrave;s m&iacute;dias segmentadas espec&iacute;ficas. &Eacute; necess&aacute;rio, tamb&eacute;m, que os grandes espa&ccedil;os massificantes e massificados da produ&ccedil;&atilde;o de sentido se abram para a diversidade, como as grandes redes de televis&atilde;o, os grandes telejornais e jornais. Por outro lado, &eacute; preciso que mesmo os ve&iacute;culos alternativos tenham possibilidade de financiamento. Hoje, isso existe no Brasil apenas na base do voluntariado, mas &eacute; preciso que algo seja feito da melhor maneira para obter uma quantidade de p&uacute;blico grande, torn&aacute;-lo fiel. Atualmente, ele &eacute; educado para a grande m&iacute;dia e quer tamb&eacute;m um conjunto de c&oacute;digos que possa reconhecer e se reconhecer.<\/p>\n<p>No m&iacute;nimo h&aacute; 15 anos no Brasil, fala-se na necessidade de uma lei de comunica&ccedil;&atilde;o de massa. Eu diria que o C&oacute;digo Brasileiro na &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es, que vige o campo de radiodifus&atilde;o, tem mais de 40 anos. Claro que nessa &eacute;poca n&atilde;o existiam internet e outras possibilidades para a televis&atilde;o. Temos at&eacute; discutido, no &acirc;mbito do grupo Cepos, que o pr&oacute;prio conceito de televis&atilde;o hoje se transforma, pois ela pode trazer outros servi&ccedil;os e, ao mesmo tempo, ser disponibilizada em outras plataformas tecnol&oacute;gicas. Tudo isso n&atilde;o est&aacute; contemplado na lei das comunica&ccedil;&otilde;es. O Brasil precisa de uma grande lei. Eu nem chamaria de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica. Antes de tudo, o pa&iacute;s necessita de uma grande lei de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. E, a partir, da&iacute; criar uma grande c&oacute;digo que d&ecirc; conta dessa diversidade. Essa lei deve criar fatos novos e fazer proposi&ccedil;&otilde;es, assim como regulamentar quest&otilde;es j&aacute; existentes.<\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; o papel das universidades dentro desse processo de &ldquo;repensar a comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;?<br \/><\/strong><br \/>A universidade, seja estatal, federal ou privada, tem um papel fundamental e acho que esse &eacute; seu momento de reafirmar seu papel de compromisso p&uacute;blico. Todas t&ecirc;m um compromisso p&uacute;blico hist&oacute;rico, o que precisa ser refor&ccedil;ado, na medida em que as atitudes mostram a vincula&ccedil;&atilde;o social &ndash; fun&ccedil;&atilde;o social com os interesses do pa&iacute;s &ndash; por parte dos seus cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Deve haver provoca&ccedil;&atilde;o para o debate junto aos seus alunos, al&eacute;m da comunidade, fazendo essa rela&ccedil;&atilde;o da sociedade com a comunidade universit&aacute;ria. Elas devem fazer propostas, discutir com seus alunos, solicitar confer&ecirc;ncias locais. &Eacute; o momento em que a pr&oacute;pria universidade pode se sentir desafiada e cumprir o seu papel hist&oacute;rico.<\/p>\n<p><strong>O governo resistiu bastante para anunciar a Confer&ecirc;ncia Nacional de comunica&ccedil;&atilde;o. Que papel ele deve ter nesse evento?<\/strong><\/p>\n<p>Haver uma confer&ecirc;ncia de comunica&ccedil;&atilde;o, sabendo que a comunica&ccedil;&atilde;o sempre foi tratada de forma privada e que os empres&aacute;rios pressionam para que ela n&atilde;o seja discutida e n&atilde;o seja mudada, &eacute; um marco hist&oacute;rico, embora tenha sa&iacute;do somente no segundo mandato do governo Lula. Ou seja, apesar do hist&oacute;rico que o Brasil tem da n&atilde;o-discuss&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, existir uma confer&ecirc;ncia &eacute; um fato de grande import&acirc;ncia. Nesse sentido, apesar do grau de contrariedade que &eacute; o governo Lula, ele quebra um paradigma, acaba sendo ousado e merece ter uma considera&ccedil;&atilde;o. Ali&aacute;s, toda essa contrariedade se expressa nisso. Esse &eacute; o mesmo governo que cedeu ao padr&atilde;o japon&ecirc;s de TV digital, que n&atilde;o era o que a comunidade queria. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m &eacute; o mesmo que n&atilde;o avan&ccedil;ou no conselho federal de jornalismo, uma luta hist&oacute;rica da classe, nem avan&ccedil;ou na lei do audiovisual. Ainda assim, criou, com todas as imperfei&ccedil;&otilde;es que tem, a TV Brasil, uma TV p&uacute;blica, de que o pa&iacute;s precisa. Desta forma, o governo j&aacute; teve um papel fundamental ao convocar essa confer&ecirc;ncia e segue tendo, ao liberar recursos necess&aacute;rios, criando situa&ccedil;&otilde;es para que o debate aconte&ccedil;a. E, depois, continuar&aacute; tendo papel importante, sendo perme&aacute;vel para que as decis&otilde;es da confer&ecirc;ncia venham a se transformar em marco regulat&oacute;rio efetivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador fala sobre a import\u00e2ncia hist\u00f3rica da Confer\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1027],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22783"}],"collection":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22783"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22783\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}