{"id":21691,"date":"2008-08-25T18:18:16","date_gmt":"2008-08-25T18:18:16","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21691"},"modified":"2008-08-25T18:18:16","modified_gmt":"2008-08-25T18:18:16","slug":"publicidade-nao-deve-poder-tudo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21691","title":{"rendered":"Publicidade n\u00e3o deve poder tudo"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">O adolescente que assalta para ter o t&ecirc;nis de marca que viu na televis&atilde;o, o menino obeso que pressiona a m&atilde;e no supermercado para experimentar as &uacute;ltimas novidades com gordura trans e a menina sexualmente precoce que at&eacute; consegue ir &agrave; escola sem comer, mas n&atilde;o sem a maquiagem no rosto s&atilde;o, na verdade, presas f&aacute;ceis de uma mesma armadilha de apelo ao consumo. S&atilde;o ref&eacute;ns de uma situa&ccedil;&atilde;o grave e preocupante que, no Brasil, n&atilde;o foi ainda tratada com a urg&ecirc;ncia necess&aacute;ria, considerando os impactos negativos que provoca e ainda poder&aacute; provocar na forma&ccedil;&atilde;o educacional das futuras gera&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>P&uacute;blico-alvo de uma ind&uacute;stria que movimenta algo em torno de US$ 15 bilh&otilde;es por ano, as crian&ccedil;as transformaram-se em um mercado altamente lucrativo. Por conseq&uuml;&ecirc;ncia, tornaram-se objeto do desejo de marcas poderosas que vendem tudo, de biscoitos baratos a &quot;games&quot; caros. Seus h&aacute;bitos, gostos e comportamentos passaram a integrar estudos de marketing. Desenvolver uma mensagem capaz de despertar o impulso de consumir uma roupa, um sandu&iacute;che, um brinquedo ou at&eacute; mesmo produtos que nunca fizeram parte do seu universo, como maquiagem, passou a ser um desafio para criadores de ag&ecirc;ncias de propaganda de todo o mundo. <\/p>\n<p>Voc&ecirc;, assim como eu, j&aacute; deve ter ouvido ou lido que o mercado infantil &eacute; um dos mais promissores do mundo. Dizem que as crian&ccedil;as influenciam a compra dos pais, que est&atilde;o cada vez mais bem informadas para escolher produtos e servi&ccedil;os e que, portanto, a publicidade a elas dirigida &eacute; uma demanda natural de um novo mundo no qual, assim como os adultos, elas devem ter o direito de consumir. Por tr&aacute;s desse discurso, no entanto, esconde-se o equ&iacute;voco de trat&aacute;-las como adultos em miniatura.<\/p>\n<p>A publicidade dirigida a crian&ccedil;as deve, sim, ter limites. E limites muito claros. Ao contr&aacute;rio dos adultos, as crian&ccedil;as n&atilde;o possuem maturidade cognitiva para compreender uma mensagem comercial em toda a sua amplitude. N&atilde;o disp&otilde;em de mecanismos para fazer a necess&aacute;ria cr&iacute;tica aos apelos para o consumo. Quando pequenas, n&atilde;o conseguem diferenciar um comercial de brinquedo de um programa de entretenimento. Mas, a todo momento, s&atilde;o submetidas a uma bateria de mensagens comerciais cujo objetivo nada disfar&ccedil;ado &eacute; estimular o consumo de produtos e servi&ccedil;os de que n&atilde;o necessitam.<\/p>\n<p>Consumir a &uacute;ltima novidade passa, portanto, a ser uma necessidade em si. E uma atividade geradora de tens&atilde;o permanente. Para as crian&ccedil;as cujos pais t&ecirc;m bom poder aquisitivo, a tens&atilde;o est&aacute; em adquirir sempre mais. Para aquelas que nascem em fam&iacute;lias de baixa renda, a tens&atilde;o decorre do fato de n&atilde;o poder ter aquilo que a propaganda vende como uma aspira&ccedil;&atilde;o natural de toda crian&ccedil;a. Os resultados sociais desse quadro s&atilde;o vis&iacute;veis. Mais vis&iacute;veis ainda s&atilde;o os estragos causados na sa&uacute;de, na qualidade de vida, no grau de instru&ccedil;&atilde;o e na conviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Os resultados dessa publicidade tamb&eacute;m atingem algo muito precioso e caro a uma crian&ccedil;a e, conseq&uuml;entemente, ao seu comportamento na fase adulta, o universo on&iacute;rico. Que &eacute;, em quaisquer circunst&acirc;ncias, a maneira &uacute;nica e leg&iacute;tima de ela imaginar e criar um mundo que n&atilde;o pode ser imposto, mas constru&iacute;do por suas pr&oacute;prias regras. &Eacute; fant&aacute;stica a capacidade que uma crian&ccedil;a tem de transformar as coisas mais simples em algo apropriado para sua divers&atilde;o -por exemplo, torna um peda&ccedil;o de madeira ou uma folha seca em um cen&aacute;rio harmonioso, em que pode passear, brincar sem perigo e com alegria.<\/p>\n<p>Portanto, precisamos respeitar e preservar esse universo l&iacute;rico como um valor que constitui a crian&ccedil;a e que a faz, de fato, ser o que &eacute; -o que tem de diferente do adulto. &Eacute; hora de repensar, sob o crivo da &eacute;tica, a publicidade destinada &agrave;s crian&ccedil;as. A &eacute;tica do respeito &agrave; sua integridade f&iacute;sica e emocional. A &eacute;tica da prote&ccedil;&atilde;o dos seus direitos elementares. <\/p>\n<p>Uma an&aacute;lise mais detida da Constitui&ccedil;&atilde;o, do ECA e do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor fornece elementos suficientes para estabelecer regras restritivas &agrave; propaganda infantil. Essa n&atilde;o &eacute; uma causa apenas dos profissionais que trabalham diretamente com a educa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as no Brasil. Mas uma causa de todos n&oacute;s -pais, m&atilde;es, educadores, autoridades p&uacute;blicas, publicit&aacute;rios e dirigentes de empresas socialmente respons&aacute;veis. <\/p>\n<p><em>* Mil&uacute; Villela &eacute; presidente do Fa&ccedil;a Parte &#8211; Instituto Brasil Volunt&aacute;rio, embaixadora da Boa Vontade da Unesco e membro fundador e coordenadora do Comit&ecirc; de Articula&ccedil;&atilde;o do Compromisso Todos pela Educa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de presidente do MAM e do Instituto Ita&uacute; Cultural.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O adolescente que assalta para ter o t&ecirc;nis de marca que viu na televis&atilde;o, o menino obeso que pressiona a m&atilde;e no supermercado para experimentar as &uacute;ltimas novidades com gordura trans e a menina sexualmente precoce que at&eacute; consegue ir &agrave; escola sem comer, mas n&atilde;o sem a maquiagem no rosto s&atilde;o, na verdade, presas &hellip; <a href=\"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21691\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Publicidade n\u00e3o deve poder tudo<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[616],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21691"}],"collection":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21691"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21691\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}