{"id":22213,"date":"2008-12-03T19:36:28","date_gmt":"2008-12-03T19:36:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22213"},"modified":"2008-12-03T19:36:28","modified_gmt":"2008-12-03T19:36:28","slug":"juiz-condena-daniel-dantas-a-10-anos-de-prisao-por-corrupcao-ativa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22213","title":{"rendered":"Juiz condena Daniel Dantas a 10 anos de pris\u00e3o por corrup\u00e7\u00e3o ativa"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p class=\"western padrao\">O juiz federal Fausto De Sanctis, da 6&ordf; Vara Criminal Federal Especializada em Crimes Financeiros e Lavagem de Diheiro, condenou, nesta ter&ccedil;a-feira (2) o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, a dez anos de pris&atilde;o pelo crime de corrup&ccedil;&atilde;o ativa. Dantas &eacute; acusado de tentar subornar o delegado da Pol&iacute;cia Federal, Victor Hugo Rodrigues, para ter seu nome exclu&iacute;do das investiga&ccedil;&otilde;es da Opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m foram condenados o assessor de Dantas, Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom, e o consultor Hugo Chicaroni, ambos a sete anos de pris&atilde;o, por terem cumprido o papel de intermedi&aacute;rios na oferta de suborno, quando ofereceram US$ 1 milh&atilde;o ao delegado para excluir o nome de Dantas da investiga&ccedil;&atilde;o que estava em curso. Os tr&ecirc;s poder&atilde;o recorrer da decis&atilde;o em liberdade, uma vez que o juiz n&atilde;o expediu mandado de pris&atilde;o contra eles.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das senten&ccedil;as de pris&atilde;o, o juiz tamb&eacute;m aplicou multa aos tr&ecirc;s, por danos causados &agrave; sociedade. Dantas foi condenado a pagar R$ 12 milh&otilde;es, Chicaroni, R$ 494 mil, e Humberto Braz, R$ 1,5 milh&atilde;o. Essas quantias ser&atilde;o revertidas para entidades beneficentes.<\/p>\n<p><strong>Para defesa, processo &eacute; nulo<br \/><\/strong><br \/>O advogado de defesa de Dantas, N&eacute;lio Machado, divulgou nota oficial informando que pediu a anula&ccedil;&atilde;o do julgamento. Para ele, o processo &eacute; &ldquo;absolutamente nulo&rdquo;. A nota afirma: &ldquo;N&atilde;o houve o crime atribu&iacute;do ao meu constituinte; sua defesa foi cerceada, as provas s&atilde;o fraudadas e o magistrado impediu a per&iacute;cia indispens&aacute;vel &agrave; demonstra&ccedil;&atilde;o da improced&ecirc;ncia da acusa&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, N&eacute;lio Machado coloca sob suspei&ccedil;&atilde;o o trabalho do juiz De Sanctis: &quot;O magistrado (&#8230;) acabou agindo exatamente como se esperava. Sua inclina&ccedil;&atilde;o (pela condena&ccedil;&atilde;o) era p&uacute;blica e not&oacute;ria. Todos j&aacute; sabiam do inevit&aacute;vel desfecho diante de um juiz suspeito&quot;. O processo, acrescentou, desprezou &ldquo;den&uacute;ncias de pr&aacute;ticas abusivas e ilegais evidenciadas tamb&eacute;m pela participa&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia (Abin) que n&atilde;o tem nenhuma atribui&ccedil;&atilde;o constitucional ou legal para atuar em investiga&ccedil;&atilde;o penal.<\/p>\n<p><strong>Juiz recha&ccedil;a argumentos da defesa<br \/><\/strong><br \/>Ap&oacute;s anunciar a senten&ccedil;a, De Sanctis elogiou a conduta &eacute;tica que marcou o trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o dos policiais federais e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico na coleta das provas que permitiram a condena&ccedil;&atilde;o do banqueiro e de seus dois assessores. &ldquo;Perseguiram e honraram os cargos que ocupam n&atilde;o se deixando seduzir por sentimento de poder que transforma o ser em coisa. Adequaram-se &agrave; boa natureza, &agrave; ordem natural das coisas&rdquo;, afirmou o magistrado. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, recha&ccedil;ou os argumentos da defesa do banqueiro, para quem o delegado Prot&oacute;genes Queiroz (que chefiava a Opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha) teria forjado um flagrante ao constatar que a investiga&ccedil;&atilde;o de crimes financeiros n&atilde;o resultaria em provas contra o acusado.<\/p>\n<p>Segundo ele, &ldquo;restou claro o interesse direto de Daniel Valente Dantas, j&aacute; que toda orquestra&ccedil;&atilde;o dos co-r&eacute;us objetivou a sua exclus&atilde;o, ou ainda de sua irm&atilde;, Ver&ocirc;nica Valente Dantas, e de um outro familiar, de investiga&ccedil;&atilde;o policial levada a efeito perante a Pol&iacute;cia Federal no Estado de S&atilde;o Paulo para apura&ccedil;&atilde;o de crimes econ&ocirc;micos, lavagem de dinheiro e organiza&ccedil;&atilde;o criminosa&rdquo;.<\/p>\n<p>De Sanctis acrescentou: &ldquo;A intermedia&ccedil;&atilde;o de Hugo S&eacute;rgio Chicaroni evitou qualquer contato direto entre Daniel Dantas e as autoridades policiais, numa clara demonstra&ccedil;&atilde;o de que este acusado cercava-se de todos os cuidados para evitar sua vincula&ccedil;&atilde;o a qualquer ato il&iacute;cito&rdquo;. Ao defender a senten&ccedil;a e o trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o, o magistrado tamb&eacute;m alfinetou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que concedeu dois habeas corpus ao banqueiro e amea&ccedil;ou processar De Sanctis por um suposto atropelo da lei: &quot;N&atilde;o se trata de estar acima do bem e do mal, muito menos de &#39;atropelar&#39; a lei como propagam os acusados em seus Memoriais e em v&aacute;rios Habeas Corpus&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>MP Federal quer pena maior<br \/><\/strong><br \/>Numa a&ccedil;&atilde;o autorizada judicialmente, a PF registrou contatos telef&ocirc;nicos e encontros nos quais Braz e Chicarone disseram que a propina poderia chegar a R$ 1 milh&atilde;o e nos quais foram entregues quase R$ 130 mil ao delegado Victor Hugo. Quando a opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha foi deflagrada, em 8 de julho, a PF apreendeu R$ 1.180.650,00 no apartamento de Chicaroni. Segundo depoimento do r&eacute;u em ju&iacute;zo, R$ 865 mil do total apreendido seriam destinados ao suborno e teriam sido remetidos por emiss&aacute;rios do Opportunity.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, a condena&ccedil;&atilde;o de Dantas e dos demais envolvidos com o suborno ao policial &ldquo;traz justi&ccedil;a e demonstra que a corrup&ccedil;&atilde;o era comum no universo do banqueiro&rdquo;. No entanto, o procurador Rodrigo de Grandis discordou da dosagem da pena estabelecida pelo juiz e poder&aacute; recorrer nos pr&oacute;ximos dias, pedindo o aumento das penas. &ldquo;Dantas foi o mandante do crime e entendo que ele poderia ter sido condenado a pena m&aacute;xima. Os acusados demonstraram desprezo &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas ao oferecer propina a um delegado de Pol&iacute;cia Federal&rdquo;, justificou. <\/p>\n<p>Apesar de j&aacute; ter sido investigado v&aacute;rias vezes, esta &eacute; a primeira condena&ccedil;&atilde;o criminal do banqueiro. Al&eacute;m da a&ccedil;&atilde;o penal que responde na Justi&ccedil;a, Dantas &eacute; alvo de um inqu&eacute;rito policial por v&aacute;rios crimes a frente do Opportunity, como gest&atilde;o fraudulenta e lavagem de dinheiro. Al&eacute;m do processo com senten&ccedil;a de primeira inst&acirc;ncia e do inqu&eacute;rito policial, a Opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha, da Pol&iacute;cia Federal, investiga num segundo inqu&eacute;rito atividades ilegais do ex-megainvestidor Naji Nahas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O juiz federal Fausto De Sanctis, da 6&ordf; Vara Criminal Federal Especializada em Crimes Financeiros e Lavagem de Diheiro, condenou, nesta ter&ccedil;a-feira (2) o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, a dez anos de pris&atilde;o pelo crime de corrup&ccedil;&atilde;o ativa. 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