{"id":21428,"date":"2008-06-24T18:03:10","date_gmt":"2008-06-24T18:03:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21428"},"modified":"2008-06-24T18:03:10","modified_gmt":"2008-06-24T18:03:10","slug":"midia-e-a-democracia-desvirtuada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21428","title":{"rendered":"M\u00eddia e a democracia desvirtuada"},"content":{"rendered":"<p> \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t-->           <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">A democracia tem sido desvirtuada nas sociedades capitalistas contempor&acirc;neas a partir dos processos midi&aacute;ticos. Na divulga&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias pol&iacute;ticas, sobrep&otilde;e-se o modelo publicit&aacute;rio &ndash; voltado essencialmente para a sedu&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, para assim conquist&aacute;-lo &ndash; em detrimento da adequada pr&aacute;tica de di&aacute;logo, onde, de forma argumentativa, os v&aacute;rios agentes apresentam sua posi&ccedil;&atilde;o, a fim de forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica e posterior decis&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas isto nem sempre interessa a grande parte dos pr&oacute;prios pol&iacute;ticos, que fazem quest&atilde;o de se mostrarem de forma mais sedutora para que os eleitores acreditem em suas falas, mesmo que n&atilde;o reproduzam a verdade. N&atilde;o sendo privilegiada a raz&atilde;o, impera a emo&ccedil;&atilde;o nas campanhas de dimens&atilde;o pol&iacute;tica em geral, como atestam os per&iacute;odos pr&eacute;-eleitorais, a exemplo do que ocorrer&aacute; neste 2008, para Executivos e Legislativos municipais. Em derradeira an&aacute;lise, tais distor&ccedil;&otilde;es contribuem para os resultados desastrosos que o Brasil tem vivenciado, quanto a compromisso p&uacute;blico e comportamento &eacute;tico de atores p&uacute;blicos e privados.<\/p>\n<p>As promessas de campanha devem ser mais bem documentadas com um comprometimento maior, de forma que o n&atilde;o cumprimento de qualquer uma delas resulte numa cobran&ccedil;a mais clara, pelo eleitor, com a contribui&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia p&uacute;blica e do aparato jur&iacute;dico, gerando puni&ccedil;&otilde;es pelos descumprimentos. A dificuldade de monitoramento dos mandatos dos representantes eleitos limita e desgasta a democracia representativa, abrindo-se um v&aacute;cuo entre o prometido na campanha e a pr&aacute;tica do exerc&iacute;cio do mandato.<\/p>\n<p><strong>Informa&ccedil;&atilde;o sem demagogia<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; nesse bojo que devem ser estimulados referendos e plebiscitos, como atos democr&aacute;ticos advindos da democracia direta que tentam potencializar o modelo representativo, reconhecendo-se que os parlamentares nem sempre atuam coadunados com seu eleitorado e da&iacute; decorrendo a necessidade de excepcionalmente chamar o pr&oacute;prio povo para decidir sobre dadas quest&otilde;es fundamentais da vida social. Nessas consultas, devem ser colocados claramente os pontos a serem discutidos, para que todos entendam as v&aacute;rias posi&ccedil;&otilde;es, sendo todo espa&ccedil;o midi&aacute;tico voltado para a elucida&ccedil;&atilde;o do eleitor, e n&atilde;o de interesses menores.<\/p>\n<p>No entanto, esses instrumentos de democracia direta &ndash; implantados de modo eventual &ndash; s&atilde;o contaminados com as estrat&eacute;gias publicit&aacute;rias de comunica&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico. Ocorre que a mesma forma publicit&aacute;ria respons&aacute;vel pela disson&acirc;ncia entre representante e representado est&aacute; presente em toda a comunica&ccedil;&atilde;o. Trata-se de um s&eacute;rio problema, adstrito &agrave; conflu&ecirc;ncia das a&ccedil;&otilde;es midi&aacute;ticas com a democracia.<\/p>\n<p>Esse racioc&iacute;nio corrobora o entendimento de que a atua&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria da m&iacute;dia, a privatiza&ccedil;&atilde;o dos patrim&ocirc;nios culturais e a aus&ecirc;ncia de controle do que &eacute; publicizado s&atilde;o limitadores para a proje&ccedil;&atilde;o de um efetivo espa&ccedil;o p&uacute;blico, de encontro e confronto argumentativo de posi&ccedil;&otilde;es. Para tal, &eacute; indispens&aacute;vel ultrapassar o formato publicit&aacute;rio dos discursos pol&iacute;ticos, sendo necess&aacute;ria uma nova m&iacute;dia, onde a qualidade do que &eacute; midiatizado n&atilde;o fique subordinada &agrave;s metas de ac&uacute;mulo de audi&ecirc;ncia e lucros. Isso requer, simultaneamente, cidad&atilde;os comprometidos com o esclarecimento de id&eacute;ias, onde o povo tenha acesso &agrave; verdadeira informa&ccedil;&atilde;o, sem demagogia.<\/p>\n<p><strong>&Agrave; procura do modelo ideal<\/strong><\/p>\n<p>Um espa&ccedil;o p&uacute;blico n&atilde;o prec&aacute;rio &ndash; portanto, voltado para a diversidade e a democracia &ndash; demanda, no seu &acirc;mago, condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;mico-culturais dignas e universalizadas. Ou seja: a plena participa&ccedil;&atilde;o em din&acirc;micas interativas mais complexas pede requisitos, do econ&ocirc;mico ao cognitivo (todos, elementos interligados), para a completa integra&ccedil;&atilde;o na vida democr&aacute;tica, virtual ou n&atilde;o. A publicidade vem se revelando como um mecanismo que nem sempre atinge os objetivos propostos, tendo em vista a consolida&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de recep&ccedil;&atilde;o, como o zapping, e a convic&ccedil;&atilde;o de que o momento de compra &eacute; fundamental para a decis&atilde;o do consumidor.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o &eacute; isso que est&aacute; em discuss&atilde;o: o debate, aqui, n&atilde;o &eacute; acerca da efic&aacute;cia da publicidade como instrumento de indu&ccedil;&atilde;o &agrave; compra, mas sua inadequa&ccedil;&atilde;o &agrave;s propostas de di&aacute;logo livre, plural e racional, que, pelo menos em termos ideais, deve marcar a democracia. O caso &eacute; de confronto de id&eacute;ias, n&atilde;o de apresenta&ccedil;&atilde;o dos apelos mais emotivos. Parece que tudo isto passa por uma mudan&ccedil;a de comportamento, n&atilde;o s&oacute; daqueles que apregoam id&eacute;ias fantasiosas, mas tamb&eacute;m daqueles que transmitem as suas id&eacute;ias e at&eacute; daqueles que se deixam enganar. Mas, ainda assim, continuaremos &agrave; procura de um modelo ideal que contente a todos, sempre em busca de algo melhor.<\/p>\n<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><em>* Val&eacute;rio Cruz Brittos &eacute; professor no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e presidente do Cap&iacute;tulo Brasil da Uni&oacute;n Latina de Econom&iacute;a Pol&iacute;tica de la Informaci&oacute;n, la Comunicaci&oacute;n y la Cultura (ULEPICC-BR)<\/em> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A democracia tem sido desvirtuada nas sociedades capitalistas contempor&acirc;neas a partir dos processos midi&aacute;ticos. 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