{"id":21898,"date":"2008-10-02T17:13:42","date_gmt":"2008-10-02T17:13:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21898"},"modified":"2008-10-02T17:13:42","modified_gmt":"2008-10-02T17:13:42","slug":"a-bahia-na-trincheira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21898","title":{"rendered":"A Bahia na trincheira"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Padre Adenilton n&atilde;o era profeta. Mas percebeu que aquela menina tinha talento para a comunica&ccedil;&atilde;o. Incentivada pelo padre, aos nove anos, Gislene Moreira come&ccedil;ou a trabalhar em uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria na cidade baiana de Rui Barbosa, distante 300 quil&ocirc;metros de Salvador, e n&atilde;o parou mais. Filha de camponeses e rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas por forma&ccedil;&atilde;o, Gislene era coordenadora de articula&ccedil;&atilde;o da ONG Cip&oacute; &ndash; Comunica&ccedil;&atilde;o Interativa e agora est&aacute; no M&eacute;xico, onde cursa o doutorado. Gil, como &eacute; conhecida, participou do grupo de trabalho que organizou a I Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Bahia, realizada em agosto passado. <\/p>\n<p>A Confer&ecirc;ncia teve como objetivo promover o direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e j&aacute; se tornou um marco hist&oacute;rico. A Bahia, que teve um papel importante na consolida&ccedil;&atilde;o da independ&ecirc;ncia do Brasil &ndash; quando expulsou os portugueses de Salvador, em 2 de julho de 1823 &ndash;, agora se destaca com a Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o, a primeira do g&ecirc;nero realizada no Brasil, uma importante contribui&ccedil;&atilde;o para a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o em nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Na Bahia, assim como em outros estados brasileiros, o coronelismo sempre dominou os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; preciso muita coragem para enfrentar os 500 anos de domina&ccedil;&atilde;o da nossa hist&oacute;ria, que hoje se traduz na domina&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, destacou Gil Moreira na abertura da Confer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Pouco tempo atr&aacute;s, seria impens&aacute;vel fazer o que o governo da Bahia e a sociedade civil fizeram. Uma ampla e democr&aacute;tica confer&ecirc;ncia para discutir pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. Nunca houve diversidade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o da Bahia. Uma &uacute;nica e poderosa voz determinava o que os baianos liam e assistiam nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Falecido h&aacute; pouco mais de um ano, o ex-governador da Bahia Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es &ndash; mais conhecido como ACM &ndash; comandava essa voz. Amigo pr&oacute;ximo do empres&aacute;rio Roberto Marinho (Organiza&ccedil;&otilde;es Globo), controlava um imp&eacute;rio de comunica&ccedil;&atilde;o que inclu&iacute;a seis geradoras e 311 retransmissoras de TV (todas afiliadas da TV Globo), al&eacute;m de r&aacute;dios, jornais e uma operadora de TV paga.<\/p>\n<p>A elei&ccedil;&atilde;o do governador Jaques Wagner (em 2006) foi a maior derrota pol&iacute;tica de ACM e a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o representa mais um rev&eacute;s para os poderosos coron&eacute;is midi&aacute;ticos, que insistem em tentar manter a comunica&ccedil;&atilde;o sob a tutela de seus interesses e, assim, se perpetuar no poder.<\/p>\n<p>&ldquo;A democracia brasileira n&atilde;o ser&aacute; completa se n&atilde;o cumprirmos a etapa da democratiza&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, advertiu o secret&aacute;rio de Comunica&ccedil;&atilde;o da Bahia, Robinson Almeida, coordenador-geral da Confer&ecirc;ncia. &ldquo;O estado tinha que dar sua contribui&ccedil;&atilde;o e demonstrar para o Brasil que &eacute; poss&iacute;vel fazer um debate democr&aacute;tico sobre comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, concluiu.<\/p>\n<p>Segundo o governo da Bahia, mais de 2.500 pessoas, das v&aacute;rias regi&otilde;es do estado, se mobilizaram e participaram das oito plen&aacute;rias preparat&oacute;rias, realizadas de Eun&aacute;polis (no Sul do estado) a Juazeiro (no Norte). Nessas reuni&otilde;es, foram eleitos os 300 delegados que participaram do evento em Salvador.<\/p>\n<p>Os baianos demonstraram grande capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o e de comprometimento com a Confer&ecirc;ncia, que n&atilde;o se esvaziou ao longo dos tr&ecirc;s dias de trabalho. O calor dos debates deixou claro que a sociedade brasileira deseja mudan&ccedil;as urgentes na comunica&ccedil;&atilde;o e quer participar das decis&otilde;es sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do setor.<\/p>\n<p>&ldquo;As empresas de comunica&ccedil;&atilde;o defendem a democracia e a liberdade de express&atilde;o, mas n&atilde;o admitem uma diversidade maior. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o debatem tudo, menos a realidade deles pr&oacute;prios&rdquo;, reflete Carlos Tib&uacute;rcio, assessor especial da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, que representou o governo federal no evento. &ldquo;Eu espero que [a Confer&ecirc;ncia] se reproduza pelos 26 estados da federa&ccedil;&atilde;o e pelo Distrito Federal para que consigamos, de fato, dar um passo significativo nesse processo de consolida&ccedil;&atilde;o da democracia no pa&iacute;s&rdquo;, acrescentou Tib&uacute;rcio. O secret&aacute;rio Almeida completou: &ldquo;&Eacute; poss&iacute;vel fazer uma confer&ecirc;ncia estadual e &eacute; poss&iacute;vel fazer uma confer&ecirc;ncia nacional&rdquo;.<\/p>\n<p>Formada em 2007, a Comiss&atilde;o Pr&oacute;-Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o re&uacute;ne mais de 20 entidades da sociedade civil organizada e tem como objetivo mobilizar a sociedade e pressionar o governo federal para convocar uma confer&ecirc;ncia nacional a ser realizada em 2009.<\/p>\n<p>Apesar de a comiss&atilde;o j&aacute; ter apresentado a proposta para os ministros Luis Dulci, Franklin Martins e H&eacute;lio Costa, ainda n&atilde;o h&aacute; sinal de que o governo pretenda atender essa demanda. Apoiado em conceitos absurdos como a liberdade de express&atilde;o comercial, o lobby dos controladores da m&iacute;dia &ndash; representado pelos 198 deputados e 38 senadores da Frente Parlamentar da Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; tem conseguido evitar o debate e retardar a convoca&ccedil;&atilde;o da confer&ecirc;ncia. Seria muito &uacute;til se os empres&aacute;rios do setor praticassem a responsabilidade social empresarial e se dispusessem a debater as quest&otilde;es da comunica&ccedil;&atilde;o com a sociedade.<\/p>\n<p>A Comiss&atilde;o Pr&oacute;-Confer&ecirc;ncia participou ativamente do evento. &ldquo;O evento demonstra ao governo Lula, em especial ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, que a na&ccedil;&atilde;o brasileira quer e exige a realiza&ccedil;&atilde;o da confer&ecirc;ncia nacional, para poder discutir pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de uma comunica&ccedil;&atilde;o inclusiva que represente as diversidades brasileiras&rdquo;, afirmou Jos&eacute; S&oacute;ter, coordenador executivo da Abra&ccedil;o Nacional &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das R&aacute;dios Comunit&aacute;rias &ndash; entidade integrante da Comiss&atilde;o.<\/p>\n<p>A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) tamb&eacute;m participou do evento em Salvador. &ldquo;Pelo peso que tem a Bahia, essa Confer&ecirc;ncia vai ter impacto pol&iacute;tico junto ao governo federal para que se consiga a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s temos que ir ao presidente Lula&rdquo;, clamou a deputada. Erundina integra a Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara, espa&ccedil;o onde os interesses das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o sempre falaram mais alto do que os interesses da sociedade.<\/p>\n<p>Atualmente, a CCTCI &eacute; presidida pelo deputado Walter Pinheiro (PT-BA), que demonstra estar alinhado &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es da sociedade e defende a urg&ecirc;ncia da convoca&ccedil;&atilde;o da confer&ecirc;ncia nacional. &ldquo;N&oacute;s queremos a confer&ecirc;ncia para discutir o uso da comunica&ccedil;&atilde;o como ferramenta de democratiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirmou Pinheiro em entrevista para o Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No documento final do evento, a Carta da Bahia, h&aacute; um destaque para o controle social da m&iacute;dia. A plen&aacute;ria prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o, cobra a&ccedil;&otilde;es do governo para a universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; internet banda larga e entende que &eacute; essencial o fortalecimento da comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria (r&aacute;dios e TVs) no estado.<\/p>\n<p>&ldquo;Se nos for garantido o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, iremos assim quebrando paulatinamente os monop&oacute;lios das minorias privilegiadas sobre os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social de massa e combatendo os imp&eacute;rios olig&aacute;rquicos regionais vinculados &agrave; propriedade privada sobre a terra e os meios de produ&ccedil;&atilde;o&rdquo;, prega o documento. Mais um importante passo foi dado para a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Adenilton n&atilde;o era profeta. 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