{"id":22219,"date":"2008-12-03T20:47:03","date_gmt":"2008-12-03T20:47:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22219"},"modified":"2008-12-03T20:47:03","modified_gmt":"2008-12-03T20:47:03","slug":"novo-conceito-juridico-para-sistema-privado-de-tv","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22219","title":{"rendered":"Novo conceito jur\u00eddico para sistema privado de TV"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">A Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI), da C&acirc;mara dos Deputados, realizou na quinta-feira (27\/11) a primeira audi&ecirc;ncia p&uacute;blica de sua hist&oacute;ria com o tema &quot;Debate sobre os atos do Poder Executivo que renovam as outorgas das concess&otilde;es de servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o&quot;, atendendo a requerimento apresentado em agosto passado pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e pelo deputado Walter Pinheiro (PT-BA).<\/p>\n<p>Na verdade, essa audi&ecirc;ncia &eacute; uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias do Ato Normativo n&ordm;1\/2007, que institui novas regras para a aprecia&ccedil;&atilde;o dos processos de outorga e de renova&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o na CCTCI, em vigor desde 1&ordm; de julho de 2007.<\/p>\n<p>Foram convidados representantes do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (Minicom); da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es; do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o; de tr&ecirc;s associa&ccedil;&otilde;es de radiodifusores: Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Abert), Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores e Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o, Tecnologia e Telecomunica&ccedil;&otilde;es; representantes da sociedade civil (Intervozes e Abra&ccedil;o) e da Universidade de Bras&iacute;lia (Lapcom, Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o).<\/p>\n<p><strong>Marco regulat&oacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida: a realiza&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia &eacute;, em si mesmo, um fato auspicioso. At&eacute; aqui, as outorgas e renova&ccedil;&otilde;es de concess&otilde;es sempre foram quase autom&aacute;ticas, simplesmente &quot;passavam&quot; pela CCTCI sem que qualquer avalia&ccedil;&atilde;o de m&eacute;rito fosse realizada. Isso fez com que os concession&aacute;rios de radiodifus&atilde;o se comportassem como &quot;propriet&aacute;rios&quot; e n&atilde;o apenas &quot;curadores&quot; desse servi&ccedil;o p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Na audi&ecirc;ncia, o Minicom e os representantes das concession&aacute;rias alegaram que o principal problema relacionado &agrave;s concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o &eacute; a burocracia. Nenhum outro servi&ccedil;o p&uacute;blico no Brasil enfrentaria um tr&acirc;mite burocr&aacute;tico com a complexidade exigida na radiodifus&atilde;o. Da&iacute; porque o Minicom anuncia a contrata&ccedil;&atilde;o, no pr&oacute;ximo ano, de uma consultoria da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas para simplificar e agilizar o processo.<\/p>\n<p>Os representantes da sociedade civil, por outro lado, fizeram o &quot;dever de casa&quot; e apresentaram v&aacute;rias propostas concretas tanto de crit&eacute;rios para novas outorgas e renova&ccedil;&otilde;es de concess&otilde;es como para a inadi&aacute;vel elabora&ccedil;&atilde;o de um marco regulat&oacute;rio para o setor.<\/p>\n<p><strong>Sem responsabilidade p&uacute;blica<\/strong><\/p>\n<p>A novidade da audi&ecirc;ncia, no entanto, foi a introdu&ccedil;&atilde;o &ndash; aparentemente despretensiosa &ndash; de uma tese que, mesmo sem ser advogado, ouso afirmar, constitui uma in&eacute;dita e perigosa inova&ccedil;&atilde;o na regula&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Ao reagir a propostas que incluem o &quot;interesse p&uacute;blico&quot; como crit&eacute;rio para avalia&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias, o representante da Abert estabeleceu uma diferen&ccedil;a entre as responsabilidades dos tr&ecirc;s sistemas previstos na Constitui&ccedil;&atilde;o &ndash; privado, p&uacute;blico e estatal. Disse ele: &quot;Os concession&aacute;rios comerciais n&atilde;o precisam atender todo o p&uacute;blico, uma vez que pertencem ao sistema privado&quot;. Vale dizer, aqueles que t&ecirc;m responsabilidades com o atendimento do &quot;interesse p&uacute;blico&quot; s&atilde;o os sistemas p&uacute;blico e estatal; o sistema privado atende aos seus pr&oacute;prios interesses e, claro, aos interesses do mercado.<\/p>\n<p>A tese que desobriga os concession&aacute;rios privados a atender ao &quot;interesse p&uacute;blico&quot; j&aacute; havia aparecido para justificar a &quot;inconstitucionalidade&quot; da exig&ecirc;ncia de transmiss&atilde;o do programa Voz do Brasil. Artigo recente, publicado no caderno &quot;Direito e Justi&ccedil;a&quot; do Correio Braziliense (&quot;Inconstitucionalidade da Voz do Brasil&quot;, 24\/11\/2008, p&aacute;g. 3), afirma:<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>&quot;Entende-se que prevalece a liberdade empresarial da concession&aacute;ria em escolher retransmitir ou n&atilde;o a Voz do Brasil, ao inv&eacute;s da imposi&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria. Isso porque a Constitui&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e a complementaridade entre os setores de radiodifus&atilde;o privado, p&uacute;blico e estatal, o que, evidentemente, implica a harmonia e o equil&iacute;brio entre eles. Por que a Uni&atilde;o n&atilde;o se vale de seus pr&oacute;prios meios de comunica&ccedil;&atilde;o se pretende divulgar as a&ccedil;&otilde;es dos tr&ecirc;s poderes republicanos? Ela deve utilizar o sistema de radiodifus&atilde;o estatal e n&atilde;o o privado&quot; <a href=\"http:\/\/www.fndc.org.br\/internas.php?p=noticias&amp;cont_key=310350\" target=\"_blank\">(dispon&iacute;vel aqui)<\/a> .<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">O que n&atilde;o se sabia &eacute; ser tamb&eacute;m essa a posi&ccedil;&atilde;o da maior associa&ccedil;&atilde;o de concession&aacute;rias de radiodifus&atilde;o privada brasileira, a Abert, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s responsabilidades de seus membros no atendimento ao &quot;interesse p&uacute;blico&quot;.<\/p>\n<p><strong>Dif&iacute;cil de acreditar<\/strong><\/p>\n<p>Ao exigir a observ&acirc;ncia do princ&iacute;pio da complementaridade entre os sistemas privado, p&uacute;blico e estatal para outorga e renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o (artigo 223), o constituinte tinha como objetivo corrigir o inquestion&aacute;vel desequil&iacute;brio hist&oacute;rico existente entre esses sistemas, com a &oacute;bvia hegemonia do sistema privado.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a Constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o faz qualquer distin&ccedil;&atilde;o entre os sistemas privado, p&uacute;blico ou estatal quando se trata da produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o de seu conte&uacute;do. A prova disso est&aacute; no artigo 221 que define os crit&eacute;rios a serem atendidos por todas as emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o. Reza o texto:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;A produ&ccedil;&atilde;o e a programa&ccedil;&atilde;o das emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o atender&atilde;o aos seguintes princ&iacute;pios: prefer&ecirc;ncia a finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas; promover a cultura nacional e regional e estimular a produ&ccedil;&atilde;o independente que objetive sua divulga&ccedil;&atilde;o; obedecer aos princ&iacute;pios da regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e jornal&iacute;stica e do respeito aos valores &eacute;ticos e sociais da pessoa e da fam&iacute;lia&quot;.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">A tese agora defendida pela Abert, portanto, contraria claramente a norma constitucional em vigor.<\/p>\n<p>Dessa forma, aqueles interessados em preservar o &quot;interesse p&uacute;blico&quot; como crit&eacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o para o desempenho dos concession&aacute;rios dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de radiodifus&atilde;o devem colocar &quot;as barbas de molho&quot;. Est&aacute; em gesta&ccedil;&atilde;o nos laborat&oacute;rios jur&iacute;dicos do pa&iacute;s um novo conceito: o concession&aacute;rio privado de radiodifus&atilde;o n&atilde;o tem qualquer responsabilidade de atender ao &quot;interesse p&uacute;blico&quot;. Isso &eacute; tarefa exclusiva dos sistemas estatal e p&uacute;blico.<\/p>\n<p>&Eacute; dif&iacute;cil de acreditar, mas &eacute; verdade.<br \/><span class=\"padrao\"><br \/><em>* Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de <em>A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006<\/em> (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007).<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI), da C&acirc;mara dos Deputados, realizou na quinta-feira (27\/11) a primeira audi&ecirc;ncia p&uacute;blica de sua hist&oacute;ria com o tema &quot;Debate sobre os atos do Poder Executivo que renovam as outorgas das concess&otilde;es de servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o&quot;, atendendo a requerimento apresentado em agosto passado pela deputada Luiza &hellip; <a href=\"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22219\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Novo conceito jur\u00eddico para sistema privado de TV<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22219"}],"collection":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22219"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22219\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}