{"id":22185,"date":"2008-11-27T16:39:40","date_gmt":"2008-11-27T16:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22185"},"modified":"2014-09-07T02:57:36","modified_gmt":"2014-09-07T02:57:36","slug":"subcomissao-mira-parlamentares-donos-de-radio-e-tv","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22185","title":{"rendered":"Subcomiss\u00e3o mira parlamentares donos de r\u00e1dio e TV"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Se depender dos pr&oacute;ximos passos planejados pela Subcomiss&atilde;o de Radiodifus&atilde;o da C&acirc;mara, deputados e senadores n&atilde;o poder&atilde;o mais ser donos ou s&oacute;cios de r&aacute;dios e TVs em todo o pa&iacute;s. A presidente da subcomiss&atilde;o, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), confirmou ao Congresso em Foco que vai propor uma emenda constitucional ou at&eacute; mesmo uma A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) para fazer valer o que prev&ecirc; a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988. <\/p>\n<p>De acordo com o artigo 54 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, deputados e senadores n&atilde;o podem ter participa&ccedil;&atilde;o nesse tipo de empresa, concession&aacute;ria da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Na pr&aacute;tica, at&eacute; mesmo colegas da deputada na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI), &agrave; qual a Subcomiss&atilde;o de Radiodifus&atilde;o est&aacute; subordinada, descumprem a Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Como revelou este site em mar&ccedil;o deste ano (<a href=\"http:\/\/congressoemfoco.ig.com.br\/Noticia.aspx?id=15049\" target=\"_blank\">leia mais<\/a> ), um em cada cinco deputados da CCTCI tem liga&ccedil;&otilde;es com emissoras de r&aacute;dio ou TV. Dos 76 membros (titulares e suplentes) do colegiado, que tem o poder de analisar e aprovar projetos de outorga e renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es dos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o, 16 mant&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es diretas ou indiretas com ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Junto com a relatora da subcomiss&atilde;o, deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), Erundina quer acabar com as discuss&otilde;es sobre a legalidade das concess&otilde;es dos parlamentares e as interpreta&ccedil;&otilde;es sobre o artigo 54. Para conseguir organizar as mais de 100 propostas sobre a regula&ccedil;&atilde;o do setor que tramitam na C&acirc;mara, a deputada tamb&eacute;m j&aacute; decidiu pedir nova prorroga&ccedil;&atilde;o dos trabalhos at&eacute; o fim do ano legislativo. <\/p>\n<p><strong>Margem para desvio<\/strong><\/p>\n<p>&quot;H&aacute; d&uacute;vidas na interpreta&ccedil;&atilde;o do artigo. E &eacute; isso que d&aacute; margem a esses desvios. Temos que criar essa vontade pol&iacute;tica. E essa vontade pol&iacute;tica precisa ser criada de fora para dentro e n&atilde;o aqui dentro&quot;, avalia a deputada do PSB ao ser questionada sobre a viabilidade da proposta diante do corporativismo e do interesse direto de seus colegas concession&aacute;rios. &quot;Eu acho que o artigo precisa ser cumprido. Esse ser&aacute; um ponto muito importante do meu relat&oacute;rio&quot;, avisa Maria do Carmo Lara.<\/p>\n<p>E enquanto n&atilde;o d&atilde;o a cartada final sobre o fim do apadrinhamento pol&iacute;tico na radiodifus&atilde;o nacional, as deputadas pretendem tomar duas medidas nunca antes vistas na C&acirc;mara. A primeira delas &eacute; um pedido de auditoria, que deve ser entregue nos pr&oacute;ximos dias ao Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU) sobre o processo de concess&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o de outorgas de r&aacute;dios e TVs na pr&oacute;pria C&acirc;mara.<\/p>\n<p>&quot;J&aacute; estivemos com os auditores que devem mapear a rede de r&aacute;dios comunit&aacute;rias, todas as den&uacute;ncias de irregularidades, ilegalidades e apadrinhamento pol&iacute;tico. O Tribunal j&aacute; disse que vai acolher nosso pedido e dentro dos limites do prazo para ser aproveitado no relat&oacute;rio final da subcomiss&atilde;o&quot;, explica Erundina. <\/p>\n<p>Em junho deste ano, a CCTCI aprovou o Ato Normativo n&ordm; 1, que promete reformular o processo de concess&atilde;o na C&acirc;mara. Segundo a presidente da subcomiss&atilde;o, a medida ainda n&atilde;o mudou o modo como o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es envia os processos ao Legislativo. O artigo 7&ordm; da norma interna prev&ecirc; que essa auditoria do TCU seja realizada anualmente. <\/p>\n<p>&quot;O poder Executivo n&atilde;o incorporou as sugest&otilde;es do ato normativo, mas n&oacute;s fizemos indica&ccedil;&otilde;es claras do que dever ser feito. Talvez o tempo ainda seja curto e vamos dar um voto de confian&ccedil;a. Mas vai depender tamb&eacute;m de se fazer uma press&atilde;o para que essas inova&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o grandes, comecem a engrenar e dar maior transpar&ecirc;ncia ao processo&quot;, afirma Erundina.<\/p>\n<p><strong>Controle social<\/strong><\/p>\n<p>Para aumentar o controle social sobre o processo, o artigo 8&ordm; do ato normativo prev&ecirc; a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema p&uacute;blico de informa&ccedil;&otilde;es. Segundo o texto, o mecanismo deve permitir &quot;acesso facilitado a dados sobre processos de aprecia&ccedil;&atilde;o dos atos de outorga e renova&ccedil;&atilde;o de concess&atilde;o, permiss&atilde;o ou autoriza&ccedil;&atilde;o submetidos &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara dos Deputados&quot;. <\/p>\n<p>De acordo com a presidente da Subcomiss&atilde;o de Radiodifus&atilde;o, o departamento de inform&aacute;tica da C&acirc;mara est&aacute; na fase final de cria&ccedil;&atilde;o de um software para dar transpar&ecirc;ncia na tramita&ccedil;&atilde;o dos processos e instalar a consulta na p&aacute;gina da CCTCI na internet. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es retirou de seu site a base de dados que possibilitava a consulta ao Relat&oacute;rio de S&oacute;cios e Dirigentes das Entidades de Radiodifus&atilde;o. Oficialmente o minist&eacute;rio informa que a busca dever&aacute; &ldquo;ser realizada atrav&eacute;s do link <a href=\"http:\/\/sistemas.anatel.gov.br\/siacco\/\" target=\"_blank\">http:\/\/sistemas.anatel.gov.br\/siacco\/<\/a> , onde os dados s&atilde;o atualizados periodicamente&rdquo;. <\/p>\n<p>O novo sistema, segundo entidades do setor ouvidas pelo site, diminuiu a transpar&ecirc;ncia, pois a pesquisa s&oacute; pode ser feita a partir do nome da emissora ou do seu n&uacute;mero de cadastro na Receita Federal. O Congresso em Foco entrou em contato com o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o obteve retorno at&eacute; o fechamento desta edi&ccedil;&atilde;o sobre a mudan&ccedil;a no processo de consulta na internet e as declara&ccedil;&otilde;es da deputada Luiza Erundina.<\/p>\n<p>Mas, mesmo com um longo caminho pela frente e a resist&ecirc;ncia dos parlamentares concession&aacute;rios de r&aacute;dio e TV, h&aacute; quem acredite na viabilidade das mudan&ccedil;as propostas pela subcomiss&atilde;o. &ldquo;A efici&ecirc;ncia das medidas t&ecirc;m sido supreendentemente positivas do ponto de vista pol&iacute;tico, o que era inimagin&aacute;vel antes da cria&ccedil;&atilde;o da subcomiss&atilde;o&quot;, acredita Ven&iacute;cio A. de Lima, pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB). <\/p>\n<p>Estudo realizado por Ven&iacute;cio no Projor, a entidade mantenedora do &ldquo;Observat&oacute;rio da Imprensa&rdquo;, mostrou que na legislatura passada integrantes da CCTCI donos de emissoras de r&aacute;dio votaram na renova&ccedil;&atilde;o das suas pr&oacute;prias concess&otilde;es. O caso gerou, recentemente, uma representa&ccedil;&atilde;o ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal que ajuizou cinco a&ccedil;&otilde;es civis p&uacute;blicas contra quatro ex-parlamentares e um deputado licenciado. <\/p>\n<p><strong>Suspeita de favorecimento<\/strong><\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal no Distrito Federal (MPF\/DF), que prop&ocirc;s as a&ccedil;&otilde;es no &uacute;ltimo dia 23 de julho, argumenta que &quot;houve favorecimento pessoal nas concess&otilde;es, uma vez que os parlamentares &ndash; s&oacute;cios das empresas &ndash; participaram das vota&ccedil;&otilde;es em que foram analisados e deferidos os pedidos de concess&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o dessas outorgas&quot;.<\/p>\n<p>Os processos tramitam na Justi&ccedil;a Federal no Distrito Federal. Os procuradores da Rep&uacute;blica pedem, em car&aacute;ter liminar, a suspens&atilde;o imediata das concess&otilde;es. No m&eacute;rito, o pedido pretende anular definitivamente as outorgas. As empresas, segundo o MPF, podem ser condenadas a pagar multa por dano moral e os ex-parlamentares podem ainda ser processados por improbidade administrativa. <\/p>\n<p>Os ex-deputados denunciados s&atilde;o: Jo&atilde;o Mendes de Jesus (sem partido-AL), apontado como s&oacute;cio-diretor da Alagoas R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Macei&oacute;); Wanderval Santos (PL-SP), identificado como s&oacute;cio da R&aacute;dio Continental FM (Campinas), Corauci Sobrinho (PFL-SP), s&oacute;cio da R&aacute;dio Renascen&ccedil;a (Ribeir&atilde;o Preto), e Jo&atilde;o Batista (PP-SP), associado &agrave; Sociedade R&aacute;dio Atalaia de Londrina. A den&uacute;ncia tamb&eacute;m se estende ao deputado licenciado Nelson Proen&ccedil;a (PPS-RS). O atual Secret&aacute;rio de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do Estado do Rio do Grande do Sul &eacute; relacionado pelo MPF como s&oacute;cio da Emissoras Reunidas, de Caxias do Sul.<\/p>\n<p>O levantamento feito pelo professor Ven&iacute;cio A. de Lima, publicado pelo Congresso em Foco (<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=20149\" target=\"_blank\">leia mais <\/a> ) ainda em 2005, tamb&eacute;m mostrou que 49 deputados da legislatura passada eram concession&aacute;rios diretos de emissoras de r&aacute;dio e TV, conforme dados oficiais do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. Dos 81 senadores, 28 controlavam emissoras de r&aacute;dio ou TV, em nome pr&oacute;prio ou de terceiros, de acordo com pesquisa feita pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunica&ccedil;&atilde;o (Epcom) (<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=20217\" target=\"_blank\">leia mais<\/a> ). Ainda n&atilde;o h&aacute; dados atualizados sobre a atual legislatura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se depender dos pr&oacute;ximos passos planejados pela Subcomiss&atilde;o de Radiodifus&atilde;o da C&acirc;mara, deputados e senadores n&atilde;o poder&atilde;o mais ser donos ou s&oacute;cios de r&aacute;dios e TVs em todo o pa&iacute;s. 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