{"id":21698,"date":"2008-08-26T11:10:23","date_gmt":"2008-08-26T11:10:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21698"},"modified":"2008-08-26T11:10:23","modified_gmt":"2008-08-26T11:10:23","slug":"o-cinema-no-mundo-convergente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21698","title":{"rendered":"O cinema no mundo convergente"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\"><em>A professora da Universidade Estadual de S&atilde;o Paulo (Unesp) Anita Simis tem longa contribui&ccedil;&atilde;o nos estudos acad&ecirc;micos da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o. Sua tese sobre Estado e cinema no Brasil fez profunda an&aacute;lise sobre o desenvolvimento da s&eacute;tima arte no pa&iacute;s e as raz&otilde;es que prejudicaram o florescimento de uma atividade cinematogr&aacute;fica brasilera est&aacute;vel e permanente ao longo do s&eacute;culo XX. O trabalho se tornou uma refer&ecirc;ncia e foi vencedor do Pr&ecirc;mio Ita&uacute; Cultural em 2007. A obra foi publicada em 1997 e ganhou um segundo volume este ano. Para a acad&ecirc;mica, o cinema continua sendo importante na cadeia de valor do audiovisual, mas divide cada vez mais sua import&acirc;ncia com as novas m&iacute;dias.<br \/><\/em><br \/><strong>Em sua pesquisa sobre a realidade do cinema, como tem visto o papel que este meio vem ocupando no novo cen&aacute;rio de converg&ecirc;ncia?<\/strong><br \/>Quando penso no atual contexto de converg&ecirc;ncia, penso que o cinema, mais especificamente os filmes est&atilde;o sendo exibidos em novos meios. Assim, al&eacute;m das salas de cinema, temos hoje a possibilidade de ver filmes na televis&atilde;o aberta, na TV por assinatura, na TV junto com aparelhos de videocassestes ou de DVDs, nos computadores que possuem DVD ou que sejam ligados &agrave; Internet, e nos celulares. Com isto, h&aacute; uma amplia&ccedil;&atilde;o na maneira de ver filmes, mas que n&atilde;o significa necessariamente uma amplia&ccedil;&atilde;o na diversidade do que &eacute; visto, pois a hegemonia na produ&ccedil;&atilde;o de audiovisuais ainda &eacute; da grande ind&uacute;stria norte-americana.<\/p>\n<p><strong>Como fica a posi&ccedil;&atilde;o do cinema na cadeia de valor do audiovisual hoje?<\/strong><br \/>As salas de cinema ainda possuem uma grande import&acirc;ncia nos lan&ccedil;amentos dos filmes, inclusive porque o sistema continua ainda hoje assentado sobre as cabe&ccedil;as de um lote de filmes. Ou seja, para se adquirir um blockbuster, o filme com grande lan&ccedil;amento, atores famosos, etc. o exibidor &eacute; obrigado a assumir ainda um lote de filmes menores. Mas, h&aacute; tamb&eacute;m o fato de que esse blockbuster precisa jogar sua rede em um circuito globalizado e rapidamente puxar a rede com seus peixes. Quanto mais salas participarem desta rede, maior a possibilidade de arrecadar mais em pouco tempo. Nesta estrutura, a sala de cinema torna-se uma excelente alavanca, ou janela, para os outros meios da cadeia: DVD, TV por assinatura, TV aberta, etc. Mesmo assim, vemos experi&ecirc;ncias que tentam furar este modelo ao lan&ccedil;arem um filme primeiro na TV. Mas ainda s&atilde;o experi&ecirc;ncias.<br \/><strong><br \/>O cinema tradicional, da sala escura com proje&ccedil;&atilde;o, sofre hoje alguma amea&ccedil;a na concorr&ecirc;ncia com outras formas de exibi&ccedil;&atilde;o de filmes? Como isso ocorre?<\/strong><br \/>De fato, em termos de porcentagem em rela&ccedil;&atilde;o ao total da popula&ccedil;&atilde;o, certamente nunca mais voltaremos &agrave; propor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o que assistia cinema na d&eacute;cada de 50. A t&iacute;tulo de exemplo, se nos EUA em 1950 t&iacute;nhamos 41 horas por ano por habitante gastas com cinema, em 1996 t&iacute;nhamos apenas 9,66, mas 1.360 com televis&atilde;o. No Brasil &ndash; em 1950 &ndash; quase 7 horas de cinema e em 1996, 1200 horas, na maior parte em outras m&iacute;dias, n&atilde;o no cinema. Isto significa que vemos cada vez mais filmes, mas n&atilde;o nas salas de cinema. Com isto, n&atilde;o quero dizer que haja um crescimento no n&uacute;mero de salas, mas elas ser&atilde;o para um p&uacute;blico menor em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; propor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s e, neste sentido, creio que ser&aacute; cada vez mais uma forma de exibi&ccedil;&atilde;o para seletos privilegiados.<\/p>\n<p><strong>Com o barateamento das tecnologias de produ&ccedil;&atilde;o, pode-se dizer que h&aacute; um crescimento da produ&ccedil;&atilde;o alternativa &agrave; Hollywood?<\/strong><br \/>Certamente, em termos de n&uacute;meros absolutos, sim. Mas proporcionalmente ao que Hollywood tem produzido para as diversas m&iacute;dias, n&atilde;o. Ou seja, a hegemonia segue sendo norte-americana, leia-se Hollywood.<br \/><strong><br \/>Como voc&ecirc; v&ecirc; a situa&ccedil;&atilde;o atual do cinema brasileiro? Qual &eacute; a sua avalia&ccedil;&atilde;o sobre os quase seis anos da gest&atilde;o Gilberto Gil no Minist&eacute;rio da Cultura no que se refere &agrave; pol&iacute;tica para o cinema brasieliro?<\/strong><br \/>O cinema brasileiro, como sempre, continua lutando para ter o seu espa&ccedil;o. Creio que na gest&atilde;o Gilberto Gil h&aacute; novidades no sentido de se atender &agrave;s novas m&iacute;dias, a um p&uacute;blico diversificado, desde o p&uacute;blico espectador ao p&uacute;blico que quer particpar do processo de produ&ccedil;&atilde;o do audiovisual. No entanto, depois da derrota com a lei da Ancinav [Ag&ecirc;ncia Nacional do Audiovisual], houve um retrocesso que se configurou numa paralisia. Lentamente, h&aacute; um in&iacute;cio do que se possa chamar de retomada da pol&iacute;tica cinematogr&aacute;fica, inclu&iacute;ndo a&iacute; desde as leis de incentivo fiscal at&eacute; o controle sobre a venda dos bilhetes de ingresso nas salas. Mas, &eacute; algo ainda t&iacute;mido, talvez por conta do peso de nossa tradi&ccedil;&atilde;o conservadora, fortemente enraizada no meio cinematogr&aacute;fico.<br \/><strong><br \/>Qual sua opini&atilde;o sobre a recente pol&ecirc;mica acerca do modelo de financiamento do cinema brasileiro e a iniciativa do Minist&eacute;rio da Cultura de propor sua reorganiza&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>&Eacute; significativo que o aporte de fomento direto (apoio a projetos audiovisuais com recursos provenientes do or&ccedil;amento da Ancine &#8211; Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema) seja bem menor que o de fomento indireto (via leis de incentivo). De 2003 a 2006 o total de fomento direto foi de R$ 29.346.000 e o total de valores captados via mecanismos de incentivo nesses mesmos anos foi de R$ 476.895.000, ou seja, o fomento indireto foi 16 vezes maior do que o fomento direto. Mas, talvez, o que seja mais importante dizer &eacute; que este modelo n&atilde;o foi suficiente para tornar nossas produtoras de filme sustent&aacute;veis. H&aacute; que se construir uma pol&iacute;tica cinematogr&aacute;fica que de fato toque na ferida, que coloque estrat&eacute;gias que permitam o desenvolvimento de uma ind&uacute;stria audiovisual forte. Uma pol&iacute;tica cultural que abranja todos os elos econ&ocirc;micos da cadeia audiovisual, mas tamb&eacute;m outros setores que considero intimamente ligados, como a educa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadora diz que muda o modo como vemos filmes, mas Hollywood segue reinando<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[825],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21698"}],"collection":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21698"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21698\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}