{"id":21880,"date":"2008-09-30T13:28:43","date_gmt":"2008-09-30T13:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21880"},"modified":"2008-09-30T13:28:43","modified_gmt":"2008-09-30T13:28:43","slug":"midia-e-politica-um-oceano-de-picuinhas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21880","title":{"rendered":"M\u00eddia e Pol\u00edtica: Um oceano de picuinhas"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A imprensa brasileira est&aacute; frangando uma excelente oportunidade para enriquecer o debate sobre o momento pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico por que passa o Brasil. Com o presidente da Rep&uacute;blica surfando as ondas da popularidade e seu governo praticamente blindado por alt&iacute;ssimo &iacute;ndice de aprova&ccedil;&atilde;o, esta &eacute; uma boa hora para colocar sobre a mesa uma boa an&aacute;lise sobre o projeto de desenvolvimento proposto para o pa&iacute;s. Especialmente na circunst&acirc;ncia em que uma grave crise financeira abala o resto do mundo, enquanto os brasileiros parecem imunes a ela. Ningu&eacute;m haver&aacute; de dizer que a m&iacute;dia estaria colocando sob risco a governabilidade ou torcendo para que as coisas n&atilde;o d&ecirc;em certo.<\/p>\n<p>Sempre h&aacute; quem diga que imprensa &eacute; oposi&ccedil;&atilde;o ou &eacute; di&aacute;rio oficial. Essa assertiva precisa ser melhor digerida. Imprensa &eacute; oposi&ccedil;&atilde;o, sim, mas n&atilde;o necessariamente a governos. Em um estado de plenas liberdades democr&aacute;ticas, faz mais sentido entender a imprensa como uma reserva de pensamento cr&iacute;tico a respeito de sistemas e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Ent&atilde;o, seria sensato imagin&aacute;-la numa atitude de vigil&acirc;ncia em torno das a&ccedil;&otilde;es que os poderes do Estado e seus protagonistas praticam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade. Em todas as inst&acirc;ncias do poder.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o &eacute; isso que se v&ecirc;. Certos v&iacute;cios de edi&ccedil;&atilde;o ainda fazem supor que jornais e revistas, em especial, aceitam a id&eacute;ia de que o atual governo &eacute; vitorioso no essencial, mas n&atilde;o perdem oportunidade para manifestar seu desagrado pela figura do presidente da Rep&uacute;blica. Esse cacoete ficou claro nos coment&aacute;rios ir&ocirc;nicos em torno da frase do presidente Lula, segundo o qual a crise n&atilde;o iria &quot;cruzar o Atl&acirc;ntico&quot;. Ora, se h&aacute; um oceano entre Washington e a costa brasileira, esse oceano se chama Atl&acirc;ntico.<\/p>\n<p><strong>Educa&ccedil;&atilde;o &eacute; tarefa da sociedade<\/strong><\/p>\n<p>Bobagens como essa denunciam a m&aacute;-vontade geral, principalmente se se considerar que muitos outros representantes dos poderes da Rep&uacute;blica, parlamentares e presidentes de empresas importantes costumam destroncar o vern&aacute;culo, sem que os jornalistas se disponham a usar contra eles a mesma dose de ironia. De certa forma, picuinhas como essa impedem que a imprensa enxergue os verdadeiros problemas que o atual governo est&aacute; criando para o pa&iacute;s. A alta popularidade e os elevados &iacute;ndices de aprova&ccedil;&atilde;o que fazem a alegria do atual ocupante do Pal&aacute;cio do Planalto n&atilde;o s&atilde;o garantias de que sua estrat&eacute;gia de crescimento venha a produzir o desenvolvimento no longo prazo.<\/p>\n<p>As importantes conquistas sociais ainda convivem com baix&iacute;ssimos &iacute;ndices de escolaridade e literalidade de adolescentes e jovens, o que pode estar denunciando a constitui&ccedil;&atilde;o de uma gera&ccedil;&atilde;o de brasileiros inabilitados para tarefas complexas. Para evitar controv&eacute;rsias com os ling&uuml;istas, literalidade, aqui, vai no sentido dado por Dante Alighieri, ou seja, como o significado descritivo e mais &oacute;bvio da palavra ou de um texto. A imprensa adora reproduzir absurdos que aparecem em provas escolares e vestibulares, para demonstrar a baixa qualidade do ensino, como se n&atilde;o tivesse nada a ver com isso. Todos t&ecirc;m a ver com isso, e especialmente a imprensa, porque a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; tarefa do Estado, exclusivamente, mas de toda a sociedade.<\/p>\n<p><strong>Corre&ccedil;&otilde;es no curso do desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>Da mesma forma, os excelentes indicadores da economia tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o uma garantia de que estejamos no curso correto do desenvolvimento sustent&aacute;vel. Em muitas regi&otilde;es do Brasil, o sucesso econ&ocirc;mico tem coincidido com o agravamento de problemas sociais como a viol&ecirc;ncia, a prostitui&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes e a explora&ccedil;&atilde;o do trabalho infantil. Al&eacute;m disso, em torno de gigantes da siderurgia que brilham nos cadernos de neg&oacute;cios brotam seguidas den&uacute;ncias de trabalho escravo, enquanto os projetos no setor de energia, a j&oacute;ia da coroa do Plano de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento est&atilde;o adornados de controv&eacute;rsias sobre a prote&ccedil;&atilde;o ambiental.<\/p>\n<p>Em vez de se ocupar com picuinhas sobre a concord&acirc;ncia verbal das frases do presidente e sobre a localiza&ccedil;&atilde;o do Oceano Atl&acirc;ntico no mapa do mundo, a imprensa poderia ajudar a sociedade e os fazedores de pol&iacute;ticas para a necessidade de certas corre&ccedil;&otilde;es no curso do nosso desenvolvimento.<\/p>\n<p>* Luciano Martins Costa &eacute; jornalista.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imprensa brasileira est&aacute; frangando uma excelente oportunidade para enriquecer o debate sobre o momento pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico por que passa o Brasil. 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