{"id":22206,"date":"2008-12-01T19:18:31","date_gmt":"2008-12-01T19:18:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22206"},"modified":"2008-12-01T19:18:31","modified_gmt":"2008-12-01T19:18:31","slug":"economia-em-rede-e-a-industria-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22206","title":{"rendered":"Economia em rede e a ind\u00fastria da cultura"},"content":{"rendered":"<p><em>No debate sobre direitos autorais e propriedade industrial, os criadores e o p&uacute;blico s&atilde;o o centro do debate e n&atilde;o se pode desviar a aten&ccedil;&atilde;o para os intermedi&aacute;rios. A vis&atilde;o &eacute; de Marcelo D&acute;Elia Branco, um hist&oacute;rico ativista do software livre no Brasil e atualmente coordenador da Associa&ccedil;&atilde;o Softwarelivre.org. Durante o &quot;Semin&aacute;rio Internacional sobre Direito Autoral&quot;, Marcelo concedeu esta entrevista para a F&oacute;rum, onde afirma que j&aacute; vivemos uma sociedade de rede e que o pa&iacute;s precisa de uma reforma na Lei de Direitos Autorais para legitimar e legalizar pr&aacute;ticas sociais importantes para o desenvolvimento e para a criatividade do nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Confira a entrevista.<br \/><\/em><br \/><strong>Como a comunidade de software livre est&aacute; contribuindo para o debate sobre direitos autorais e as novas tecnologias?<\/strong><br \/>A comunidade de software livre foi a primeira na internet e a mais numerosa, ent&atilde;o foi a primeira comunidade a conviver com as novas formas de relacionamento proporcionadas pela revolu&ccedil;&atilde;o digital e &eacute; exatamente por isso que ela tem uma contribui&ccedil;&atilde;o importante neste cen&aacute;rio. Mas &eacute; obvio que o modelo de neg&oacute;cio do software livre, do linux, ser&aacute; para todos os bens da sociedade, seja culturais, seja o que for. A id&eacute;ia de que o conhecimento tem que ser compartilhado; de que a inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; dentro de nenhuma negocia&ccedil;&atilde;o, mas fora dela; de que a sociedade esta conectada em rede, portanto &eacute; necess&aacute;rio aproveitar os potenciais inovadores de colabora&ccedil;&atilde;o. Enfim, a id&eacute;ia original do software livre ser&aacute; a de toda a sociedade daqui em diante. H&aacute; 20 anos, mesmo antes da internet existir, j&aacute; era feito este debate. A internet viabilizou o novo modelo para o software, e deve viabilizar tamb&eacute;m para produ&ccedil;&atilde;o cultural e novos modelos da produ&ccedil;&atilde;o industrial.<\/p>\n<p><strong>Quanto &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es e adequa&ccedil;&otilde;es da lei de direitos autorais no Brasil, como garantir que haja altera&ccedil;&otilde;es?<\/strong><br \/>Espero que exista altera&ccedil;&atilde;o [na lei] e a iniciativa do MinC [Minist&eacute;rio da Cultura] em debater com a sociedade &eacute; uma iniciativa bastante importante, porque do outro lado est&aacute; o lobby das industrias fonogr&aacute;fica, cinematogr&aacute;fica, dos softwares privativos e das grandes companhias telef&ocirc;nicas que enxergam a internet e esse novo modelo como amea&ccedil;a. [Por isso,] precisam barrar e bloquear a inova&ccedil;&atilde;o com leis restritivas de copyright. E justamente por tudo isso, o debate sobre a lei dos direitos autorais no Brasil &eacute; importante. Precisamos fazer uma altera&ccedil;&atilde;o positiva e n&atilde;o uma reforma que coloque mais restri&ccedil;&otilde;es. Precisamos de uma que legitime e legalize pr&aacute;ticas sociais importantes para o desenvolvimento e para a criatividade do nosso pa&iacute;s<br \/><strong><br \/>In&uacute;meras iniciativas internacionais e at&eacute; nacionais, por parte dos Estados ou de empresas, querem barrar a chamada pirataria. Qual sua opini&atilde;o sobre aparelhos eletr&ocirc;nicos para identificar produtos piratas e o caso da Espanha, que elaborou e colocou em pr&aacute;tica uma ferrenha pol&iacute;tica de arrecada&ccedil;&atilde;o e controle dos direitos autorais?<\/strong><br \/>A ind&uacute;stria amea&ccedil;ada pela nova realidade da internet, a ind&uacute;stria intermedi&aacute;ria que silenciou &ndash; estou falando em Hollywood, ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica, grandes editoras e agora as grandes operadoras de telecomunica&ccedil;&atilde;o &ndash; precisam conter o avan&ccedil;o da internet e das novas formas de relacionamento colocando restri&ccedil;&otilde;es, como os chips de controle que obrigam o consumidor, ao adquirir um DVD ou um CD, a s&oacute; tocarem em determinados aparelhos. H&aacute; tamb&eacute;m as restri&ccedil;&otilde;es na base do software DRN, que controla e vigia as c&oacute;pias de distribui&ccedil;&atilde;o. Tudo isso tamb&eacute;m se manifesta na legisla&ccedil;&atilde;o. A Espanha &eacute; o pior exemplo em que poder&iacute;amos nos inspirar, porque tem uma entidade arrecadadora chamada SGAE, que seria o ECAD espanhol, que hoje arrecada milh&otilde;es e milh&otilde;es de dol&aacute;res a partir da venda de dispositivos eletr&ocirc;nicos em diretos autorais. Esse modelo de compensa&ccedil;&atilde;o da c&oacute;pia privada instituiu na Espanha o emponderamento do SGAE, que hoje tem poder pol&iacute;tico de indicar ministros e secret&aacute;rios em todas as prov&iacute;ncias do pa&iacute;s. Ou seja, foi dado um poder para a entidade arrecadadora que n&atilde;o queremos no Brasil. Isso tudo criou um falso conflito entre artistas e comunidade de internet. Virou rotineiro assistir representantes da SGAE demonizando a internet e as novas pr&aacute;ticas sociais que surgiram na rede e se colocando como representantes leg&iacute;timos dos autores e dos criadores. A realidade &eacute; que a Espanha vive hoje um dilema, uma polariza&ccedil;&atilde;o entre artistas e internautas. E acredito que isso n&atilde;o aconte&ccedil;a no Brasil, os artistas sempre tiveram uma boa rela&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico, com o movimento alternativo e esse modelo que gera e estimula o conflito entre uso compartilhado das redes de colabora&ccedil;&atilde;o da internet, uso de distribui&ccedil;&atilde;o da cultura atrav&eacute;s das redes P2P [peer to peer] de relacionamento n&atilde;o &eacute; positivo nem para a classe art&iacute;stica, nem para os criadores e muito menos para a popula&ccedil;&atilde;o que se movimenta pela internet.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; acha que alternativas aos modelos tradicionais de neg&oacute;cios s&atilde;o vi&aacute;veis?<\/strong><br \/>Na realidade, na era industrial, s&oacute; t&iacute;nhamos um &uacute;nico modelo e mesmo o produtor, criador e artista alternativo, reproduzia-o de forma independente e esbarrava no monop&oacute;lio de distribui&ccedil;&atilde;o. Acredito que, na sociedade em rede, haver&aacute; muitos modelos e a capacidade de inovar na distribui&ccedil;&atilde;o e na difus&atilde;o &eacute; a realidade agora. As licen&ccedil;as Creative Commons s&atilde;o uma das alternativas, porque v&atilde;o de licen&ccedil;as menos restritivas at&eacute; as mais restritivas, e o pr&oacute;prio produtor escolhe qual a melhor forma para ele. Al&eacute;m de eliminar bastante o papel do intermedi&aacute;rio, a aposta &eacute; no produtor cultural. &Eacute; disso que o artista, o escritor e o m&uacute;sico precisam. A distribui&ccedil;&atilde;o vive do monop&oacute;lio e tem um papel parasita no mercado. Existem muitas outras iniciativas como o &quot;um d&oacute;lar por can&ccedil;&atilde;o&quot;, libera&ccedil;&atilde;o parcial dos CDs, a criatividade de ter um modelo novo &eacute; uma forma de ser vencedor nesse novo cen&aacute;rio. Essa id&eacute;ia de um &uacute;nico modelo est&aacute; superada na sociedade em rede. Vamos ter muitos modelos que garantam a sobreviv&ecirc;ncia dos criadores, dos artistas, m&uacute;sicos. Os criadores e o p&uacute;blico s&atilde;o o centro do debate e n&atilde;o podemos desviar a aten&ccedil;&atilde;o para os intermedi&aacute;rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretor da Associa\u00e7\u00e3o Software Livre fala de tecnologias e direito autoral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[925],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22206"}],"collection":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22206\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}